Ao pisar na casa, o cliente se sente como se estivesse entrado numa cápsula do tempo. Essa é a primeira sensação de quem embarca na onda nostálgica do Vinil Rio, bar aberto na Dias Ferreira, Leblon, que traz como atrativo as paredes cobertas por 140 capas de LPs e pôsteres de astros do pop. O mote principal do visual é a música, mas aquela de um recorte que evoca os anos 1970/80. Sobretudo os oitenta, o que pode agradar tanto a turma saudosista quanto os indies da geração millennial e até a garotada da Geração Z, que curte a pegada retrô.

Nas três tevês que decoram o lugar rolam e shows de artistas diversos. Por exemplo: quando ÁS foi conferir o local, uma apresentação do ABBA intercalava com clipes do A-HA, tipo Take on Me“, com um Morten Herket pré-maracujá de gaveta.

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Vinil Rio: ambiente evoca atmosfera “eighties”. A impressão que se tem é que Kim Basinger pode pular de um clipe direto para o colo do cliente (Foto: Rodrigo Azevedo / Divulgação)

Para quem tem mais de quarenta, a viagem é ótima porque lembra muito uma época logo após o primeiro  Rock in Rio, quando a Cidade Maravilha e o Brasil começavam a  despontar no contexto global como destino das turnês internacionais de artistas. Num país ainda sem MTV local, antes da TV a cabo e do celular – e bem distante da internet e mídias sociais –, clubes e bares como o Vinil eram as únicas opções para quem queria se sentir inserido no planeta. Boates como o Crepúsculo de Cubatão, danceterias como a Metrópolis (São Conrado) e bares como o Vertical, na Lagoa (onde hoje existe uma imobiliária, sic!), e Vaticano, Poção Mágica e Cochrane, todos em Botafogo, eram as pedidas para bebericar e conferir os últimos clipes. Sim, o Vinil Rio respira essa atmosfera.

Entre as gostosuras, sob consultoria da chef Joana Carvalho (Jojô Café Bistrô), vale a pena experimentar o cachorro quente de linguiça de cordeiro, com rúcula e queijo de cabra (R$ 39), um dos melhores da atual onda de hot dogs e hambúrgueres gourmet que atualmente tomam conta da urbe. É mara.

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Hot dog de linguiça de cordeiro com rúcula e queijo de cabra: Vinil Rio oferece quitutes honestos (Foto: Rodrigo Azevedo / Divulgação)

Super também valem a pena os rolinhos-primavera de brie com parma (R$ 39 – 5 unidades), mas o salmão gravlax servido com blinis e sour cream (R$ 49) ainda pode dar uma caprichada no corte e não precisa das raspas de limão.

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Irresistíveis: Rolinhos primavera de brie com presunto de parma no Vinil Rio (Foto: Rodrigo Azevedo / Divulgação)

Mas, e os drinques? Bom, ficam a cargo de dois chicanitos de responsa, daqueles que representam essa safra de hermanos bacanudos que andam se mudando para o Rio de mala e cuia nos últimos tempos. O colombiano Richard Tafur trabalhou nos melhores bares de Bogotá, uma cidade que hoje bomba, antes de vir para o Rio há três anos. E o argentino Martín Lafinur rodou pelos bares de Palermo, reduto moderninho da boa noite portenha, antes de desembarcar por aqui. No meio-tempo, passou pela Europa e um de seus pit stops foi uma temporada no Experimental Cocktail Club, em Paris.

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Richard Tafur (esq.) e Martín Lafinur (dir.): direto da América caliente para o calor carioca, os bartenders do Vinil Rio repaginam drinques clássicos ao sabor dos novos tempos (Foto: Rodrigo Azevedo / Divulgação)

A ideia dos rapazes é repaginar bebidinhas clássicas que, com o passar das décadas, acabaram virando arroz de festa em qualquer carta de bebidas, das uisquerias classudas aos inferninhos. “Gosto de modificar receitas. Percebi, por exemplo, que a tequila é uma bebida que pode dar um toque refrescante ao drinque e uma ótima pedida nos dias de calor aqui no Rio. Um exemplo disso é o First Patron Collins que é feito com Patron Silver e adiciono pepino, xarope, limão e soda, uma combinação suave e refrescante, perfeito para um dia de calor”, observa Martín.

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Pepino: First Patron Collins no Vinil Rio: (Foto: Rodrigo Azevedo / Divulgação)

Outro que passou por um botox etílico básico foi o velho conhecido Bloody Mary, que ganhou versão assinada do bar: óbvia homenagem ao U-2, o Sunday Bloody Sunday (R$ 37) traz suco de tomate assado, infusão de azeitonas pretas, limão siciliano, molho inglês e destilado à escolha do cliente. Já o batidérrimo Mojito se renova no Revolution Mojito (R$ 43): sai o rum e entra o gin Hendricks, grapefruit, hortelã, xarope e soda. A bebida pode também ser pedida com Bombay Sapphire (R$ 33). Fã confesso da bebida, Hemingway aprovaria, meu bem…

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Hendricks Sour Cream no Vinil Rio (Foto: Rodrigo Azevedo / Divulgação)

Nessa vibe da homenagem + reciclagem, rola até um  Like a Virgin! A Madonna’s Cocktail (R$31), com Grey Goose, romã, limão e cointreau com infusão de limão siciliano. “Quando soube que o bar teria uma identidade musical, pesquisei na internet e vi que a Madonna é fã de romã, então preparei um coquetel inspirado na rainha do pop. Peguei a base do Cosmopolitan e adaptei.”, conclui Martín.

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Quando 007 encontra Ernest Hemingway: Vinil Rio troca seis por meia dúzia no Revolution Mojito e substitui o rum por gin, destilado preferido do agente com licença para matar (Foto: Rodrigo Azevedo / Divulgação)

As bebidas são generosas e as possibilidades múltiplas. O Dry Martini, por exemplo, pode ser pedido em cinco versões diferentes de gin. Alguns drinques, contudo, ainda precisam passar por alguns ajustes para o gosto dos cariocas, podendo ser acrescidos de temperinhos para ficarem com um pouco mais de personalidade. Nada que os bartenders não resolvam num piscar de olhos. De preferência, numa piscada de cílios do Prince, Amy Winehouse ou de Kate Pierson, do B-52’s

Serviço:

Vinil Rio

Rua Dias Ferreira, 247B.

Telefone: (21) 3598-8714.

Horário: Seg a Quarta, das 18h à 01h. Quinta a sáb, das 18h às 02h.

Capacidade: 52 pessoas.

C.c: Amex, Visa e Mastercard.

Reserva até às 19h.

www.vinilrio.com.br

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