* Por Alexandre Schnabl e Andrey Costa

Em 2017, Nathalia Dill, 30, celebra 10 anos de carreira. É bastante coisa quando se considera a quantidade de starlets que surgem em apenas uma década e que duram na ribalta somente 15 minutos, ao contrário da atriz que, desde a vilã Débora deMalhação (2007, quando tinha somente dois anos de trajetória no teatro e uma participação na série Mandrake’, da HBO), consolidou uma carreira camaleônica, dando vida a personagens completamente distintos. Para esta ariana, o desafio é buscar a variedade de papeis, nunca variações de um mesmo tema, como costuma acontecer regularmente com artistas inseridos em estruturas de produção de larga escala, usinas de sonhos como a Rede Globo ou Hollywood. E, embora procure seguir esse percurso de quem acaba invariavelmente se tornando uma grande estrela, a moça se revela ainda um tanto simples, o que lhe confere uma aura toda especial. No happy hour desta terça-feira (10/1), ela compareceu ao coquetel armado no Mr. Lam, na Zona Sul carioca, para celebrar sua capa para a edição de janeiro da Marie Claire, sob as lente do bamba Gustavo Zylbersztajn. Confira a entrevista exclusiva para o ÁS.

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Para a matéria da Marie Claire, Nathalia Dill enverga um maiô Lenny Niemeyer com amarrações shibari – técnica de BDSM oriental que a estilista verteu para a moda. Mas, engana-se quem imagina que consiga domar a atriz ariana no laço… (Foto: Gustavo Zilbersztajn / Divulgação)

Apesar da idade, Nathalia tem a cabeça da velha guarda dos palcos: acredita no ofício de atriz e no fato de nunca parar de aprender. Com  10 novelas, seis filmes e cinco peças de teatro no currículo, a moça deixa claro que conserva o frescor de quando ainda era novata: “Tenho convivido em Rock Story com uma nova cepa de atores recém-egressos de ‘Malhação’ e, engraçado, não me sinto uma veterana, me vejo com eles”, ri.

No coquetel da publicação, no Jardim Botânico – bairro onde mora – ela chega chegando: chama atenção logo que aterrissa no terceiro andar do restaurante chinês, com teto de claraboia e janelões que dão para esfuziante natureza da Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos cartões postais mais bonitos da Cidade Maravilha. Nessa hora, ninguém parece se importar muito com as belezas do Rio: é para Nathalia que os olhares se voltam, entre rolinhos primavera e frangos sathay, mesmo entre um público acostumado a esbarrar com celebridades até no borracheiro da esquina.

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Nathalia Dill exibe o corpitcho de sílfide escarlate diante da capa da Marie Claire, no Mr. Lam, Rio (Foto: Reginaldo Teixeira / Divulgação)

A silhueta é de parar o trânsito: o shape de sereia da zona sul, com cinturinha de pilão e a ossatura com caixa torácica visível, ganha o rubro do vestido de Reinaldo Lourenço e os saltos altos definem suas panturrilhas. O vermelho, aliás, emoldura sua mais recente aventura capilar: as madeixas  escuras que aposentaram temporariamente o louraço belzebu que ostentava até o meio de 2016, em Liberdade, liberdade“, para incorporar as gêmeas Julia e Lorena de “Rock Story”, passando a integrar o seleto grupo de globais que já viveram duplos na dramaturgia da emissora: Gloria Pires (“Mulheres de Areia“), Alessandra Negrini (“Paraíso Tropical“), Gloria Menezes (“Irmãos Coragem“), Francisco Cuoco (“O Outro“), Regina Duarte (“Selva de Pedra” e “Sétimo Sentido“),  Tony Ramos (“Baila Comigo“) e, agora também, Cauã Reymond emDois Irmãos“. 

 

Dama de vermelho: com um dos landscapes mais emblemáticos do Rio de Janeiro ao fundo – a Lagoa Rodrigo de Freitas -, Nathalia Dill posa ao lado da capa para a revista Marie Claire, de janeiro (Foto: Andrey Costa para Ás na Manga)

ÁS aproveita o sucesso do musical hollywoodianoLa La Land: Cantando Estações (grande vencedor do Globo de Ouro no último domingo, com sete estatuetas e forte candidato ao Oscar), que trata do desejo de sucesso e da difícil relação entre a aspiração ao estrelato e a manutenção da pureza artística após alcançar o sonho, manda na lata para Nathalia: “Okay, são dez anos de carreira na TV, 12 no total. ‘La la Land’ lida com a eterna busca da ribalta em Hollywood para tornar ator, cantor, músico ou bailarino. Eu conheci você começando e agora a Nathalia Dill é uma estrela. Como você vê a passagem de tempo e o que mudou?”. Ela não se faz de rogada: “É engraçado, porque eu não vejo ainda com uma carreira consolidada e talvez nunca veja”.

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Emma Stone e Ryan Gosling em cena em “La La Land: Cantando Estações”: longa-metragem vencedor do Globo de Ouro e que retrata a busca pelo sucesso em Los Angeles é ponto de partida para Nathalia Dill divagar sobre sonhos de carreira e a própria trajetória (Foto: Divulgação)

E continua: “Cheguei aos 30 anos, e é claro que pesa quando eu penso em 10 anos de Rede Globo, mas a sensação é de busca eterna. Não existe fim, um trabalho deve sempre emendar com outro, sabe? Existe sempre aquela questão sobre descobrir qual será o próximo trabalho, o que vai acontecer, como eu vou lidar com uma próxima etapa. É um caminho sem fim!”.

Nathalia atribui a curiosidade do trabalho de atriz à sua constante renovação, o que, segundo ela, lhe permite ir adiante e variar tanto de composições na telinha: “Sempre haverá algo além, e me sinto começando. Fica clichê eu falar de um eterno começo, mas a sensação é essa! Quando estou fazendo uma novela com os meninos que estão saindo de Malhação, como o Rafael Vitti, claro que eu tenho uma estrada maior, mas a sensação que tenho ainda é parecida com a deles. Consigo me enxergar na turma novinha e isso é bom, dá outra energia, dá frescor.  Nunca me coloco numa posição de ‘já estou aqui’. Isso não rola”.

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O terceiro piso do Mr. Lam, escolhido a dedo pela Marie Claire para receber os convidados vips do lançamento da edição janeiro: vista privilegiada do Rio (Foto: Reginaldo Costa Teixeira / Divulgação)

Quando questionada sobre a amplitude de papeis que costuma pegar nas novelas, a ex-loura é categórica acerca das razões que lhe permitem essa faceta, sobretudo quando comparada com outras atrizes que, mesmo talentosas, não conseguem ser vistas fora do arquétipo que lhes consagrou. “É fundamental a confiança a ser depositada pelo autor e pelo diretor. Eles precisam crer que o ator possa ser versátil, mas a gente tem que acreditar nisso também. Penso que consigo variar de vilã à mocinha, como no caso da Amora Mautner [diretora], que queria que eu fizesse uma mocinha, mas confiou quando eu pedi para fazer novamente uma vilã. É preciso haver um misto entre o que eu estou buscando e o que eles procuram. Como num curso do Corazza [Juan Carlos Corazza, coach de atores em Madri], onde estudei a loucura e apliquei esse conhecimento no meu personagem seguinte, pois bem ou mal, a Branca [de “Liberdade, liberdade’] foi enlouquecendo. O raciocínio dela era algo da época, lhe foi imposto pela criação. Hoje em dia, ela não seria uma mulher comum com esse pensamento insano e retrógrado”, revela Nathalia.

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Nathalia Dill interpretou Branca em “Liberdade, liberdade”, novela global que passada na virada do século 19, na qual pode mostrar sua versatilidade (Foto: Divulgação)

Por falar nisso, ÁS fica curioso acerca da reincidência de Nathalia Dill em papeis de época. Seria uma preferência? “Gosto muito, mas dá um trabalho cão! Estou com dó de quem vai fazer a próxima novela das 18h. Olha o calor que anda fazendo no Rio neste verão, rs! Mas, olha: é complicado, mas é ótimo variar. Poxa, agora eu estou com essa oportunidade de interpretar gêmeas e nunca tinha imaginado fazer algo assim”.

“E, com essa bagagem acumulada, o que você gostaria de fazer que ainda não fez?”, arremata ÁS. Tendo em vista a menção à “La La Land” e as trajetórias de colegas como Rodrigo Santoro e Alice Braga, com carreiras firmes no cinema norte-americano, Nathalia se antecipa: “Não ambiciono uma carreira em Hollywood. Por exemplo, meu sonho agora é fazer um bom espetáculo de teatro, não faço nada do tipo há cinco anos. Já apareceram duas oportunidades que abri mão. Por enquanto, esse é meu sonho mais palpável do que, quem sabe, um dia trabalhar com Woody Allen, que, acho, é outro grande sonho. Bom, considerando que Denise Dumont, atriz que viveu seu auge no Brasil, na telinha e na elona, nos anos 1980, participou deA Era do Rádio” (Radio Days, 1987), obra-prima do diretor, quem sabe…

Confira abaixo quem passou pela happy hour da Marie Claire (Foto: Reginaldo Costa Teixeira / Divulgação):  

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