Fábio Santanna é vinho bom, do tipo que não é de garrafão. Quem conhece o refinado trabalho musical do moço, sabe o quanto seu tanino sonoro se sofistica com o tempo, sem se oxidar desde a década passada, quando conquistou os cariocas com suas mixagens lounge em noitadas como a do Atlântico. De fato, o compositor, arranjador e produtor musical tem mesmo aquele groove.

Exemplo disso são os sets que anda fazendo às quintas-feiras no T.T.Burger, no Leblon e na Olegário Maciel, onde envereda de Sade a Pink Floyd da maneira mais cool. Agora, ele sai de uma possível zona de conforto e lança seu primeiro álbum, Live Motel“, no qual ele compõe e toca todos os instrumentos, como uma espécie de Woody Allen, conhecido por jogar nas onze – roteirizando, dirigindo, produzindo, atuando e quiçá chupando cana. É ele quem conta: “Amo o pop, adoro passear pelos gêneros sem preconceito. Contudo, o percurso é coerente, não pode ser sambinha do crioulo doido, nem haver segmentação”.

Fabio Santanna CAPA Live Motel

Música emocional com levada eighites: depois de duas décadas de carreira, DJ, produtor e compositor Fabio Santanna lança seu primeiro álbum, “Live Motel”. O artista começou nos anos noventa na Banda Bel, ao lado de Toni Garrido (Foto: Divulgação)

Como se não bastasse, Fábio é um dos DJs convidados para a inauguração, nesta sexta (15/7) a partir das 18h, da super loja que a Adidas Originals abre na Garcia D’Ávila, em Ipanema, ao lado outros talentos como Pedro Piu e Cix&Yasmin. Vale a conferida, pois será a primeira apresentação ao vivo do repertório de “Live Motel”.

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Adidas Originals: marca esportiva aterrissa no Rio nesta sexta-feira (15/7), em flagship bacana em Ipanema, apresentando novas linhas com parceiros como a Farm, tudo embalado pelo som na caixa de Fabio Santanna, Pedro Piu e Cix&Yasmin (Foto: Reprodução)

Neste trabalho independente, de gravações feitas em 2015 majoritariamente no seu estúdio Na nave, Fabinho flerta com a música eletrônica na vibe daquela disco da viradinha dos eighites que logo desembocaria no New Wave. Aquela mesma, da época em que Debbie Harry mostrava à turma que, em breve, haveria vida musical pop dançante além do Studio 54 e quando Giorgio Moroder já envenenava nos sintetizadores com trilhas sonoras que são o suprassumo kitsch, tipo “A história sem fim” e “Flashdance; em ritmo de embalo”.

Fabio Santanna

Do gigolô Gere à dança sensual com banho de balde: neste primeiro álbum, Fabio Santanna se esbalda com a sonoridade do papa da música no cinema Giorgio Moroder, autor de trilhas de sucessos como “American Gigolo” e “Flashdance” (Foto: Divulgação)

Conhecido como o “Pai do Disco” e produtor responsável pelo mega hit “I Fell love“, de Donna Summer, o italiano dos Alpes radicado nos EUA Hansjörg Moroder (seu nome da batismo) é o nome por trás daqueles avassaladores soundtracks que abriram espaço para o que futuramente se tornaria a dance music eletrônica. Com 95 trilhas só no cinema (até agora), o atual setentão era o cara! Além das pistas dos clubes, arrasava em longas que catapultaram as carreiras de uma geração de astros, como Richard Gere (“Gigolô Americano”, 1980), Nastassja Kinski (“A marca da pantera”, 1982), Michelle Pfeiffer (“Scarface, 1983″), Jennifer Beals (“Flashsdance”, 1983) e Tom Cruise (“Top Gun”, 1986).

Em 1984, Giorgio Moroder sonorizou o clássico “Metrópolis”, de Fritz Lang, pérola do cinema mudo expressionista alemão. Confira um trecho abaixo (Reprodução):  

Barroco & Esquisitão! Veja abaixo Giorgio Moroder em dois tempos: 

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Na virada dos anos 1970/80, Giorgio Moroder comandava a festa com hits que introduziam a sonoridade artificial dos sintetizadores em cima doa acordes disco. No visual, o bigodão à la Robin Williams garantia seu ingresso na estética pop da época (Foto: Reprodução)

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Futuro do pretérito: um hoje nada vestusto senhor de 76 anos, o maestro, produtor musical e compositor Giorgio Moroder continua encantando as novas gerações com seu pop dançante, divando em fotos ao lado de criaturas cibernéticas  neo disco (Foto: Reprodução)

Não à toa, o maestro é inspiração para Fábio Santanna, ainda que tenha andado fora de moda por um bom tempo. “Gosto dessa coisa contar uma história com a música, sou do tempo do videocassete, da era da música emocional. Moroder tem isso!”, revela o DJ. “Agora mesmo: ainda não vi o remake de ‘Caça-fantasmas’ (que estreou nos cinemas nessa quinta), mas, se tiverem mantido a música original, não é necessário fazer nada, só tocar o disco”, destaca, citando Ghostbusters“, de Ray Parker Jr., como exemplo dessa “sonoridade afetiva” à qual se refere.

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Com Melissa MacCarthy (segunda à esquerda) à frente do elenco, nova versão female power de “Caça-fantasmas” entra em cartaz nos cinemas neste final de semana, erradicando o mau-humor e evocando a música de Ray Parker Jr., a qual, segundo Fabio Santanna, “traz o tipo de som que embala narrando história” (Foto: Divulgação)

Neste “Live Motel” repleto de beats bacanas, ambiências, guitarras e vocais, Fábio convida o ouvinte a uma viagem temporal que percorre a disco e a música dos anos 1980 numa levada que traz um sabor do cinemão: além de referências em Prince, Metronomy e o próprio Moroder – com “Gigolô Americano” – ele vai do queridinho dos cinéfilos Drive“, premiado em Cannes em 2011, ao sci-fi Tron“. Sucesso óbvio. Afinal, como não amar uma imersão de Fabinho sobre a música do Daft Punk?

Fabio Santanna 2

Gato-garoto: após duas décadas de estrada, Fábio Santanna continua no auge musical: “Frescor e ‘deixar rolar’ são duas coisas que não podem engessar o set” (Foto: Divulgação)

“Sou da turma das antigas, que acredita que bom set é som na caixa, apertar o botão e deixar rolar a playlist. Para mim, degustar a música é afeto, não precisa ser pirotécnico, só ter frescor. É importante flanar pelas sonoridades, mantendo o suingue sendo pop sem medo, contando história na pista. O DJ deve seduzir”, entrega, com ares de Casanova das picapes. “Nas dez faixas do álbum, rola um mergulho no universo funky, num modo antigo de se escutar música. Aliás, sedução no housemix é isso: fazer a melodia ser o fio condutor daquilo que vai rolar…”.

Fabio Santanna frame Live Motel

Tipo “Xanadu”: imagens com letterings oitentistas dão expediente no clipe da música de trabalho homônima de “Live Motel”, produção independente de Fábio Santanna cujo clipe traz com direção de Neno e outro Fábio, o Nogueira (Foto: Divulgação)

Confira abaixo o “lyric-vídeo gráfico” (segundo Fábio) da faixa-título, “Live Motel”, com vocais femininos. O artista convocou a dupla de diretores cariocas Neno e Fábio Nogueira para criar os grafismos, que enveredam por uma estética que mescla os anos 1970 e 80 e que traz padronagens e texturas marcantes, com pesquisa visual que embarca no visual kitsch bacanudo de filmes como filmes “Embalos de sábado a noite”, “Xanadu” e “Grease” (Divulgação):    

Confira abaixo a atmosfera abravanada do clipe de “I’m Alive”, clássico de “Xanadu” (1980), musical cinematográfico estrelado por Olivia Newton John, Michael Beck e Gene Kelly, que inspira o videografismo de “Live Motel” e é a síntese da era “disco com sintetizador”. Praticamente ao mesmo tempo, grupos como Kraftwerk e Devo já experimentavam as bases daquilo que depois desembocaria na música eletrônica (Reprodução):

O disco já está disponível em todas as plataformas de streaming digital.

Spotify / Deezer

Ficha Técnica

“Live Motel”

Participação especial Luisa Moura (voz em “Live Motel”e “I’m Alive”)

Mixagem e masterização Lennox Hortale

Produção Geral Luisa Moura

Produção Executiva A Ponte Produções

Fotos Camilla Maia

Projeto Gráfico Adriano Motta

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