Não é só Deborah Colker quem anda conquistando o mundo trazendo para a arte questões contundentes acerca das populações carentes nordestinas. Exata uma semana após a artista arrebatar o prêmio de ‘Melhor Coreografia’ no Benois dela Danse, em Moscou (leia mais aqui) – com seu mais recente balé “Cão Sem Plumas“, que apresenta no palco o poema homônimo de João Cabral de Melo Neto –, agora é a vez do fotógrafo igualmente carioca Felipe Fittipaldi apresentar, a partir desta terça-feira (12/6) no Centro Cultural Justiça Federal, Rio, a expô Morada do Caboclo.

Expo de fotografias “Morada do Caboclo”, de Felipe Fittipaldi, está em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, no Rio (Foto: Divulgação)

Com curadoria de Marco Antonio Portela, a mostra oferece ao público 20 fotografias entre quadros e impressões em tecido, além de um filme/projeção, de um ensaio que desvenda o contexto atual das populações do semiárido baiano, neste último meio século, a partir de questões como o êxodo juvenil, o envelhecimento populacional de uma geração que pode representar o derradeiro foco da cultura tradicional local e o isolamento de seus membros talhados pelo trabalho árduo na terra, impossibilitados de incorporar novas práticas contemporâneas.

Expo de fotografias “Morada do Caboclo”, de Felipe Fittipaldi, está em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, no Rio (Foto: Divulgação)

“Foram duas viagens para garimpar as cenas e produzir as imagens, uma delas na companhia da arqueóloga Maria Beltrão. Literalmente uma viagem”, revela Fittipaldi, ressaltando aquilo que lhe deixou mais surpreso: “No meio daquela imensidão, daquele completo nada, percebi que eles podem viver melhor que nós. Ficava vendo aqueles senhores sentados na sua cadeirinha, debruçados diante de lugar nenhum e pensava na questão da solidão. Nós somos mais solitários que eles; se não recebermos ligação ou whatsapp numa noite de sexta qualquer, é o fim, a bandeira absoluta de que estamos sós. Para eles não. É outro universo…”

Expo de fotografias “Morada do Caboclo”, de Felipe Fittipaldi, está em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, no Rio (Foto: Divulgação)

Antes de chegar por aqui, as imagens viscerais de Fittipaldi conquistaram o mundo: a série foi premiada na Holanda pelo LensCulture Emerging Talents e chamou a atenção de Katerina Stathopoulou, curadora do MoMA, que selecionou, através do Life Framer Awards, uma das fotografias para exposições em galerias em Tóquio, Nova Iorque e Roma.

Expo de fotografias “Morada do Caboclo”, de Felipe Fittipaldi, está em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, no Rio (Foto: Divulgação)

Sim, Fitty – como o carioca criado no Leme é conhecido pelos amigos – é cascudo! El País, Editora Abril e National Geographic. ele já foi contemplado com prêmios nacionais e internacionais como Lens Culture,  Life Framer e POY Latam. Em 2018 foi selecionado pela World Press Photo Foundation – 6×6 Global Talent Program.

Expo de fotografias “Morada do Caboclo”, de Felipe Fittipaldi, está em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, no Rio (Foto: Divulgação)

Serviço

Exposição “Morada do caboclo”
Centro Cultural Justiça Federal
Av. Rio Branco 241 – Centro – Rio de Janeiro
Gabinete de Fotografia
De 13/6 a 5/8
Terça a domingo, das 12h às 19h

Apoio:
A Casa – Foto Arte

www.felipefittipaldi.com
https://www.instagram.com/felipe.fittipaldi/

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