2017 já se aproxima da metade. É tempo de inventariar o recente percurso da moda brasileira num país em crise. Crise política, moral, econômica, de briga entre os poderes. Diante disso, impossível não tirar o chapéu para o Dragão Fashion Brasil, que movimentou Fortaleza no final de maio. Em seu 18º ano, o evento comandado por Claudio Silveira permanece consagrado com uma plataforma lançadora de moda autoral, a principal do Nordeste e uma das mais importantes do Brasil. Feito e tanto quando se considera que boa parte das semanas de estilo por aqui cada vez mais precisam se render ao aspecto comercial para sobreviver. Entre as coleções desfiladas no DFB, a moda masculina tem destaque, não apenas no trabalho de estilistas que fazem boa roupa para eles e elas, mas pelo olhar de dois designers que criam exclusivamente para os meninos: os cearenses João Paulo Guedes, que já participa do evento há algumas edições, e David Lee, que começou no evento como novo talento, mas hoje também é outra pièce de resistance.

Direto de Quexiramobim, no interior cearense, para o moda, João Paulo Guedes é cidadão do mundo: já morou no Canadá, estagiou na Índia, participou da Semana de Moda de Toronto. Faz moda masculina para gente grande, mas não envereda pela alfaiataria que marca criadores como Ricardo Almeida e Ivan Aguilar. Sua moda é bem construída, mas segue o caminho das estampas exóticas, do conforto, daquele sportswear de luxe que foge do senso comum, masculina e moderna, mas sem devaneios.

João Paulo Guedes no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

João Paulo Guedes no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

Sua “Tropicalia – Culturally Vibrant Brasil” traz uma leitura sexy da selva, na qual os destaques são o corte bem talhado de modelagens quase sempre descomplicadas, os macacões, jogos de bombers (sempre elas!) com bermudas bacanas e, sobretudo, os prints gráficos em montagens de look total. Em seu domínio do estilo, ele acende neutros comerciais como preto, branco e cinza com vermelho, amarelo e laranja num exercício elegante. Não tem erro e ÁS quer tudo!

João Paulo Guedes no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

João Paulo Guedes no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

João Paulo Guedes no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

João Paulo Guedes no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

João Paulo Guedes no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

João Paulo Guedes no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

João Paulo Guedes no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

João Paulo Guedes no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

João Paulo Guedes no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

João Paulo Guedes no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

João Paulo Guedes no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

Outro que manda bem nas estampas é David Lee, que flerta com o street, mas não faz casual: prima por uma roupa bem acabada, elaborada com sopro de contemporaneidade. Uma dádiva, considerando que a turma do masculino no Brasil tende muitas vezes a achar que casualidade é lugar comum, tendo em vista a vontade de se render àquilo que é mais vendável. No caso deste estilista, o equilíbrio entre shapes mais comerciais e outros nem tanto ganha uniformidade através dos belos jogos de estampas, com tribais dialogando com florais ou ambos com listras. O consumidor  sai no lucro.

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

David Lee no Dragão Fashion Brasil 2017 (Divulgação)

Vencedor do concurso “Ceará Moda Conemporânea“, que fomenta a moda autoral, o paulista de Adamantina radicado em Brasília Akihito Hira não é novato. Durante algumas temporadas, foi destaque no Rio Moda Hype, do Fashion Rio, que apresentava novos talentos. NO DFB, o rapaz mais uma vez extasia o público, agora com uma coleção em que sua alfaiataria premium reinventa o universo do sertão. Na passarela, azuis e marrons em sobreposições endiabradas fazem pelo vaqueiro aquilo que o longa-metragem Boi Neon fez pelo peão de rodeios, tirando o Brasil interiorano de um comportamento anacrônico para inserir o personagem num contexto contemporâneo, no qual os lugar comum da masculinidade “cabra-macho”  se torna mais que déjá vu: é obsoleto e simplesmente não cabe mais. O resultado? Bom, além de arrebatar o prêmio, Akihito levou para casa o convite para ingressar o line-up oficial do evento a partir de 2018.

Akihito Hora no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

Akihito Hora no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

Akihito Hora no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

Akihito Hora no Dragão Fashion Brasil 2017 (Foto: Divulgação)

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