Está dada a largada para Cannes 2017! Enquanto boa parte do mundo já celebrava o feriadão de Páscoa, o colossal cine UGC Normandie, localizado na não menos monumental avenue des Champs-Elysées, foi o palco neste para o ato que marcou a abertura da edição anual do maior e mais importante evento cinematográfico do mundo: a coletiva para quase 900 jornalistas em que Thierry Frémaux e Pierre Lescure, respectivamente Delegado Geral e Presidente do Festival de Cannes, anunciaram a Seleção Oficial de filmes das principais mostras competitivas, como a Competição principal – cujo icônico ritual é a “montée des marches” (subida da escadaria) do Palácio dos Festivais, Un Certain Regard – dedicada a obras com propostas mais “singulares” -, as sessões de filmes “hors compétition” (fora de competição), as sessões especiais e as sessões de “minuit” (meia-noite), além da seleção de curtas-metragens e da Cinéfondation, esta voltada para a produção de jovens universitários estudantes de cinema.

A mais de um mês da sua abertura, o Festival de Cannes já desperta uma polêmica que atinge em cheio sua mais badalada peça promocional: o cartaz que retrata Claudia Cardinale dançando numa cobertura de Roma, no final dos anos 1950, no auge da dolce vita da capital italiana. Os criadores da peça foram criticados por afinarem desnecessariamente a cintura da estrela, então no auge da beleza (Foto: Reprodução)

Thierry Frémaux, Delegado Geral, e Pierre Lescure, Presidente do Festival de Cannes, anunciam a Seleção Oficial da 70ª edição do maior evento cinematográfico mundial, em Paris, na última quinta-feira (Foto: Reprodução)

CANNES: A SEPTUAGENÁRIA COM CORPINHO DE 20 ANOS

 O comercial televisivo dos 70 anos do Festival de Cannes não explorou o seu passado de glórias. No competitivo mundo dos festivais, a opção foi marcar a supremacia como a maior e a mais trepidante mostra planetária do audiovisual contemporâneo. De eterno, só mesmo a escadaria – a passarela das estrelas. Confira:

Entre os 19 longas-metragens selecionados para a Competição principal, constata-se, como é sempre o caso de Cannes, a hegemonia de obras de diretores europeus, alguns com mais de uma ou várias passagens pela Croisette, como o austríaco Michael Haneke, o russo Andrey Zvyagintsev, os franceses Michel Hazanavicius (o diretor de O Artista”, vencedor do Oscar 2012), Jacques Doillon e François Ozon; o grego Yorgos Lanthimos e o turco-alemão Fatih Akin. Mas há outros habitués do festival fora da órbita européia também presentes nesta edição – os chamados “queridinhos” do festival – como Todd Haynes, a japonesa Naomi Kawase, o coreano obcecado pela Nouvelle Vague Hong Sang-soo, a americana Sofia Coppola e o escocês Lynne Ramsay.

Pedro Almodóvar substituirá George Miller na presidência do Júri da Seleção Competitiva. Neste ano tão especial em que o festival chega à sua 70ª, a escolha do cineasta espanhol não deixa de significar uma honra suplementar para o diretor que apresentou “Julieta” na edição passada (Foto: Reprodução)

Ainda assim, os organizadores do festival nunca se esquecem de separar em cada safra anual de filmes da mostra Un certain regard alguns lugares para os “newcomers”. Alguns desses novatos do evento estão chegando – inclusive – com seus primeiros longas-metragens debaixo do braço, como os jovens cineastas da Argentina, Romênia, Argélia, França, Estados Unidos e Itália, muitos deles, mulheres. Todos são virtuais candidatos ao cobiçado prêmio Caméra d’Or que recompensa “o melhor primeiro filme” apresentado na Seleção Oficial, na Quinzena dos Realizadores e na Semana da Crítica.

Com a exceção do argentino “La novia del desierto” e do mexicano “Las hijas de abril”, a América Latina está praticamente quase alijada das sessões competitivas importantes. “Vazio do lado de fora” de Eduardo Brandão Pinto, realizado quando era aluno da UFF, acabou destacando-se como um solitário representante do continente ao lado do argentino “Pequeño manifiesto en contra del cine solemne” de Roberto Porta, selecionados na mostra Cinéfondation. Em 22 minutos, a obra do brasileiro narra a desmantelamento da Vila do Autódromo durante as obras para a Olimpíada do Rio (Foto: Reprodução)

AS ESTRELAS ESPERADAS NO RED CARPET

Cannes sempre procurou se opor ideologicamente ao prêmio Oscar da Academia de Hollywood na sua pretensão de ser a meca da diversidade criativa audiovisual. Entretanto, são as personalidades mais brilhantes do star system hollywoodiano que atraem os olhos do mundo para a Croisette durante 12 dias. Este ano, o tapis rouge vai receber uma turma estelar da pesada:

Quem tem star power para ameaçar a supremacia de Isabelle Huppert em Cannes este ano é Nicole Kidman que vem dirigindo um rolo compressor de quatro interpretações diferentes na mesma edição: o costume picture “O estranho que nós amamos”, o drama “The killing of a sacred deer” – ambas as obras em competição e ao lado de Colin Farrell -, e mais duas em mostras paralelas (Foto: Divulgação)

Além de Kidman e Colin Farrell, “O estranho que nós amamos” ainda conta com duas grandes estrelas, Kirsten Dunst e Elle Fanning que multiplicarão o número de cliques das hordas de fotógrafos que se acotovelarão no Palácio dos Festivais (Foto: Divulgação)

Colin Farrell é o peixão disputado a tapas pelas “belles” sulistas em “O estranho que nós amamos”, no papel que já foi de Clint Eastwood na versão de 1971. Farrell ainda subirá os degraus do Palácio para apresentar outro filme que protagoniza: “The killing of a sacred deer” do grego Yorgos Lanthimos, o mesmo diretor de “The lobster” que encantou Cannes em 2015, também estrelado por Farrell (Foto: Divulgação)

Será que a beleza e o talento de Diane Kruger, protagonista de “Aus dem Nichts“, serão suficientes para transformar a Alemanha numa séria candidata à Palma de Ouro, após 30 anos sem levar o prêmio máximo de Cannes? (Foto: Divulgação)

O belo com jeitinho de dândi pós-moderno Robert Pattinson é esperado no tapete vermelho para promover “Good time” dos irmãos Ben e Joshua Safdie em que atua no papel de um ladrão de banco (Foto: Divulgação)

Que os fãs de Julianne Moore se preparem: ela estará quase irreconhecível em “Wonderstruck”, o mais novo drama com pegada retrô de Todd Haynes em competição pela Palma de Ouro que, na edição de 2015, quase foi amealhada pelo mesmo diretor com “Carol” e outra diva, Cate Blanchett (Foto: Divulgação)

E por falar em mulheres talentosas, a grande disputa em Cannes este ano vai acontecer mesmo no universo estelar onde imperam Isabelle Huppert e Nicole Kidman. Ambas disputam a supremacia da atenção global com filmes de peso. A primeira tem a vantagem de ser francesa, num evento algumas vezes acusado de xenófobo, e de entrar na disputa com uma obra de um diretor premiadérrimo em Cannes – Michael Haneke. É bom lembrar que o austríaco já conquistou a Palma de Ouro em 2009 por A fita branca e em 2012 por Amor”, além de Melhor Diretor, em 2005, por Caché”, e o Grande Prêmio do Júri por A professora de piano em 2001. Nesta sua sétima participação em Cannes, Haneke desembarca como favorito com Happy end”, um dos filmes representantes da França, estrelado pela Huppert e Jean-Louis Trintignant – a mesma dupla de pai e filha que arrebatou a todos em “Amor” – e que toca no mega explosivo tema da crise migratória européia. De quebra, Isabelle Huppert ainda apresentará Clair’s camera”, drama rodado nos bastidores do Festival de Cannes do ano passado e dirigido pelo seu devotado diretor sul-coreano Hong Sang-soo, que também concorre à Palma de Ouro com Geu-Hu.

A diva Isabelle Huppert certamente repetirá o ritual de subir as escadarias do Palácio dos Festivais acompanhada dos seus parceiros do antológico “Amor” (2012), o diretor austríaco Michael Haneke e o veteraníssimo Jean-Louis Trintignant para apresentar “Happy end” (Foto: Reprodução)

Mesmo com todo esse calibre, La Huppert encontra em Nicole Kidman uma perigosa oponente que não só apresenta armas de qualidade como também em quantidade. Desta vez, La Kidman extrapolou e vai gastar muito o saltinho-agulha em Cannes, pois ela não apenas protagoniza dois esperados filmes da Competição principal – O estranho que nós amamosde Sofia Coppola e The killing of a sacred deer do badalado diretor húngaro Yorgos Lanthimos – como também aparece na inusitada mistura de comédia com ficção-científica How to talk to girls at parties dirigida por John Cameron Mitchell, além da série televisiva Top of the lake da dupla Jane Campion, diretora já laureada com a Palma de Ouro por O piano (1993) (lembram-se?) e Ariel Kleiman.

Uma ruiva contra uma loura: o mar azul de Cannes e as areias branquíssimas de Cannes certamente nunca presenciaram um duelo como esse. Quem vencerá?

“O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS”: UM TRATOR DE HOLLYWOOD NA PRAIA DE CANNES

A cada edição do Festival De Cannes, Hollywood emplaca um “filmão” na principal mostra competitiva com astros de primeira linha. Este ano, cabe a Sofia Coppola defender o sistema de produção da Meca do Cinema com este caprichado drama gótico, refilmagem do clássico de Don Siegel, de 1971, com Clint Eastwood e Geraldine Page. Confira o trailer (Divulgação):

“L’amant double”, com Jérémie Renier e Marine Vacth, é a esperada última obra de François Ozon que remete ao clima erótico de “Jovem e bela” (2013), do mesmo diretor. Também confira o trailer, abaixo (Foto: Divulgação)

 

Conheça agora a lista completa das principais mostras competitivas do Festival de Cannes 2017:

Competidores da Seleção Oficial:

Les fantômes d’Ismael, de Arnaud Desplechin (filme de abertura), França

The Meyerowitz stories, de Noah Baumbach, Estados Unidos

Aus dem Nichts, de Fatih Akin, Alemanha/França

Okja, de Bong Joon-ho, Coreia do Sul/Estados Unidos

120 battements par minute, de Robin Campillo, França

The Beguiled (O estranho que nós amamos), de Sofia Coppola, Estados Unidos

Rodin, de Jacques Doillon, França/Bélgica

Happy end, de Michael Haneke, França/Alemanha/Áustria

Wonderstruck, de Todd Haynes, Estados Unidos

Le redoutable, de Michel Hazanavicius, França

Geu-hu (The day after), de Hong Sang-soo, Coreia do Sul

Hikari (Vers la lumière), de Naomi Kawase, Japão/França

The killing of a sacred deer, de Yorgos Lanthimos, Reino Unido/Irlanda/Estados Unidos

A gentle creature (Une femme douce), de Serge Loznitsa, França/Holanda/Alemanha/Lituânia

Falesleges ember (Jupiter’s moon), de Kornél Mundruczó, Hungria/Alemanha

L’amant double, de François Ozon, França/Bélgica

You were never really here, de Lynne Ramsay, Reino Unido/França

Good Time, de Benny & Josh Safdie, Estados Unidos

Nelyubov (Loveless), de Andrey Zvyagintsev, Rússia/França/Bélgica/Alemanha

Fora de Competição (Hors Compétion):

How to talk to girls at parties, de John Cameron Mitchell, Reino Unido/Estados Unidos

Mugen no jünin (Blade of the immortal), de Takashi Miike, Japão

Visages, villages – Agnès Varda, JR (France)

Sessões Especiais (Séances Spéciales):

An inconvenient sequel, de Bonni Cohen, John Shenk, Estados Unidos

12 Jours, de Raymond Depardon, França

They, de Anahita Ghazvinizadeh (1º filme)

Promised land, de Eugene Jarecki, Estados Unidos

Napalm, de Claude Lanzmann, França

Sea sorrow, de Vanessa Redgrave, Reino Unido, 1º filme

Demons in paradise, de Jude Ratman, Sri Lanka/França

Claire’s camera (Keul-le-eo-ui ka-me-la), de Hong Sang-soo, França/Coreia do Sul

Sessões 70º Aniversário/Événements 70ème Anniversaire:

Top of the lake: China Girl, de Jane Campion, Ariel Kleiman (série televisiva)

Carne y arena, de Alejandro González Iñárritu, instalação de realidade virtual

Twin Peaks, de David Lynch (série televisiva)

24 frames, Abbas Kiarostami

Come swim, de Kristen Stewart (curta-metragem)

Sessões da Meia Noite (Séances de Minuit):

The villainess (Ak-nyeo) de Jung Byung-Gil

The merciless (Bulhandang), de Byun Sung-Hyun

A prayer before dawn, de Jean-Stéphane Sauvaire, Reino Unido/França

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