Estreia nos cinemas nesta quinta-feira (20/4) Vida” (Life, de Daniel Espinoza, Columbia Pictures, 2017), sci-fi que traz como credencial a presença dos bonitões Jake Gyllenhaal e Ryan Reynolds no elenco. O longa-metragem vem na rabeta da nova safra de ficções científicas ambientadas nos confins do espaço sideral que ressurgiu nas telas após o sucesso técnico e narrativo de Gravidade (Gravity, 2013).

“Vida” (Life) entre em cartaz nesta quinte-feira trazendo à tona a questão darwiniana da seleção natural em uma saga na qual não há mocinho ou vilão: astronautas e alienígena querem somente seu lugar ao sol (Foto: Divulgação)

Confira o trailer oficial (Divulgação): 

Olhos azuis: vindo de filmes policiais como “Crimes Ocultos” (2015), o diretor sueco Daniel Espinosa escalou dois galãs para interpretarem parte da tripulação interracial que habita uma estação espacial. Ryan Ryenolds faz mais do mesmo e Jake Gyllenhaal é o astronauta que prefere a solidão do espaço à hipocrisia terrena (Foto: Divulgação)

Desde então, as novas gerações de plateia têm se deparado com produções que podem ser comparadas com 2001: uma odisseia no espaço” (2001: a Space Odity, de Stanley Kubrick, 1968), como Interestelar” (Interstellar, 2014), Perdido em Marte” (The Martian, 2015) e até A Chegada” (The Arrival, 2016) – que não é passada lá fora, mas faz parte dessa leva de roteiros inteligentes que lidam com o gênero no sentido literal, se afastando da pecha de aventura galáctica como Star Warsao  explorar aspectos de uma possível realidade científica nos parâmetros das obras futuristas de Ray Bradbury e Isaac Asimov.

Detalhamento sublime: direção de arte de Steven Lawrence em “Vida” se esmera na reprodução minuciosa daquilo que seria uma estação espacial, com equipamentos que se inserem realisticamente no conjunto visual e ao mesmo tempo saltam aos olhos (Foto: Divulgação)

Cenas de “Vida” passadas na parte exterior da estação e seu impacto com a nave russa Soyuz são igualmente impressionantes, nada ficando a dever ao rigor estético de “Gravidade” (Foto: Divulgação)

No enredo, a tripulação de uma estação espacial internacional faz uma importante descoberta: não só comprova a existência de vida em outro planeta, Marte, como tira da inércia um organismo celular que inesperadamente cresce conforme vai fagocitando os astronautas, provando que uma ameba pode ser bem mais inteligente do que se supunha.

Obviamente, a questão de um alien fazendo o banquete dentro de uma espaçonave terráquea não é nova. É constantemente renovada desde quando Ridley Scott resolveu transformar um foguete em casa mal-assombrada com Alien” (1979), fundindo sci-fi e horror numa franquia bem-sucedida até hoje, quase 40 anos depois. Ou quando John  Carpenter aterrissou o tema numa estação científica na Antártida em O enigma de outro mundo (1982).

O marciano Calvin em três momentos: com alguns poucos dias, quando sai da hibernação e se multiplica em células que são ao mesmo tempo olhos, cérebros e músculos… (Foto: Divulgação)

… na fase ainda inofensiva em que se parece com uma criatura marinha… (Foto: Divulgação)

… E já enorme, pronto para devorar humanos com um ímpeto parecido com o de uma implacável vilã de novela mexicana! (Foto: Divulgação)

Apesar dos esforços em se comunicar a qualquer custo entre si e com a Terra através dos mais diferentes dispositivos, fica provado que, se a palavra é prata, o silêncio é ouro: a criatura vai concretizando seu plano na surdina, sem dar a mínima se os tripulantes ou espectadores irão considerá-la má como Nazaré Tedesco. Não, aqui não há lugar para vilão de novela.

Afinal, é nisso que “Vida” ganha pontos: se não é tão bom quanto o original que mesclou os gêneros, sobressai ao se distanciar da emoção maniqueísta barata procurando abordar as diretrizes que levariam a espécie humana a duelar com a alienígena na simples e crucial questão da seleção natural e da autossobrevivência.

Com traços faciais tão plásticos quanto a cenografia da estação espacial na qual se passa a história de “Vida”, a atriz nórdica Rebecca Ferguson se revela adequadíssima a uma trama que procura explorar o primeiro encontro entre humanos e alienígena de forma científica (Foto: Divulgação)

Embora nem de perto seja tão bom quanto pérolas tipo “Inteestelar” e “Gravidade”, o filme é eficaz, seco e nada piegas, com direção de arte realista a dar com o pau e ótimo elenco, com destaque para a oficial que cuida dos protocolos de segurança encarregada de impedir que o alienígena chegue à Terra, no caso de um incidente.

Vindo de filmes como Missão Impossível: Nação Secreta e Florence: quem é essa mulher?“, a sueca  Rebecca Ferguson brilha e segue o exemplo do micróbio da história, mastigando sem dó os astros que são o chamariz de público, inclusive o sempre ótimo Gyllenhaal, numa interpretação que a torna muito mais verossímel que uma Ripley (Sigourney Weaver).

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