A fórmula é mais ou menos essa: uma coleção de festa na qual a cereja do bolo são os vestidos e jogos de blusa com saia. No tempero, um toque de alfaiataria sequinha para imprimir contemporaneidade às araras, em contraponto ao volumão das saias godê. Para não ficar tudo New Look, uns vestidões longos e fluidos que avançam em uma década, década e meia, trazendo Grace Kelly para os rega-bofes frequentados por Ali McGraw. Ali,no inicinho dos setenta.

Fátima Scofield /Minas Trend / verão 2020 (Foto: Sebastião Jacinto Junior / Divulgação)

Na produção, uns tops corsetados sobre blusas ou segundas peles para conferir aquela estranhezinha de passarela (para o grande público), quebrando um tiquinho (de leve, de levinho, Delevigne…) a cara comercial da apresentação. Para arrematar, tecidos bons, diáfanos ou encorpados – como cetim, crepe e chifon -para dar Whey Proteyn a um conjunto anabolizado por boas estampas inspiradas na exuberância amazônica, bem gráficas, versus uma cartela de cores fortes poderosa, que funciona linda na edição do desfile, na displayagem do merchandinsg visual no ponto de venda  e na produção individual.

Se a cliente for boa na monocromia ou no colorblocking então... Essa é a Fátima Scofield que desfilou nesta edição do Minas Trend.

Fátima Scofield /Minas Trend / verão 2020 (Foto: Sebastião Jacinto Junior / Divulgação)

As peças da label nunca trazem aquele excesso que caracteriza o luxo mineiro clássico. Para se aproximar disso, basta um volumão arrematado por uma cinturinha de pilão definida. Ao lado da filha Laura e do estilista Daniel Corrêa – seu batalhão de choque -, Fátima, que dá nome à grife, não se entrega mesmo fácil ao barroquismo padrãozinho da festa lavrada nas Minas Gerais. Seu cabelo curtinho, batidinho na nuca, entrega a busca do ouro da empresária:  mineirar em outros garimpos, sem medo de suas pepitas virarem um Brumadinho déjà vu.

Fátima Scofield /Minas Trend / verão 2020 (Foto: Sebastião Jacinto Junior / Divulgação)

Por isso, ela foge dos Aleijadinhos para subir a Amazônia rio acima, de barco pelos igarapés, seguindo os mapas de viagem de expedicionários como Alexander Von Humboldt e Aimé Bonpland.  Ou pesquisando seu estilo seco que se pretende tropical nas páginas de “Pororoca – A Amazônia do Mar“, obra seminal de Paulo Herkenhoff.

Fátima Scofield /Minas Trend / verão 2020 (Foto: Sebastião Jacinto Junior / Divulgação)

Drapeados manuais e plissados são as joias dessa coroa barroca, feminina o suficiente para não espantar as mais tradicionais. É aí que o Dior das antigas entra:para não assustar, provando que Fátima Scofield quer ser moderna, mas não rasga dinheiro a ponto de esnobar o lady like.  Fátima tem tudo para ocupar no Minas Trend, na passarela e no estande de vendas,  o vácuo deixado por Mabel Magalhães, podendo, entretanto, penetrar ainda mais nas jazidas que encerram a renovação da boa moda mineira.

Fátima Scofield /Minas Trend / verão 2020 (Foto: Sebastião Jacinto Junior / Divulgação)

Fátima Scofield /Minas Trend / verão 2020 (Foto: Sebastião Jacinto Junior / Divulgação)

Fátima Scofield /Minas Trend / verão 2020 (Foto: Sebastião Jacinto Junior / Divulgação)

Fátima Scofield /Minas Trend / verão 2020 (Foto: Sebastião Jacinto Junior / Divulgação)

Fátima Scofield /Minas Trend / verão 2020 (Foto: Sebastião Jacinto Junior / Divulgação)

Fátima Scofield /Minas Trend / verão 2020 (Foto: Sebastião Jacinto Junior / Divulgação)

Fátima Scofield /Minas Trend / verão 2020 (Foto: Sebastião Jacinto Junior / Divulgação)

Fátima Scofield /Minas Trend / verão 2020 (Foto: Sebastião Jacinto Junior / Divulgação)

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