Sereia. Nereida. Mãe d’água. Yara. Yemanjá. Mami Wata. Esse ser mitológico – metade mulher, metade peixe – faz parte da imaginação desde que o mundo é mundo, quando os homens começaram a desbravar águas desconhecidas, doces na foz dos rios ou salgadas como o mar profundo. Em busca dessa encantadora fêmea com cauda de golfinho, ÁS circulou num AquaRio aberto excepcionalmente para abrigar peixes graúdos do mundinho da moda nesta semana, por conta do Elle Fashion Preview. A pergunta só poderia ser uma: qual sereia é essencial no seu aquário particular? O povo respondeu, é claro. Ainda que, vez por outra, a preferência pudesse recair sobre tubarões. Ou até tubarões-sereia, como muito bem definiu Marina Lima há décadas. Confira!

Editor do site Lilian Pacce, Jorge Wakabara vê longe com seus olhos puxados de japa. Ele manda na lata: “Tetê Espíndola“, se dizendo encantado com o canto dessa sereia da MPB, cuja melosa voz de Ariel parece ter sido escrita nas estrelas.

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No AquaRio, Jorge Wakabara não resiste àquela cantoria vindo de todos os lados: da proa, da popa, de bombordo, estibordo… Uy! (Foto: Thiago Bruno para Ás na Manga)

Com suas curvas voluptuosas de mãe loura das águas, Monique Alfradique apela para cardumes: “Quero muita sereia, muitos tubarões, de todos os tipos: branco, martelo, tubarão cabeça-chata, cação-limão!”. Calma, amor, vai…

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Monique Alfradique é do tipo que conhece mais variantes de tubarão que o oceanógrafo Lawrence Wahba. Mas, em terra firme… (Foto: Thiago Bruno para Ás na Manga)

Espécie de Osama Bin Laden LGBT, o consultor de varejo de moda Beto Silva curte sua fase atual, com barba de Netuno, mas com maxi print de Felipe Veloso. Acostumado a ir do luxo ao lixo naquela verve bem praiana de quem transita no high-low, ele sabe que ser carioca é isso: mergulhar nas águas translúcidas de Mustique para, na semana seguinte, pegar a barca da cantareira sobre uma Baía de Guanabara coberta de dejetos afim de traçar uma manjubinha esperta do outro lado da poça. Ele não se faz de rogado: “Minha sereia é uma sardinha frita. Amo”. Já a cara-metade Claudio Cadeco Pinto prefere ser generoso com as amigas: “Minha sereia é Rosana Braga“.

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Enquanto Beto Silva não dispensa um bom gurjão, Claudio Cadeco Pinto idolatra sereias amigas da gema (Foto: Thiago Bruno para Ás na Manga)

Decorador com sorriso de menino do Rio que provoca arrepio, Luiz Fernando Grabowsky é outro que de uns tempos para cá anda envergando uma barba de soberano dos mares. Ele se recusa a considerar a hipótese de ter uma sereia no seu pedacinho de mar private e dá a tônica, quantificando sem especificar: “Quero muitos tubarões, a granel…”.

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No AquaRio, Luiz Fernando Grabowsky confessa ter a verve de golfinho que circunda cardumes de atum (Foto: Thiago Bruno para Ás na Manga)

Raríssimo tipo de sereia d’alma, Luiza Brunet nasceu em terra que o mar não lambe (Mato Grosso), mas adora a orla. É aquela que aposta na máxima de que um dia o sertão vai virar mar: “No meu aquário não precisa ter sereia, tem que ter muita água. Isso sim!”.

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Luiza Brunet é a própria sereia: para ela basta água. Termal, se preferência… (Foto: Thiago Bruno para Ás na Manga)

Possivelmente, ÁS desconfia que Patrick Döering encontrou Thomaz Azulay dentro de uma concha gigante que se abriu como num quadro de Botticelli. Ou quem sabe não foi o inverso, já que a dupla da The Paradise é afinadíssima? Ao lado de Thomaz, é Pat quem dá a dica: “No nosso aquário não rola sereia, só tritão”.

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Ao lado de Thomaz Azulay (esq.), Patrick Döering (dir.) enverga aquele branco Yemanjá para assumir, em seguida, que aquário que se preza tem que ter tubarão (Foto: Thiago Bruno para Ás na Manga)

Animadíssimos como se estivessem num rega-bofe na Fenda do Biquíni promovido por Bob Esponja e sua turma, o booker da Joy Fernando Herbert e o editor de moda Lucas Boccalão são água e vinho: um é moreno como um mouro, o outro é tão ruivo quanto a pequena sereia. Mas, nos badalos, demonstram ser unha & carne, menos na hora de eleger sua sereia favorita. Enquanto Lucas vai no certeiro (“Ariel é tudo, meu bem”), Fê começa apostando no óbvio (“Gisele [Bündchen]”) para depois trocar de bússola: “Tem que ter Daryl Hannah“, tira do baú, lembrando que muito antes de ser presença cult em filmes de Tarantino, a estrela já dava expediente nas telas enfeitiçando um Tom Hanks novato em Splash, uma sereia em minha vida.

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Tête a tête: ambos naquele branco Vanish (ou seria Ariel?) de deixar Mãe D’Água feliz, Fernando Herbert (esq.) e Lucas Boccalão (dir.) divergem sobre a sereia perfeita. Mas de boa… (Foto: Thiago Bruno para Ás na Manga)

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Daryl Hannah em “Splash” (1984): sem nada entre as pernas para poder chamar de seu, a atriz personificada como sereia – então no início de carreira- soube como ninguém revelar ao mundo o porquê da flisseta de uma mulher-peixe querer tanto duas pernas (Foto: Reprodução)

Outra turma mais unida que irmãos siameses é o assessor de imprensa Wiled Silveira e a RP Lalá Guimarães. No seu aquário não tem espaço para pirata aventureiro, nem para moreia de língua saliente. Os dois não toleram essas coisas. De tão amigos, se autohomenageiam: “Lalá é a minha sereia”, revela o rapaz. Ela, por sua vez, não se faz de rogada: “Wiled sempre será meu peixão!”.

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Sereia de fora não entra! O assessor de imprensa Wiled Silveira e a promoter Lalá Guimárães fazem aquela linha “dupla que se basta no próprio aquário” (Foto: Thiago Bruno para Ás na Manga)

O aquário de Sérgio Mattos é climatizado na temperatura fixa de 40º. Tipo águas calientes dos Mares do Sul, capazes de fritar. Eclético, ele aposta na top negra Mahany Pery como um raríssimo misto de sereia com black goddess. Mas, verborrágico, não para por aí: “E sereio, serve? Meu tritão é Caian Zattar“, dispara para completar em seguida: “Só não rola baiacu, hein, power?”.

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Entre suas muchachas no backstage do Elle Fashion Preview, Sergio Mattos aposta no sereismo de Mahny Perry (à direita) e na tritonice de Caian Zattar (Foto: Reprodução)

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Caian Zattar: sereio pop na lista e na mira de Sergio Mattos (Foto:Reprodução)

Arlindo Gründ é seletivo até fora do programa. O moço não admite jamais em seu aquário mulherão que não saiba segurar um “bom longo cauda de sereia. Se vir uma perua apostando num arrasa-quarteirão desses sem ter cacife para tal, digo mesmo: “Vai rolar tempestade em alto-mar!”, vocifera.

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Sete Mares na beca! No piscinão de Arlindo Gründ só rola belezura que sabe segurar a onda do quê? De um bom longo cauda de sereia, honey! E se não souber, rola tsunami! (Foto: Thiago Bruno para Ás na Manga)

Do alto da maturidade, Ilka Soares continua linda. Atriz, modelo e símbolo sexual nos anos 1950/60/70/80 (ufa!), ela prova que o tempo pode ser generoso com uma mulher que já viu de tudo. Até o peixe-galo cantar. Por isso, na hora de apontar a sereia ideal, ela apela para um aquário vintage: “Qualquer certinha do Lalau”, se referindo aos mulherões de cinturinha de vespa e quadris avantajados que costumavam fazer parte da lista de beldades do escritor e colunista Stanislaw Ponte Preta, na qual ela Ilka figurou em 1958. Por sinal, quando foi recrutada para protagonizar um romance de carnaval com o galã Rock Hudson, então presente no Rio.

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Adepta do sereísmo desde os anos 1950, a diva Ilka Soares conhece como ninguém os segredinhos de um maiô sedutor. Encantou marujos de várias gerações! (Foto: Thiago Bruno para Ás na Manga)

A jornalista Lívia Breves faz parte daquela fornada que se fez na virada dos anos 2000, quando a Lapa e o forró foram reabilitados. Assim, a moça é eclética, o que justifica sua resposta pop: “No meu aquário tem que ter aquela peixona simpática de ‘Procurando Nemo‘, a que ganhou agora um desenho só dela. Qual é mesmo o nome? Ah, Dory!”, exulta com ares feminista, de quem talvez  considere sinal de empoderamento um cartoon solo de uma ex-coadjuvante.

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Repórter do ELA, Lívia Breves é habituê de um aquário feito para pimpolhos de todas as idades. Ao invés de sereia, o lance da moça são peixinhas estabanadas, do tipo que fala pelas guelras… (Foto: Thiago Bruno para Ás na Manga)

Inebriado entre arraias e delfins, Paulo Martinez acredita que nereida boa vem acompanhada de um par de agulhas: “Rei Kawakubo não pode faltar no meu aquário”, decreta, enquanto se prepara para lançar novo livro de moda em 2017: “Ainda não posso falar sobre qual é o assunto, mas a nova obra também vem pela Editora Lume, a mesma que lançou o meu Moda É F#%@“.

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Paulo Martinez curte um japonismo nada básico na ponta do anzol. Para o stylist que ama Maria Bethania, a presença da criadora da Comme des Garçons é suficiente para preencher um aquário fashion (Foto: Thiago Bruno para Ás na Manga)

Vilã pérfida em “Sol Nascente”, Maria Joana não aposta em sereia, mas em tubarão: “Namorado meu precisa estar na minha jacuzzi”, dá a deixa. “E que tipo de tubarão é o moço, amor?”, perguntamos. “Ah, tipo mestre dos mares: pode ser tubarão branco, cação-lixa, tubarão martelo. Só não vale cação-mangona.” Sei…

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Maria Joana curte ser má. De carteirinha. Tipo vilã da Disney. Tipo a polvona Ursula, de “A Pequena Sereia”. Mas só na ficção… (Foto: Thiago Bruno para Ás na Manga)

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