* Por Lucas Montedonio e Alexandre Schnabl

“Estética também é política e moda é a nossa reação!”, assim define-se o manifesto do grupo AfroCriadores. Reunindo trinta e uma marcas cariocas  de moda afro-brasileira, selecionadas pelo edital Moda Afro do Sebrae, a  proposta é romper estereótipos, fortalecer o estilão com pegada nagô e ainda propor um desfile performático, irônico, divertido e popular para mostrar o seu potencial e ainda cativar admiradores, usem tranças étnicas ou não.

Nesse mês da Consciência Negra, a primeira ação dessa turma será uma intervenção urbana marcada para o próximo dia 28, no epicentro popular da Cidade Maravilha, a Central do Brasil. Tudo a ver em tempos de visão míope, quando a prefeitura fundamentalista do Rio, entre a dissimulação e a ausência, demonstra querer uniformizar o pensamento geral em prol de crenças religiosas pessoais, seja extirpando importantes manifestações da cultura carioca, como a Roda de Samba da Pedra do Sal e o Rivalzinho, seja retirando patrocínio de eventos que geram alto lucro de imagem e receita à urbe como o Desfile das Escolas de Samba no carnaval, a Parada Gay.

A carne mais barata do mercado é a carne negra. O refrão-denúncia da música de Elza Soares contra a discriminação racial no Brasil rende frutos na moda. Rechaçando qualquer preconceito e com os integrantes orgulhosos do seu DNA, o Grupo AfroCriadores, vai revelar ao público sua veia fashion em performances na Central do Brasil no dia 28/11 (Foto: Divulgação)

Como forma de expressão e afirmação da identidade negra, a matriz afro-brasileira é ilustrada com pluralidade e originalidade sob o coletivo Moda Afro. O grupo traz como ponto de partida ressaltar o papel de propostas estéticas no processo de construção de uma sociedade em direção à igualdade. Seus integrantes se uniram para driblar as dificuldades do mercado, fortalecer seus trabalhos e dar visibilizar o segmento.

A carne mais barata do mercado é a carne negra. O refrão-denúncia da música de Elza Soares contra a discriminação racial no Brasil rende frutos na moda. Rechaçando qualquer preconceito e com os integrantes orgulhosos do seu DNA, o Grupo AfroCriadores, vai revelar ao público sua veia fashion em performances na Central do Brasil no dia 28/11 (Foto: Divulgação)

Veteranas como a Baobá-Brasil, com seus tecidos africanos, a Devassas.com, que aborda questões feministas com inteligência e humor e Julia Vidal, que mescla conteúdo afro-indígena no design, fazem coro com a ala masculina representada pela grife Neri Modas, com linguagem afro pop, e as unissex Rdblack, Crespa e Vb Atelier.

E o estilo agênero, hoje na boca da rapaziada fashion moderninha, é mote para as coleções da O Gue,  enquanto Vauela e Abebé oferecem uma diversidade de peças para toda a família, com peças femininas, masculinas e infantis.

A carne mais barata do mercado é a carne negra. O refrão-denúncia da música de Elza Soares contra a discriminação racial no Brasil rende frutos na moda. Rechaçando qualquer preconceito e com os integrantes orgulhosos do seu DNA, o Grupo AfroCriadores, vai revelar ao público sua veia fashion em performances na Central do Brasil no dia 28/11 (Foto: Divulgação)

No trabalho, tem gente que aposta no chavão, mas com orgulho: divindades da cultura afro-brasileiras, os orixás, são temas das grifes Pombou e da recém lançada Lewá Afro Brasil, em estilo afro-romântico. A história ancestral das etnias é a pesquisa de grifes como Bantu, Drika Moda Afro, Atitude Negra e Olorum. E a alfaiataria não fica de fora: se apresenta na Bieta Etnomoda, assim como a moda praia, democrática e para todos os shapes, fica por conta da Afrobeach Brasil.

Peças amplas são destaque no Ateliê Ms. Vee, Andreia Brasis, Estação BF e Santa Resistência. E, se o interesse forem os acessórios, a explosão de cores, texturas e materiais criativos, os consumidores podem se entregar sem lenço e sem documento, sob o sol de quase dezembro, a marcas tipo Varal da Val, A Grace Ateliê, Aylah Acessórios, Gloria Turbantes & Estilo e Guita Bonita.

Grupo AfroCriadores (Foto: Divulgação)

Já a moda usada como educação é ferramenta essencial nos trabalhos apresentados pelas estilistas dublês de educadoras das grifes LetAkanni, Julia Vidal e Amo Crew. As Intervenções serão realizadas no dia 28 de novembro, de 10h às 15h, na Central do Brasil, em ações múltiplas sequenciadas.

Confira a programação:   

10h às 12h – Intervenção de Moda “AfroCriadores” na gare da Central do Brasil.

12h às 16h – Ações Culturais na Praça Cristiano Otoni, entre os portões 2 e 3.

13h às 13h30 – Fina Batucada – Alunas da Escola de Música Villa Lobos.

13h30 às 14h15 – BlackYva e DJ Buiu

14h15 às 15h – Grupo Cultural AfroLaje

AfroCriadores:

A Grace Ateliê Abebé, AfroBeach Brasil, Amo Crew, Andreia Brasis, Ateliê Ms. Vee, Atitude Negra, Aylah Acessórios, Baobá-Brasil, Bantu, Estação BF, Bieta Etnomoda, Crespa, D`Áfrika, Devassas.com, Drika Moda Afro, Guita Bonita, Julia Vidal, LetAkanni, Lewá Afro Brasil, Gloria Turbantes & Estilo, Neri modas, O Gue, O Verbo, Olorum moda afro-brasileira, Pombou, Rdblack, Santa Resistência, Varal da Val, Vauela, Vb Atelier 

www.afrocriadores.com.br

* Nascido na cidade imperial de Petrópolis, o pianista amador ganhou o mundo ainda adolescente quando fez intercâmbio nos Estados Unidos. Nessa época sua terceira visão despertou e o moço se entregou ao budismo tibetano. Pura estratégia para dominar a vaidade interior. Estudou comissaria de bordo, mas preferiu o jornalismo e, hoje, entre retiros espirituais com rinpoches, encontros com lamas e entrevistas espevitadas, o sagitariano usa sua vocação para o tietismo como contraponto à eterna busca do santo nirvana.

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