Se existe um tripé criativo-industrial em termos de cinematografia ao longo da história, a Itália – sem dúvida – seria um desses pilares, ao lado da França e dos Estados Unidos. Desde os primórdios do cinema, umas plêiade de diretores, atores, técnicos e artesãos italianos impuseram novas formas, linguagens e estilos à Sétima Arte. E ao longo dessa trajetória, um momento preciso do século XX é inevitavelmente lembrado como o apogeu do Made in Italy: os revolucionários anos 1960-1970, quando nomes como Fellini, Visconti, Rossellini, Pasolini, BertolocciBolognini, Germi, De SicaTaviani, Olmi – entre tantos outros – e gêneros como o épico de “espada e sandália”, o western spaghetti, a comédia erótica, o giallo, o thriller policial e os melodramas de época italianos invadiram as telas do mundo inteiro, chegando a ameaçar a própria hegemonia de Hollywood, então em crise.

Pois bem, para sorte dos nostálgicos dessa era de ouro e dos cinéfilos em geral, chega ao Brasil mais uma edição do 8 ¹/² Festa do Cinema Italianoque tem como objetivo atualizar minimamente o público brasileiro com a produção mais recente mainstream peninsular. Talvez o aspecto mais significativo dessa mostra seja o de fixar no imaginário do público de cinema brasileiro que o cinema italiano continua inventivo e coerente com as suas veneráveis tradições e que o famoso surto do início do milênio, que revelou nomes como Paolo Sorrentino (A grande beleza“, “Juventude“), Matteo Garrone (“Gomorra“) ou Luca Guadagnino (“Um sonho de amor“) não arrefeceu e continua gerando novos e saborosos frutos .

O “8 ¹/² Festa do Cinema Italiano” nasceu em Lisboa em 2008. Esta décima edição, que acontece entre 31 de agosto e 6 de setembro, traz ao Brasil sete filmes da safra cinematográfica italiana mais recente e inéditos por aqui. Oito capitais serão contempladas simultaneamente com a mostra: Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. Esse ano, o cartaz foi criado por uma lenda das HQs europeias – Milo Manara -, que se inspirou no poster de “Cidade das Mulheres”, do Fellini (Foto: Divulgação)

MÁFIA E SICÍLIA IMPERAM NOS DOIS DESTAQUES DA MOSTRA

A linha de frente da edição 2017 da festa do cinema italiano é formada por dois títulos que exploram a onipresença da máfia na vida siciliana de forma completamente diferente: “O fantasma da Sicília” (2017), a sinistra e estilosa fábula da dupla Fabio Grassadonia e Antonio Piazza –  primeira obra italiana a abrir a Semana da Crítica do último Festival de Cannes -, e a comédia político-romântica de sabor popular “Em guerra por amor” (2016), dirigida e interpretada pelo conhecido humorista PIF (Pierfrancesco Diliberto). 

Em “O fantasma da Sicília”, os carismáticos Julia Jedlikowska e Gaetano Fernandez vivem, respectivamente, os personagens de Luna e Giuseppe, este último baseado na história real de Giuseppe Di Matteo que em 1993 foi sequestrado pela máfia, permanecendo desaparecido por 779 dias (Foto: Divulgação)

A atmosfera intrigante e onírica de “O fantasma da Sicilia” bebe da fonte do universo bizarro de David Lynch e dos contos de fadas góticos, excepcionalmente trabalhada pelas lentes do fotógrafo Luca Bigazzi (Foto: Divulgação)

Confira abaixo o trailer de “O fantasma da Sicilia”  (Divulgação): 

Pif, o diretor e intérprete de “Em guerra por amor”, aproveitou ao máximo as espetaculares paisagens da costa siciliana, cenário de centenas de invasões ao longo dos séculos (Foto: Reprodução)

Uma das cenas mais divertidas de “Em guerra por amor” é a “briga das estátuas”: sob bombardeio, quem tem a precedência para chegar ao refúgio anti-aéreo, Mussolini ou a santa? (Foto: Reprodução)

“Em guerra por amor”, que mereceu sessão especial no Festival de Gramado, encerrado no último sábado (26/08), como parte da Mostra País Convidado, é um verdadeiro compêndio da iconografia da Segunda Guerra Mundial na Itália. A célebre imagem do fotojornalista Frank Capa, captada em 1943, durante a invasão americana da Sicília, é ostensivamente homenageada no filme de Pif (Foto: Reprodução)

Confira abaixo o trailer de “Em guerra por amor”  (Divulgação): 

COMÉDIA: A SABOROSA ESPECIALIDADE ITALIANA

Além dos destaques “O fantasma da Sicília” e “Em guerra por amor”, a mostra cinematográfica italiana oferece mais cinco filmes. Todos exploram o insuperável talento peninsular para a comédia nos seus mais variados registros. Um talento que parece ter passado de pai para filhas. Descubra abaixo o porquê:

A comédia romântica “Algo de novo” (2016) é uma celebração all’italiana do empoderamento cinematográfico da mulher. A diretora Cristina Comencini – filha do grande mestre da comédia Luigi Comencini (1916-2007) uniu-se à atriz Paola Cortellesi para escrever o roteiro, que ainda contou com talentos femininos na edição, no casting, nos figurinos e nos desenhos de produção. Tudo para narrar as peripécias amorosas de duas amigas tão diferentes como unidas (Foto: Divulgação)

“Histórias de amor que não pertencem a este mundo” (2017) da diretora Francesca Comencini – também filha de Luigi Comencini – chega às telas brasileiras depois de exibido no Festival de Locarno deste ano. É mais uma comédia cujo roteiro investe nas vicissitudes amorosas da mulher contemporânea (Foto: Divulgação)

“Paro quando quero – Masterclasss” (2017), de Sydney Sibilia, é a continuação do sucesso de público e crítica “Paro quando quero” (2014). Desta vez, a quadrilha de fabricantes de drogas sintéticas de Edoardo Leo (Pietro Zinni) está presa, mas um detetive os arregimenta para ajudar a polícia no combate ao tráfico. Parece thriller policial, mas é uma comédia rasgada que já caminha para a terceira sequência (Foto: Divulgação)

“Deixa rolar” (2017), de Francesco Amato, estreou em abril na Itália arrebatando vários prêmios cinematográficos locais no gênero comédia. Uma das garantias de boa diversão é a participação de Toni Servillo, o astro de “A grande beleza”, de Paolo Sorrentino, no papel de um psicanalista sedentário que se mete em apuros ao contratar uma personal trainer meio doida (Foto: Divulgação)

Dirigida e interpretada pela dupla de humoristas Salvatore Ficarra e Valentino Picone, “A hora oficial” (2017) é mais uma comédia ambientada na Sicília que satiriza a corrupção política e administrativa italiana que nada deixa a desejar à brasileira. O filme recebeu o Nastro de Ouro (o “Oscar italiano”) de ‘Melhor Comédia’ de 2017 (Foto: Divulgação)

PROGRAMAÇÃO COMPLETA do 8 ¹/² FESTA DO CINEMA ITALIANO:

31/8 Quinta-feira

19h  ALGO DE NOVO (Qualcosa di nuovo)

21h30  EM GUERRA POR AMOR (In guerra per amore)

1/9 Sexta-feira

19h PARO QUANDO QUERO – MASTERCLASS (Smetto quando voglio -Masterclass)

21h30 O FANTASMA DA SICÍLIA (Sicilian ghost story)

2/9 Sábado

19h HISTÓRIAS DE AMOR QUE NÃO PERTENCEM A ESTE MUNDO (Amori che non sanno stare al mondo)

21h30 A HORA OFICIAL (L’ora legale)

3/9 Domingo

19h DEIXA ROLAR (Lasciati andare)

21h30 ALGO DE NOVO

4/9 Segunda-feira

19h O FANTASMA DA SICÍLIA

21h30 PARO QUANDO QUERO – MASTERCLASS

5/9 Terça-feira

19h EM GUERRA POR AMOR

21h30 HISTÓRIAS DE AMOR QUE NÃO PERTENCEM A ESTE MUNDO

6/9 Quarta-feira

19h A HORA OFICIAL

21h30 DEIXA ROLAR

Serviço:

Ingressos:

Preço único para todas as sessões do festival: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (Meia/Estudante)

Pode-se, também, adquirir os ingressos nas bilheterias dos cinemas ou nos websites:

www.itaucinemas.com.br

www.festadocinemaitaliano.com.br

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