Atual novela das 18h da Globo,Tempo de amar acaba de completar sua terceira semana no ar com bons números e a percepção geral da qualidade de produção. Segundo o Ibope, a atração estreou na Grande São Paulo, segundo o Ibope, com 26,5 pontos de média e 42% de participação, o maior em seis anos. Cada ponto equivale a 70.5 mil domicílios ligados. Os onze primeiros capítulos marcaram uma média de 24,5 pontos, superior aos 23 que o último fenômeno do horário – Êta, mundo bom! –, perfez no mesmo período. Apesar de o excesso de dramaticidade andar sendo criticado pelo público nas mídias sociais, a unanimidade em relação à plasticidade visual da trama é fato e, por isso, ÁS bateu aquele papo com o diretor da obra, Jayme Monjardim, sobre os rumos de uma boa narrativa na televisão de hoje. Confira.

O protagonista Bruno Cabrerizo atua em “Tempo de amar”, trama de época que leva a assinatura de Jayme Monjardim, que já esteve à frente de outras produções desse calibre, como “Terra Nostra” e “A Casa das Sete Mulheres”, mas que agora demonstra seu apogeu (Foto: TV GLobo / Divulgação)

Para o diretor Jayme Monjardim, “é uma bobagem dizer que se faz cinema na TV hoje em dia, como se não pudesse haver um produto de qualidade nessa mídia e a Sétima Arte fosse um parâmetro para qualidade. Isso não existe”, afirma (Foto: Anderson Pontes para Ás na Manga)

ÁS:  Jayme, muito se fala sobre hoje a qualidade da produção na telinha ser superior à do próprio cinema, sobretudo quando se compara a infantilização de Hollywood, ancorada hoje por filmes de super heróis e contos de fada live action, e o requinte de temas e tramas na televisão, em produções como “House of Cards”, “Feud”, “The Americans”, “American Crime” ou “American Horror Story”. Você é um diretor de TV que também transita pelo cinema. O que você acha disso?

Jayme Monjardim (JM): Olha, o importante sempre é contar uma boa história. O papel do diretor é esse, em qualquer que seja a mídia. As histórias precisam ser bem contadas, narradas, buriladas, e isso independe do meio, não tem nada a ver também com o  gênero da realização.

ÁS: A telinha hoje supera o telão?

JM: Não vejo dessa forma. O que existem são bons diretores e maus diretores, e o ponto de partida é o roteiro. É possível levantar até um roteiro mais ou menos, mas quando ele é bom, estimula o diretor, aliás, a equipe toda.

Em cena, Maria Vitória (Vitória Strada) entra em trabalho de parto, sob o olhar da freira (Bete Mendes). A tecnologia digital e a evolução da produção de arte têm colaborado na percepção do público de que a dramaturgia na televisão brasileira andam acompanhando o boom da norte-americana (Foto: João Miguel Jr. / TV Globo / Divulgação)

ÁS: E a questão da direção de arte na TV, cada vez mais requintada. Haveria um processo de fazer cinema na televisão, como certa parcela da imprensa internacional prefere classificar quando incensa produções de canais como FOX, HBO ou Sony em detrimento de Hollywood?

JM: Não concordo com essa ideia porque o conceito de qualidade de produção não se vincula ao fato de o produto ser TV ou cinema. É sempre possível termos um mau filme de cinema, logo… Uma produção de arte caprichada, com boa luz, figurino, cenários, produção de objetos não é exclusividade do cinema, está aí para ser utilizada onde quer que seja, até na publicidade. Além disso, são meios diferentes que requerem expertises diversas. Quem faz televisão bem feito não está fazendo TV com qualidade de cinema, mas um bom produto de televisão.

O requintado acabamento cenográfico e de figurino das produções da TV Globo, como “Tempo de amar”, reforçam a sensação de que se faz uma produção televisiva de ponta atualmente. “Mas, sem uma boa história para narrar, de nada adianta o apuro técnico”, afirma o Jayme Monjardim (Foto: João Miguel Jr. / TV Globo / Divulgação)

ÁS: Considerando que diretores como Ridley Scott, conhecido pelo apuro visual, vieram da publicidade, e tendo em vista a beleza imagética de “Tempo de amar”, haveria, na sua opinião, um paralelo entre fazer bom cinema e boa televisão?

JM: Os aspectos visuais colaboram, são essenciais para o resultado imagético da obra, mas a base de tudo é contar uma boa história. Sem isso, não adianta caprichar também tanto na aparência, e isso vale pra Hollywood, para as produções a cabo norte-americanas, para a Globo, o cinema nacional. Agora, sem dúvida, os avanços na tecnologia digital encontram eco na tevê brasileira atual, e esse crescimento do esmero é notável.

Em cena, Gregório (Cristiano Garcia) para o carro ao avistar Inácio (Bruno Cabrerizo) caído na estrada. Lucinda (Andreia Horta) observa pela janela do carro. O público de “Tempo de amar” acentua como marcas a beleza das imagens e da cartela de cores desse folhetim clássico da Globo, ainda que pipoquem nas redes sociais críticas ao excesso de dramalhão. Mas, por que não? (Foto: João Miguel Jr. / TV Globo / Divulgação)

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