2017 já se aproxima da metade. É tempo de inventariar o recente percurso da moda brasileira num país em crise. Crise política, moral, econômica, de briga entre os poderes. Diante disso, impossível não tirar o chapéu para o Dragão Fashion Brasil, que movimentou Fortaleza no final de maio. Em seu 18º ano, o evento comandado por Claudio Silveira permanece consagrado com uma plataforma lançadora de moda autoral, a principal do Nordeste e uma das mais importantes do Brasil. Feito e tanto quando se considera que boa pare das semanas de estilo por aqui cada vez mais precisam se render ao aspecto comercial para sobreviver.

Entre os talentos que desfilam o agito cearense, a presença de gente que já despontava em outras vitrines – caso de Melk Zda, por anos destaque criativo no Fashion Rio, e Wagner Kallieno, que já pertenceu ao line up da SPFW – e gente como Lindebergue Fernandes, profissional cuja trajetória se confunde em alguns aspectos com a do DFB, do qual participa há 15 anos. Ao lado de Caio Nascimento, ele prova que é possível ser bom tanto no masculino quanto no feminino, oferecendo peças que podem ser incorporadas ao guardarroupa sim, por que não?

(Foto: Divulgação)

Com coleção permeada por celestiais tons pastel num viés sacro, Lindebergue foi direto ao pote: buscou inspiração na nostálgica infância religiosa cristã para fazer moda que pode ecumenicamente agradar a qualquer credo fashion. Da memória afetiva dos coroinhas, padres, freiras e da turma que frequenta os grupos jovens das paróquias saíram ótimos looks para eles e elas  em sarja acetinada decorados com prints de vitrais e corações de Maria. O resultado é puro afeto.

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(Foto: Divulgação)Na contramão do veterano Lindebergue, o jovem Caio Nascimento acabou de estrear no DFB. Ele vem direto do Sertão do Cariri, tem só 24 anos, mas cria como gente grande. Ao contrário daqueles talentos que se veem como estilistas desde tenra idade, descobriu a moda quase adulto, quando aos 17 fez um curso de corte & costura para pagar uma promessa. Pegou o gosto e, embora ainda tenha muita estrada pela frente, ter começado a se interessar por moda no final da adolescência confere ao moço um certo ar de quem já entrou maduro no métier, quando se leva em conta o fato de que hoje, em tempos de velocidade internáutica, tudo possa parecer uma eternidade.

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Entre a Itália e a tradição nordestina, o designer brinca com recortes em fornada de looks que viaja no legado do explorador veneziano Marco Polo, responsável por estabelecer no Renascimento a ponte comercial e cultural entre Europa e Ásia. Sim, o mote dessa coleção intitulada “Mova” tem mesmo muito a ver com o trabalho de Caio, que procura levar para o resto do Brasil um olhar fresh sobre o artesanal, seja decorando as peças com debruns e bordados, seja as valorizando através de contrastes de cores ou de opaco e transparência. Difícil dizer se o rapaz é melhor no feminino ou no masculino, mas ÁS salivou com as peças brancas em branco.

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Ceará Moda Contemporânea porânea

 

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