Com Flávio Di Cola, Julio Reis e André Vagon

Amante das caçadas, pescarias e do dolce far niente nos cassinos, se estivesse vivo o escritor Ernest Hemingway possivelmente trocaria o título de um dos seus livros mais famosos – publicado por sua viúva três anos após sua morte –Paris é uma festa para o “Rio é um badalo”. Desde quando começou, a Rio 2016 já dava sinal de que seria do baralho, invertendo o pessimismo que então predominava: o astral subiu, dias lindos tiveram luminosidade de cair o queixo e uma alegria que parecia ter ficado no passado voltou a tomar conta das ruas. Entre festa privês, competições mil, carnaval de rua na região portuária e o clima nas arenas olímpicas, ÁS andou circulando em busca de momentos e personagens inesquecíveis, entre famosos e anônimos. Confira o baralho olímpico do ÁS!

Rainha de Copas

De todos os agitos fechados, a Casa OMEGA mandou ver com um naipe de celebridades bacanudas. Eddie Redmayne provou que não importa se é garota dinamarquesa ou se passa sete dias com Marilyn: a teoria de tudo é ser simpático!

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Eddie Redmayne: ator marcou presença no início da Rio 2016 em festa de abertura da Casa OMEGA (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

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Ao lado da atriz brasileira que é starlet em Hollywood, Camilla Belle, Eddie Redmayne assumiu o espírito inglês em país tropical e abusou do terninho em cor clara (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

As tops Alessandra Ambrosio e Carol Trentini revelaram que, para serem musas do tempo, a vibe é aproveitar cada segundo. Alexandre Herchcovitch continua tímido, mas gênio é gênio e a gente tira o chapéu.

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Alessandra Ambrosio confere o women’s room, o lounge da Casa OMEGA que evoca o sufragismo e a feminilidade (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

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Carão: Alessandra Ambrosio posa em look branco total na Casa OMEGA, QG na Rio 2016 da marca de relógios da qual é embaixatriz (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

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Dama de Vermelho: Carol Trentini assume a monalisa enigmática na Casa OMEGA (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

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Bendito é fruto: entre a onipresente Lenny Niemeyer e a solar Andrea Delal, Alexandre Herchcovitch posa na Fashion Night, agito em sua homenagem na Casa OMEGA, em plena Rio 2016 (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

E, se o atleta da hora Michael Phelps emplacou a lição de que, para se tornar mito sem afundar na piscina das vaidades, é preciso ser tão espontâneo quanto talentoso, o astronauta Buzz Aldrin provou que não importa aonde pise, é possível viver eternamente no mundo da lua.

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O super campeão Michael Phelps posa no salão submarino da Casa OMEGA: simplicidade e savoir vivre são marcas do atleta fora das piscinas (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

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Space legend: segundo a pisar na lua na icônica missão Apollo 11, em 1969, o vetusto astronauta Buzz Aldrin desbrava a Casa OMEGA na Rio 2016 e declara: “Morar no espaço em breve será realidade” (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

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Tripulação estelar: na base do cropped com direito a umbigada, recepcionistas robóticas recebem os visitantes na noite que levou a Rio 2016 ao espaço sideral (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

Beth Pinto Guimarães na Casa OMEGA

Beth Pinto Guimarães é ouro! Entre modelitos metalizados e maxi colares, Beth Pinto Guimarães foi às alturas e abrilhantou a Casa OMEGA (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

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No centro, o velejador e campeão olímpico Torben Grael (esq.) e o CEO da OMEGA Raynald Aeschlimanne (dir.) são ladeados pelas medalhistas de ouro Martine Grael e Kahena Khunze na Sailing Night, que encerrou nesta noite de sábado (20/8) a Casa OMEGA ma Rio 2016 (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

No destaque, encontros com amigos do peito, champanhe na temperatura certa, decoração mara, brisa deliciosa entrando pelas áreas abertas e staff afiado. A casa ainda contou com o chef importado dos States David Danielson, o qual, entre as gostosurinhas servidas, caprichou na pâtisserie! Os docinhos de leite e banana no pote foram jardim da delícias, e os brigadeiros e macarons adoçaram a vida de quem passou por lá.

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Carrocinha fofa da Casa OMEGA em noite tropical: adereço de cena compôs até barraquinha de flores foi sucesso mesmo nas noites em que os docinhos do bamba David Danielson fizeram a alegria dos convidados (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

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Doçura olímpica: a carrocinha de doces chez David Danielson foi vedete nos rega-bofes da Casa OMEGA ao lado dos balanços em clima do pintor Fragonard (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

Entre o sax de Kenny G e o a música do galã Bastian Baker, os convidados puderam curtir o som a vivo ou eletrônico, suaram frio no telão armado para assistir às partidas, celebraram a última vitória do mito Phelps em clima de Copa do Mundo, torceram pelo Brasil e a viplist de Patricia Brandão arrasou. Somente uma curiosidade: se no dia da Carol Trentini havia gente saindo pelo ladrão e no de Herchcovitch a quantidade de público estava perfeita, então três Trentinis valem um Herchcô?

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Kenny G: som do saxofonista na Casa OMEGA contagiou o público numa noite que bombou. Convidados ficaram à espreita querendo saber se o moço usa ativador de cachos (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

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Com pinta de galã, o cantor e músico Bastian Baker veio de Lausanne, deu no couro e alegrou o mulherio e as bees na Casa OMEGA (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

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Enquanto o suíço dava expediente no palco da Casa OMEGA, a turma que não é chegada a um gargarejo conferia o show do moço no mesmo telão que exibiu as competições da Rio 2016 (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

Full house

Carioca é blasê, não está nem aí para encontrar celebrity de madruga no supermercado. Não pede autógrafo no calçadão e finge que não vê globete na fila do cinema porque sabe que Rio é Hollywood dos trópicos. Mas, em contrapartida, se amarra em saber que a Cidade Maravilha é campeã disparada dos red carpets. Festinha apinhada de famosos é algo que carioca ama, se sente incluído e ÁS nem fala do brilho nos olhos de quem vem de fora, geralmente acostumado a uma mera fornada de apresentadores, duas dúzias de pagodeiros, três de funqueiros, sete ou oito paniquetes e somente uma Sabrina Sato e uma Galisteu. Nesse quesito, quem quebrou a banca na Olimpíada foi a Arena Skol, segundo a tradição das cervejarias no carná. Com um pé no Maraca, outro no Parque Olímpico e a Vila Skol, um mega espaço montado no MAM, choveu celebridade. Confira a galeria abaixo com alguns do famosos que deram aquela pinta olímpica no pódio.

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Jogação: Vila Skol montada no Museu de Arte Moderna apresentou a maior concentração de celebridades da Rio 2016, digna de um recorde olímpico, junto com a Arena Skol, no Parque Olímpico (Foto: Felipe Panfili / Divulgação)

Confira abaixo quem passou por lá:  

Bateu o morto!

No intrincado baralho da intervenção urbana, definir o que é prioridade é jogo de cartas. Algumas marcadas, outras nem tanto. A prefeitura soube aproveitar o momento, pegou e bateu o morto, fazendo royal straight flush na Praça Mauá e adjacências, transformando aquela área degradada em orgulho carioca. Das inaugurações prévias do Museu de Arte do Rio e do Museu do Amanhã às promenades de pedestres, do grafitaço do Eduardo Kobra no paredão antigo aos food trucks, da sineta retrô do moderno VLT à aula de democracia com shows e telões espalhados pela área, dar um rolezão no Boulevard Olímpico foi programa imperdível nesta Rio 2016, apesar da muvuca turbinadíssima!

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Painel do celebrado Eduardo Kobra que celebra a diversidade étnica no Boulevard Olímpico: legado que fica para a cidade após a Rio 2016 (Foto: Reprodução)

De quebra, bikers, skaters, rollerbladers, artistas de rua e toda a sorte de personagens passaram a fazer parte da fauna local, onde antes afloravam marinheiros deflorando putas. Agora é só manter o nível do pôquer para não deixar o feltro ficar esgarçado. E estimular o surgimento de um comércio local de qualidade (supermercado, padaria e farmácia boas, no mínimo) para tornar a região habitável!

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Boulevard Olímpico, pão e circo: em meio aos food trucks, povo se aglutina diante do Palco Encontros para conferir shows ao vivo e o espetáculo do esporte no telão (Foto: Reprodução)

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Legado: cariocas desfrutam do deque da novíssima Orla Prefeito Luiz Paulo Conde, no Boulevard Olímpico (Foto: Reprodução)

Poesia Olímpica 

A projeção com música na fachada do Copacabana Palace foi momento de destaque na cidade. Não apenas porque o Copa é um símbolo absoluto da cidade, mas porque, em meio a tantos exageros de videomapping que assolam os eventos atualmente, uma projeção singela – com borboletas com asas que faziam as vezes das bandeiras dos países – foram o suprassumo da delicadeza. O resultado, claro, não poderia ser outro: o público passante extasiado, tirando fotos e baixando a bola para admirar, ao som de música clássica. Luxo!

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Caricoas e turistas celebram o lirismo na projeção sobre o prédio em estilo francês do hotel-emblema do Rio, o Copacabana Palace (Foto: Reprodução)

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Gerente-geral do Copacabana Palace, Andrea Natal não vestiu a camisa do evento esportivo, foi além: envergou o blaser verde & amarelo, by Victor Dzenk, na Rio 2016 (Foto: Bruno Ryfer / Divulgação)

Crupiês marotos

Todo jogo tem seu crupiê. No cassino pop em que se tornou o Rio, com crupiês de todos os tipos, não basta dar as cartas, tem que fazer parte da jogada. Claro, vale assistir ao jogo, mas também participar ativamente da Rio 2016, fazendo a alegria do povo. ÁS circulou pelas arenas olímpicas e casas dos países, registrando alguns desses ases, duplas, trincas e quadras de ouros, do tipo que garante a sequência.

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No metrô, o torcedor estadounidense mantém a verve de super-herói americano logo após os Estados Unidos serem desclassificados do futebol (Foto: Flávio Di Cola)

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Velha Guerreira não vem para explicar, e sim para confundir: espírito do Chacrinha permanece no Parque Olímpico com a californiana que veio ferver na Rio 2016 (Foto: Flávio Di Cola)

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No Parque Olímpico, o diabo veste polska (Foto: Flávio Di Cola)

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Na badalada Casa do Qatar, que ocupou o espaço da Casa Daros, é tempo de beleza: frequentadoras param para retocar a misturinha (Foto: Flávio Di Cola)

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It’s tea time: no Maracanã, torcida inglesa troca o chá das cinco pelo sorrisão (Foto: Flávio Di Cola)

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Corrida maluca: na fachada do hotel em Ipanema, o destaque foram as charangas envenenadas de um grupo de turistas que veio especialmente para o agito olímpico (Foto: Divulgação)

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Apesar da bola cheia de Neymar com o pênalti que garantiu ao Brasil o ouro no futebol masculino e a forra no 7 x 1 da Alemanha, a torcedora mirim prefere deixar sua própria marca na camiseta (Foto: Flávio Di Cola)

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Chegada ao Parque Olímpico da Barra: turma australiana prova que a herança de “Priscila, a Rainha do Deserto” permanece entranhada na terra dos ornitorrincos (Foto: Flávio Di Cola)

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Rio 2016 inclusivo: voluntários ficam a postos para receber torcedores com necessidades especiais no Parque Olímpico da Barra (Foto: Flávio Di Cola)

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Patota do siga: as mãozinhas sinalizadoras espalhadas pela urbe vão ficar na memória dos 800 mil turistas que vieram à Cidade Maravilha (Foto: Flávio Di Cola)

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A turista espanhola abre os peitos e mostra que não importa a opção sexual, o que vale é a emoção (Foto: Flávio Di Cola)

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É ouro na Escandinávia plural: rapaz da Dinamarca se veste do personagem-símbolo da Finlândia, Papai Noel, e encara o paz e amor na base do look dourado (Foto: Flávio Di Cola)

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Já os noruegueses são tipo que prefere abraçar um amigo da terrinha, mesmo que os cornos de viking acabem chamando mais atenção (Foto: Flávio Di Cola)

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Turma da faxina emula os garis da passarela no sambódromo carioca e faz a limpa nas quadras do Parque Olímpico (Foto: Flávio Di Cola)

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Tudo que vem, volta: com as calças cáqui, o mutirão da limpeza parecia seminu na hora de manter a quadra em forma (Foto: Flávio Di Cola)

E, numa celebração esportiva na qual a diversidade sexual foi estrela, as poses e golpes da turma da luta greco-romana deram o que pensar! Confira abaixo: 

Reis de espadas e a saga hollywoodiana que põe o multiculturalismo no centro do jogo   

Eles brilharam absolutos. Alguém duvida que a Rio 2016 foi do jamaicano Usain Bolt e o norte-americano Michael Phelps? Estrelas das arenas esportivas, no atletismo e na natação, eles fizeram a alegria dos torcedores, independente de origem ou nação, numa era em que a intolerância racial, “limpeza” étnica, o retrocesso britânico na saída da União Europeia e a simples presença de Trump na corrida presidencial estadounidense são afrontas em um mundo que deve primar pela inclusão. Mais do que soberanos no carteado do esporte, são lições de vida.

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Tipo Cinderela: Usain Bolt acena para o público com os tênis dourados após ter ganho o outo na Rio 2016 (Foto: Divulgação)

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Como o deus grego Mercúrio: Usain Bolt sorri quando se aproxima em primeiro lugar da marca de chegada na Rio 2016 (Foto: Divulgação)

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Phelps: na despedida das piscinas olímpicas, o maior atleta da história das olimpíadas conquistou o público nas raias e fora delas (Foto: Divulgação)

E, como nada é por acaso, o sucesso do negro caribenho e do branquelo caucasiano com sorriso de garoto e jeito esquisitão praticamente antecedem a estreia nos cinemas brasileiros de Star Trek: Sem Fronteiras(1/9), longa-metragem que celebra o meio século da saga espacial que faz sucesso ininterrupto na telona e na telinha justamente por brindar a diversidade.             

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“Star Trek Beyond”: longa que comemora os 50 anos da franquia celebra em caráter multiestelar o mesmo tipo de diversidade que é o mote principal dos Jogos Olímpicos (Foto: Divulgação)

Rainhas de Ouros, no pódio ou não!

Apesar do nome latino, a russa Margarita Mamun impressionou o público ao levar o ouro individual na ginástica rítmica nesta sábado (20/8), superando a compatriota com alcunha mais apropriada para quem vem da terra da vodca: Yana Kudryavtseva, que ficou com a prata.

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Margarita Mamun: russa com nome latino é ouro na Rio 2016 (Foto: Divulgação)

Mas, emocionou a espanhola Carolina Rodriguez, 30 anos e se despedindo das arenas em alto nível. Sem dúvida, uma presença linda e forte, a mais artista de todas as candidatas, ainda que competindo para marcar sua partida, sem esperança de vencer. Lacrou!

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Carolina Rodriguez: dramaticidade e alto teor artístico na ginástica rítmica da Rio 2016 (Foto: Reprodução)

Antes delas, arrebatando estas olimpíadas com quatro medalhas de ouro e uma de prata, a negra norte-americana Simone Biles sai como a maior das soberanas da Rio 2016, migrando do circuito esportivo para o das celebridades globais. Sua destreza no solo e na trave olímpica ficam para a história, assim como o sorriso colgate na pele marrom bombom, uma lindeza.

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 09: Simone Biles of the United States poses for photographs with her gold medal after the medal ceremony for the Artistic Gymnastics Women's Team on Day 4 of the Rio 2016 Olympic Games at the Rio Olympic Arena on August 9, 2016 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Laurence Griffiths/Getty Images) ORG XMIT: 631390975 ORIG FILE ID: 587771206

Quatro dias após a abertura da Rio 2016, a ginasta Simone Biles posa com o ouro olímpico envergando um sorriso tão luminoso quanto o metal precioso (Foto: Divulgação)

Valetes de ouro, prata, bronze…

São caso diferentes de atletas com origens diversas. Em comum, se agarraram na oportunidade e fizeram bonito. Na canoagem, o baiano Izaquias Queiroz entra para um seleto grupo de esportistas, sendo o primeiro brazuca a conquistar três medalhas numa Olimpíada (duas em prata e uma em bronze).

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Izaquias Queiroz: herói brazuca no pódio e no imaginário dos brasileiros (Foto: Divulgação)

Paulista de Marília, Thiago Braz da Silva quebrou recorde olímpico e sul-americano no salto com vara, levou o ouro e ainda provocou a indignação do técnico francês Renaud Lavillinie, que atribuiu sua vitória ao candomblé. Thiago nem ligou, foi fino e o gringo, que podia ter ficado quieto, ainda precisa descobrir que no Brasil não só tem francesa no morro, mas no terreiro. Pierre Verger que o diga!

. Moscow (Russian Federation), 10/08/2013.- Brazil's Thiago Braz da Silva competes in the men's Pole Vault qualification at the 14th IAAF World Championships in Moscow, Russia, 10 August 2013. (Moscú, Rusia, Campeonato del Mundo, Mundiales de Atletismo) EFE/EPA/SERGEI ILNITSKY

Thiago Braz da Silva: ouro e quebra de recorde surpreendem o mundo (Foto: Divulgação)

Que Diego Hypólito ganharia alguma medalha na Rio 2016, isso a gente já esperava. E torcia. Foi prata no solo da ginástica artística e deixou sua legião de simpatizantes felizes. Todo mundo  gosta do rapaz, apesar de estranhar o atual penteado. Ele subiu ao pódio que conferiu o ouro ao britânico Max Whitlock, um ás.

Carta para jogar fora: bullying que suplanta o pódio e os falsos moralistas disfarçados de politicamente corretos

Dos meninos brasileiros, quem mais chamou atenção do Brasil foi o bronze Arthur Nory no mesmo solo de Hypólito e Whitlock. Gato-garoto detentor de um topete que parece ser padrão entre os ginastas mundo afora, esbanjou talento e simpatia de menino. Com apenas 1,69m, mas parecendo mais alto nas fotos, o alongadíssimo e rasgadíssimo japa-brazuca de Campinas manda bem na ginástica, mas começou a olimpíada mal na fita por conta da brincadeira racista com um colega negro da seleção brasileira, vazada na mídia três meses antes. Precisou até usar o sobrenome Nory ao invés do outro mais habitual, Mariano.

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Arthur Nory e seu bronze: jeito de criança, cara de galã, topete de Johnny Bravo e estigma de racista nas costas por conta de uma brincadeira leviana. Se o atleta tiver decorado a lição, sai da Rio 2016 como um ser humano melhor (Foto: Divulgação)

Marcado pelo bullying, o atleta de Campinas foi trucidado, inclusive agora nas redes sociais após conquistado o terceiro lugar no pódio, apesar da jogada de marketing pessoal: ao longo dessas duas semanas, se revelou crush da negra Simone Biles, o que rendeu muitas matérias. Ninguém levou muita fé nisso, apesar da exploração pela imprensa. Mas, convenhamos,  a hora não é para crucificar, é de ensinar. Com 22 anos, que ele aprenda com a molecagem e não repita o erro, ao invés de ser malhado como judas. O susto já deu e não vale a hipocrisia de alçar o rapaz a saco de pancada, porque é a postura geral do brasileiro que precisa mudar, não é caso isolado.

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Arthur Nory celebra o resultado na Rio 2016 (Foto: Divulgação)

Blefe do curingão bobão

No baralho, o curinga é uma carta polivalente, que quebra todos os galhos e ainda ajuda na hora do jogador dar aquela blefada para virar a mesa. Mas essa figura também representa o bobo da corte, aquela criatura que quer fazer rir, mas que muitas vezes só consegue extrair um sorriso amarelo do rei. No caso de Ryan Lochte – artífice maior do imbróglio causado pelos quatro nadadores alcoolizados que, para tirar o seu da reta, tentaram denegrir instituições brasileiras –, a Rio 2016 vai ficar marcada no currículo como o momento em que ele deixou de ser um intrépido atleta para se tornar uma carta fora do baralho: sua estratégia não colou, foi desmascarado, o mal comportamento divulgado pela imprensa mundial, seu pedido de desculpas foi burocrático e nitidamente orientado por advogado, e o louro ainda corre o risco de perder patrocínios milionários. Nem merece ganhar mais evidência pela jogada boba malograda. Perdeu, playboy!

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Ryan Lochte: o nadador americano surgiu na Olímpíada 2016 com as madeixas prata que acabaram ficando verdes, mas deixou os brasileiros vermelhos de raiva com as injúrias proferidas contra o Rio no evento (foto: Reprodução)

Quadra de ases

Além do talento em por de pé um belíssimo espetáculo feito com verba de jogo de biriba na esquina, mas com impressão e acabamento de cassino em Monte Carlo, Abel Gomes, Daniela Thomas, Fernando Meirelles e Andrucha Washington ficam para a história como a quadra de ases que, além de fazer muito com pouco (dez por cento do budget total gasto nas Olimpíadas de 2012 em Londres), comprovam o papel social do artista: além de estimular, questionar, suscitar, emocionar e causar catarse, levantar a autoestima de um povo, de uma cidade, de um Brasil.

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Espetáculo no sentido horário: Andrucha Waddigton (2º à esq.), Abel Gomes (3º à esq.), Fernando Meirelles (na extrema direita) e Daniela Thomas (ao centro) formam o escrete de ouro da Rio 2016. Penúltima à direita, Rosa Magalhães foi responsável pelo belo show do encerramento dos jogos olímpicos do Rio, nesta noite de domingo (21/8) (Foto: Divulgação)

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Abertura da Rio 2016: criatividade foi destaque na plasticidade do espetáculo apresentado (Foto: Divulgação)

Carta decisiva

Não é nada fácil fazer o jogo do encerramento numa Olimpíada. No caso da Rio 2016, na qual as expectativas do evento foram superadas e a abertura dos jogos deixou todo mundo de queixo caído, menos ainda. Somam-se o cansaço geral, o pouquíssimo tempo de ensaio para poder de pé o show em uma arena que até horas antes era palco de competições, as inúmeras intervenções protocolares ao longo do percurso quebrando a continuidade do espetáculo. E ainda a irreverência dos atletas que, após meses de preparação estoica e concentração, agora só querem saber de festa, sem disciplina, sem se entregar a marchinhas pré-moldadas. Coube à Rosa Magalhães por de pé esse grand finalle, apesar de todos os poréns, inclusive a chuva e a ventania inesperadas. A carnavalesca se saiu belamente da empreitada, como tudo em que se mete. E o que foi de sua batuta, funcionou. ÁS foi aluno desse gênio de saias na Escola de Belas Artes, na UFRJ, e tira o chapéu. A grande dama do carnaval é Rainha é ás de ouros, copas, espadas, paus…

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Encerramento dos jogos teve problemas de ritmo, mas surpreendeu em muitos aspectos. O que era de se esperar, considerando a expertise da bamba Rosa Magalhães, que encabeçou o show (Foto: Reprodução)

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Encerramento dos jogos teve problemas de ritmo, mas surpreendeu em muitos aspectos. O que era de se esperar, considerando a expertise da bamba Rosa Magalhães, que encabeçou o show (Foto: Reprodução)

Valetes de paus

A Rio 2016 quebrou os paradigmas da diversidade, com 51 atletas e 3 técnicos assumidamente gays e a transex Lea T. puxando a delegação do Brasil no abre olímpico, ainda que a mídia eletrônica não tenha dado na hora o devido destaque. Depois dessa, o esporte nunca mais será o mesmo.

Entre atletas homossexuais, ÁS celebra a coragem de Amini Fonua, atleta do remoto Tonga, que mostrou o fiofó na internet para protestar contra o jornalista que resolveu revelar num post a sexualidade dos esportistas – Nico Hines, do Daily Beast, outro curingão bobão, devidamente expulso da festa pelo COI – e a judoca Rafaela Silva, ouro na modalidade, resolvidíssima e que há três anos namora uma ex-colega dos tatames.

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Amini Fonua: atleta gay do Tonga – país que pune os cidadãos por homossexualismo – foi muito mais macho que o jornalista britânico que usou expediente escuso para revelar a opção sexual dos atletas (Foto: Reprodução)

Fonua vem de um país onde a homossexualidade é crime passível de até 14 anos de prisão, e Rafaela é militar e cria de um Brasil que se diz aberto, mas que carrega nas costas um índice altíssimo de assassinatos praticados contra gays.

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Gostinho da dupla vitória: Rafaela Silva morde a medalha de ouro e celebra mais um ponto adiante na luta pelo direito dos homossexuais no Brasil (Foto: Divulgação)

No mesmo caminho, o corredor britânico Tom Bosworth propõs casamento a seu companheiro Harry Dineley nas areias de Ipanema, durante sua estadia no evento esportivo, e ganhou os holofotes arco-íris. Fato significativo, considerando que o Rio já foi eleito o melhor destino gay.

Tom Bosworth proposes to Harry Dineley a fellow Olympic athlete

À Moda antiga na babélica Copacabana: Tom Bosworth pede a mão do amado Harry Dineley em casamento (Foto: Reprodução)

Ginastas americanos Rio 2016

Rio 2016 da diversidade: atletas norte-americanos posam para a selfie grupal na praia gay da Farme de Amoedo, em Ipanema (Foto: Reprodução)

Resta agora, quem sabe e se sentir à vontade, Arthur Nory enveredar pelo mesmo caminho, caso seja fato (que ele nega), sua relação com o blogueiro homossexual Federico Devito.

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Sorrisos faceiros, abdômens-tanquinho e rumores de relacionamento homoafetivo: Federico Devito (esq.) e o bronze olímpico Arthur Nory (dir.) posam descontraídos (Foto: Instagram / Reprodução)

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