Vamos combinar: o século passado pode ter sido um dos mais complicados da História, mas pelo menos ninguém morreu de monotonia nele. A trajetória artística, profissional e política de um dos mais importantes roteiristas da história do cinema norte-americano – Dalton Trumbo (1905-1976), parcialmente relatada no filme Trumbo: lista negra (Trumbo, 2015) com direção de Jay Roach e roteiro de John McNamara a partir da biografia Dalton Trumbo de Bruce Alexander – tenta retraçar um painel das atribulações e das contradições vividas por grande parte de artistas e escritores esquerdistas que se expuseram num momento caracterizado por violentas e insuperáveis radicalizações políticas.

Trumbo cartaz

Foto: Divulgação

ryan Cranston, o festejado ator da série Breaking Bad é a estrela da cinebiografia do roteirista Dalton Trumbo (aqui ao lado de Diane Lane que não tem muito o que fazer no papel da sua mulher Cleo Trumbo). Sua atuação levou-o à indicação de Melhor Ator do Oscar 2016, categoria em que enfrenta Matt Damon, Michael Fassbender, Eddie Redmayne e Leonardo DiCaprio (Reprodução)

Bryan Cranston, o festejado ator da série “Breaking Bad” é a estrela da cinebiografia do roteirista Dalton Trumbo (aqui ao lado de Diane Lane que não tem muito o que fazer no papel da sua mulher Cleo Trumbo). Sua atuação levou-o à indicação de ‘Melhor Ator’ do Oscar 2016, categoria em que enfrenta Matt Damon, Michael Fassbender, Eddie Redmayne e Leonardo DiCaprio (Foto: Divulgação)

Vejamos: depois que a Segunda Guerra Mundial acabou e o Dragão Nazifascista foi derrotado, todo mundo pensou que a humanidade iria entrar numa era de paz e bonança, uma vez selada a amizade das duas potências que emergiram hegemônicas do conflito: os liberais e capitalistas Estados Unidos e a autodenominada ditadura do proletariado da União Soviética. Até o mais conservador estúdio de Hollywood, a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), saudou a união dos dois povos no meloso Canção da Rússia (Song of Russia, 1944), estrelado pelo não menos conservador galã Robert Taylor. Mas, a partir de 1947 a situação mudou completamente e as máscaras de bons vizinhos puderam ser finalmente arrancadas: uma nova cruzada, desta vez anticomunista, iria atingir o coração criativo de Hollywood – principalmente roteiristas, diretores e atores – e dividir a comunidade cinematográfica entre “nós” contra “eles”, como aconteceu – de certa forma – recentemente nas últimas eleições presidenciais brasileiras.

O verdadeiro Dalton Trumbo: sua lendária capacidade de trabalho pode ser explicada pelo relaxante hábito de escrever dentro de uma banheira, animado por galões de uísque misturados a anfetaminas como a benzedrina (Reprodução)

O verdadeiro Dalton Trumbo: sua lendária capacidade de trabalho pode ser explicada pelo relaxante hábito de escrever dentro de uma banheira, animado por galões de uísque misturados a anfetaminas como a benzedrina (Reprodução)

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No filme de Jay Roach, um iluminadíssimo Bryan Cranston reproduz deliciosamente o comportamento do roteirista Dalton Trumbo, nome maior da “Lista Negra” vigente em Hollywood nos anos 1950 (foto: Divulgação)

Na verdade, a indústria cinematográfica americana sempre fora ideologicamente patrulhada pela direita e pela esquerda – em uma época em que esses rótulos tinham algum sentido fora dos livros de teoria política – desde que ela se afirmara como o mais bem-sucedido empreendimento de arte e entretenimento audiovisual popular de todos os tempos, a partir da década de 1910. Depois que Hollywood foi taxada de “Nova Babilônia” por moralistas radicais por celebrar o erotismo e a liberdade de comportamento, a Meca do Cinema acolheu milhares de artistas foragidos de ditaduras de variadas colorações políticas, colaborou com Roosevelt na propagação dos ideais otimistas e fraternais do New Deal e – ainda por cima – combateu o nazifascismo antes mesmo dos EUA declararem guerra ao Eixo.

Logo após uma efêmera euforia alimentada pela vitória dos valores democráticos e sustentada pelos fabulosos lucros colhidos pelos estúdios durante a guerra, algumas organizações direitistas enraizadas em Hollywood como a Aliança do Cinema pela Preservação dos Ideais Americanos (Motion Picture Alliance for the Preservation of American Ideals) – capitaneada por John Wayne, pela colunista Hedda Hopper e pelo diretor Sam Wood – decidiram que era hora de uma “higienização ideológica” dos filmes que impactavam diretamente cerca de 80 milhões de americanos que iam ao cinema semanalmente.

HEDDA HOPPER: O DEMÔNIO DE CHAPÉU QUE INFERNIZOU DALTON TRUMBO

Reza a lenda que os exóticos chapéus de Hedda - marca registrada da mais implacável colunista de Hollywood - na verdade disfarçavam dois chifres satânicos. Ex-corista, atriz de teatro e de filmes da era silenciosa, tornou-se a mais poderosa fofoqueira das redes americanas de jornal, rádio e tv durante décadas a ponto de ser capa da Time em 1947. Ela era tão odiada pela colônia cinematográfica que Spencer Tracy chegou a acertar-lhe um pontapé na bunda em pleno Ciros's, o mais elegante nightclub da cidade (Reprodução)

Reza a lenda que os exóticos chapéus de Hedda – marca registrada da mais implacável colunista de Hollywood – na verdade disfarçavam dois chifres satânicos. Ex-corista, atriz de teatro e de filmes da era silenciosa, tornou-se a mais poderosa fofoqueira das redes americanas de jornal, rádio e TV durante décadas a ponto de ser capa da Time em 1947. Ela era tão odiada pela colônia cinematográfica que Spencer Tracy chegou a acertar-lhe um pontapé na bunda em pleno Ciro’s, o mais elegante nightclub da cidade (Reprodução)

Em 1947, o congressista J. Parnell Thomas transportou para Hollywood o Comitê de Atividades Antiamericanas (House Un-American Activities Commitee ou HUAC), erroneamente confundido com a campanha anticomunista empreendida por Joseph McCarthy no Senado, de quem foi tirado o termo “macartismo” para nomear o conjunto de perseguições e inquéritos políticos da década 1947-1957. Este foi o primeiro passo daquilo que passou a ser chamado de “Caça às Bruxas”: audiências preliminares foram organizadas para arrancar de atores, diretores e roteiristas informações ou confissões sobre uma suposta infiltração “subversiva” comunista no interior dos grandes estúdios – em particular na Warner Bros. O objetivo da referida “conspiração” seria contrabandear, nas entrelinhas dos grandes e pequenos filmes, mensagens que sabotavam sorrateiramente o ideário capitalista e democrático.

Na primeira fase das ações do Comitê, foram indiciados 19 nomes alvos de investigação pelo Congresso, depois reduzidos a dez que se tornaram os famosos "The ten of Holywood". O diretor John Huston - da ala mais liberal da indústria do cinema - organizou em apoio a eles um voo para Washington D. C. abarrotado de estrelas como Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Henry Fonda e Frank Sinatra (Reprodução)

Na primeira fase das ações do Comitê, foram indiciados 19 nomes alvos de investigação pelo Congresso, depois reduzidos a dez que se tornaram os famosos “The ten of Holywood”. O diretor John Huston – da ala mais liberal da indústria do cinema – organizou em apoio a eles um voo para Washington D. C. abarrotado de estrelas como Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Henry Fonda e Frank Sinatra (Reprodução)

Foi desse contexto – que evoluiu rapidamente para um clima de total suspeita, histeria e terror em que pululavam “listas negras”, reais e imaginárias – que emergiu a figura de Dalton Trumbo, o roteirista mais bem-remunerado da MGM, cujo salário semanal (repito, semanal) era de US$ 4.000, à época. O filme “Trumbo” começa exatamente no momento em que o escritor é recebido e abençoado por Louis B. Mayer, o chefão da MGM, no seu lendário escritório imaculadamente decorado na cor branca. Essa alegria durou pouco, pois logo Dalton Trumbo e mais 18 colegas foram obrigados a se apresentar perante os membros do HUAC que exigia respostas sumárias como “sim” ou “não” para perguntas capciosas sobre as respectivas filiações e simpatias políticas ao longo de fastidiosos e histéricos interrogatórios. Essas inquisições acabavam muitas vezes em gozações, agressões mútuas e baixarias. Como Trumbo recusou-se a fornecer nomes de amigos e colegas ao HUAC, perdeu seu emprego na MGM e acabou preso numa prisão federal por dez meses.

Dalton Trumbo firmou-se em Hollywood através de roteiros excepcionais como o de "Kitty Foyle" (1940) ou "Trinta segundos sobre Tóquio" (1944). Depois que entrou na "Black List" trabalhou durante 13 anos na clandestinidade, sem poder assinar seus roteiros, inclusive aqueles que receberam o Oscar, como os de "A princesa e o plebeu" (Roman holiday, 1953) e "Arenas sangrentas" (The brave one, 1956). Repare que neste cartaz original consta o nome de Ian McLellan Hunter, como seu testa-de-ferro. A Academia, anos depois, reparou o erro outorgando a ele uma nova estatueta corrigida (Reprodução)

Dalton Trumbo firmou-se em Hollywood através de roteiros excepcionais como o de “Kitty Foyle” (1940) ou “Trinta segundos sobre Tóquio” (1944). Depois que entrou na “Black List” trabalhou durante 13 anos na clandestinidade, sem poder assinar seus roteiros, inclusive aqueles que receberam o Oscar, como os de “A princesa e o plebeu” (Roman holiday, 1953) e “Arenas sangrentas” (The brave one, 1956). Repare que neste cartaz original consta o nome de Ian McLellan Hunter, como seu testa-de-ferro. A Academia, anos depois, reparou o erro outorgando a ele uma nova estatueta corrigida (Reprodução)

Confira abaixo o trailer de “Trumbo” (Divulgação):

Nessa altura, um grupo de astros e diretores de Hollywood de tendência liberal-democrática mobilizou-se em defesa dos acusados para depois afastar-se desse mesmo movimento quando percebeu que parte dos indiciados era formada por stalinistas radicais que – enquanto invocavam o direito à liberdade de crença expressa na 1ª Emenda da Constituição americana – silenciavam ou apoiavam alegremente as atrocidades da feroz ditadura soviética. Na verdade, o mundo já estava entrando de boca na Guerra Fria e os Estados Unidos eram varridos por uma onda de terror em que a nação parecia ser o último bastião do chamado mundo livre, ameaçada por todos os lados: a China se convertia ao comunismo com a chegada ao poder de Mao Tsé-Tung, em 1949; a URSS incrementava o seu arsenal atômico, enquanto estourava a Guerra da Coreia (1950-1953).

Em Hollywood, as coisas também iam de mal a pior: se já não bastassem os estragos trazidos pela avassaladora concorrência da televisão que fez com que as vendas semanais de ingressos nas salas de cinema norte-americanas caíssem de 80 milhões, em 1946, para 62 milhões, em 1948; Hollywood ainda recebeu outro golpe fatal na espinha dorsal que garantia a tremenda prosperidade desta que era uma das maiores indústrias do país – só perdendo para a automobilística e a siderúrgica: em 1948, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu – atendendo a ações antitrustes movidas contra os grandes estúdios – que as empresas cinematográficas deveriam vender suas cadeias de distribuição e de exibição se quisessem permanecer na área de produção. Desta forma, os estúdios não poderiam mais controlar todas as etapas do negócio do cinema.

UMA LOUCA ANUNCIA O INÍCIO DO FIM DA MECA DO CINEMA

“Crepúsculo dos deuses” (1950, de Billy Wilder) foi rodado no auge do terror provocado pela “Caça às Bruxas” e da percepção de que a Fábrica de Sonhos estava começando a desmoronar. Para o crítico britânico Ian Hamilton, autor de “Writers in Hollywood”, a insanidade decadente da personagem da ex-diva Norma Desmond (Gloria Swanson) é a mais terrível metáfora de uma indústria em crise profunda e que não sabia mais para onde ir. Curiosamente, a própria Hedda Hopper faz uma participação como ela mesma nesse longa (Reprodução):

Ou seja, no final dos anos 1940 e início dos 1950, Hollywood estava em polvorosa e os tycoons que administravam com punhos de ferro os estúdios não estavam dispostos a comprar mais uma briga com o governo a fim de preservar a sua autonomia artística ou de proteger um grupo de artistas de esquerda. Pelo contrário, ao colaborar com o Comitê de Atividades Antiamericanas os chefões esperavam sufocar também os movimentos grevistas e os piquetes que não paravam de crescer nas portas dos seus estúdios desde o fim da guerra, interrompendo a produção dessas gigantescas organizações industriais que empregavam centenas de milhares de pessoas.

Diante do quadro em que o filme “Trumbo” está inserido, é fácil entender por que seria impossível ao seu roteirista traduzir a complexidade e as reviravoltas desse momento histórico em que Dalton Trumbo foi uma figura de proa. Sua linha narrativa sofre vários pulos abruptos de tempo, omite passagens importantes da vida do roteirista – como o exílio de dois anos no México – e curva-se aos clichês sentimentais da “família feliz” que tenta enfrentar unida as agruras do destino. Outra solução dramática discutível foi a de condensar num personagem ficcional – o roteirista Buddy Ross – toda uma plêiade de autores radicais de esquerda que orbitavam em torno de Trumbo e que frequentemente o acusavam de ser um “burguês bon vivant”, um “vendido ao sistema” ou um “comunista com piscina”, ao mesmo tempo em que eram ajudados e protegidos pelo aguçado instinto de sobrevivência do roteirista mais bem pago da indústria.

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Cranston em “Trumbo”: sua inspiradíssima interpretação do roteirista de Hollywood garante o ingresso à sala de exibição (Foto: Divulgação)

Mas a carismática interpretação de Bryan Cranston hipnotiza o público e acaba contornando as eventuais falhas de simplificação num filme que também consegue driblar o reduzido orçamento – para os padrões de Hollywood – de 15 milhões de dólares através de uma charmosa reconstituição de época.

QUEM FOI QUEM NA HOLLYWOOD DA “CAÇA ÀS BRUXAS”
É impossível para um filme com pouco mais de duas horas sintetizar um momento tão confuso, complexo
e ainda em revisão da história político-social dos Estados Unidos e de Hollywood. Aliás, a escalada anti-comunista na capital do cinema não se restringiu ao período, aos fatos e aos personagens mostrados em “Trumbo”. Saiba mais sobre os nomes mais presentes no filme dirigido por Jay Roach:
Edward G. Robinson (1893-1973), grande ator do teatro e cinema, ficou célebre pelos personagens violentos que criou para a tela no estilo de Humphrey Bogart e James Cagney. Ferrenho ativista antifascista, sua participação na Caça às Bruxas passou de simpatizante de causas de esquerda para a de "delator". Refinado colecionador de obras de arte, em "Trumbo" Robinson (interpretado por Michael Stuhlbarg) vende um Van Gogh para ajudar no levantamento de fundos destinados à defesa dos indiciados (Reprodução)

Edward G. Robinson (1893-1973), grande ator do teatro e cinema, ficou célebre pelos personagens violentos que criou para a tela no estilo de Humphrey Bogart e James Cagney. Ferrenho ativista antifascista, sua participação na Caça às Bruxas passou de simpatizante de causas de esquerda para a de “delator”. Refinado colecionador de obras de arte, em “Trumbo” Robinson (interpretado por Michael Stuhlbarg) vende um Van Gogh para ajudar no levantamento de fundos destinados à defesa dos indiciados (Reprodução)

John Wayne (1907-1979), um dos mais populares astros de Hollywood, foi imortalizado nos westerns de John Ford. Quase todos seus 170 longa-metragens deram grandes lucros ao longo de uma carreira que atravessa cinco décadas. Em "Trumbo" vemos Wayne (interpretado por David James Elliott) na presidência da direitista Aliança do Cinema para Preservação dos Ideais Americanos, função que exerceu de 1949 a 1953 (Reprodução)

John Wayne (1907-1979), um dos mais populares astros de Hollywood, foi imortalizado nos westerns de John Ford. Quase todos seus 170 longa-metragens deram grandes lucros ao longo de uma carreira que atravessa cinco décadas. Em “Trumbo” vemos Wayne (interpretado por David James Elliott) na presidência da direitista Aliança do Cinema para Preservação dos Ideais Americanos, função que exerceu de 1949 a 1953 (Reprodução)

Louis B. Mayer (1884-1957) - na foto com Judy Garland e Mickey Rooney - foi fundador e chefe (de 1924 a 1951) do maior estúdio cinematográfico de todos os tempos, a Metro-Goldwyn-Mayer. Descobriu e lançou estrelas como Greta Garbo e Hedy Lamarr. Trabalhou fervorosamente pelo Partido Republicano. Em "Trumbo" vemos Mayer (interpretado por Richard Portnow) obrigado a demitir seu mais bem pago roteirista pela satânica Hedda Hopper que ameaça difamar o estúdio junto aos seus 35 milhões de leitores (Reprodução)

Louis B. Mayer (1884-1957) – na foto com Judy Garland e Mickey Rooney – foi fundador e chefe (de 1924 a 1951) do maior estúdio cinematográfico de todos os tempos, a Metro-Goldwyn-Mayer. Descobriu e lançou estrelas como Greta Garbo e Hedy Lamarr. Trabalhou fervorosamente pelo Partido Republicano. Em “Trumbo” vemos Mayer (interpretado por Richard Portnow) obrigado a demitir seu mais bem pago roteirista pela satânica Hedda Hopper que ameaça difamar o estúdio junto aos seus 35 milhões de leitores (Reprodução)

Kirk Douglas (1916), pai do ator Michael Douglas, além de ter sido um dos grandes astros do cinema americano nas décadas de 1950-1960, também atuou como um muito bem-sucedido produtor. Em "Trumbo" vemos Kirk (interpretado por Dean O'Gorman) desmoralizando e enterrando a "Lista Negra" - criada pelos estúdios para alijar centenas de escritores e artistas da indústria cinematográfica - ao creditar publicamente Dalton Trumbo como o verdadeiro roteirista de "Spartacus" (1960) (Reprodução)

Kirk Douglas (1916), pai do ator Michael Douglas, além de ter sido um dos grandes astros do cinema americano nas décadas de 1950-1960, também atuou como um muito bem-sucedido produtor. Em “Trumbo” vemos Kirk (interpretado por Dean O’Gorman) desmoralizando e enterrando a “Lista Negra” – criada pelos estúdios para alijar centenas de escritores e artistas da indústria cinematográfica – ao creditar publicamente Dalton Trumbo como o verdadeiro roteirista de “Spartacus” (1960) (Reprodução)

CICATRIZES QUE NÃO SE APAGAM
Quase 50 anos depois, os traumas trazidos pela “Caça às Bruxas” e pela Listas Negras continuam a assombrar Hollywood. No clipe abaixo, vemos como Elia Kazan (1909-2003) –  diretor de profundas convicções de esquerda pressionado pelo HUAC a delatar alguns colegas – foi francamente hostilizado por dezenas de membros e convidados da Academia que se recusaram a se levantar e aplaudi-lo pelo Oscar Honorífico que recebeu em 1999. Observe que entre aqueles que se negaram a prestar homenagem ao autor de obras como “Um bonde chamado desejo” (1951) e “Sindicato de ladrões” (1954) estão Ed Harris e Nick Nolte, sem contar o piquete que se armou do lado de fora do Dorothy Chandler Pavillon  (Reprodução)

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