Para quem curte aquela comida portuguesa bacana, mas anda querendo ir além da bacalhoada típica e da aletria, o Rancho Português, em Ipanema, aposta até o final de março no Festival de Açordas – sopas típicas feitas à base de pão e frutos do mar, delicinha das boas.

A receita varia de região para região em Portugal, com direito a variações que são verdadeiros segredos de família, às vezes guardados a sete chaves por aquelas senhoras portuguesas das antigas, de coque, avental sobre a saia e mechas grisalhas empretecidas com Tablete de Santo Antonio, do tipo que, se bobear, tem até buço, mas manda bem para caramba nas caçarolas. Não é à toa que com mulher de bigode, só o diabo pode porque, afinal, esse prato é mesmo endiabrado de bom! E quem pensa que, como ainda está calorão, o prato não combina, ÁS deixa claro: nada a ver, tolinho(a). Fora que a casa é agradável e o staff atencioso na medida.

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Degustação de açordas no Rancho Português: manjar dos deuses para quem pretende se refestelar (Foto: Fabio Rossi / Divulgação)

De influência árabe e origem no Alentejo, a açorda não é cozinhada, mas feita com sobras de pão – item que sempre aparece à mesa como acompanhamento – e a consistência lembra a de um suflê, só que sem o gratinado de cima. No interior, usam-se vegetais e ovos; nas áreas costeiras os frutos do mar, que agora servem de inspiração para esta fornada de pratos da casa carioca. São quatro sabores: camarão, bacalhau, lagostim e frutos do mar. ÁS amou as de lagostim e de bacalhau, esta descendo esplendidamente, de uma leveza ímpar. Mas, recomenda a degustação dos quatro sabores em porções reduzidas.

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Inesquecível: açorda de lagostim impressiona no Rancho Português (Foto: Fabio Rossi / Divulgação)

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Digníssima: açorda de bacalhau do Rancho Português desmancha na boca, de tão leve (Foto: Fabio Rossi / Divulgação)

De quebra, ir a um restaurante português e não se entregar aos doces é a mesma coisa que ir ao santuário de Fátima e não rezar uma Ave Maria. Perdição absoluta, com o atenuante que a alta temporada já está no fim e o projeto verão pode agora dar uma trégua.

O toucinho do céu é irresistível, os ovos moles tem a consistência perfeita (bem diferente dos exemplares que se encontram por aí, ou muito espessos ou quase liquefeitos) e, de tão boa, a baba de camelo – suflê de doce de leite aerado com claras em neve e lascas cruas de amêndoas – é capaz de operar maravilhas nos comensais, do tipo que faria o poeta Fernando Pessoa enveredar pela literatura pornô ou a fadista Amália Rodrigues sair da tumba para se arriscar numa coreô com a Turma do Passinho.

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Toucinho do Céu do Rancho Português: pretexto mais que válido para aposentar o projeto verão até novembro (Foto: Marcelo Cabral / Divulgação)

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Variedade de doces lusitanos é vedete no bom cardápio do Rancho Português: ao centro, a imperdível Baba de Camelo (Foto: Marcelo Cabral / Divulgação)

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Para alegrar o monastério inteiro, dos noviços ao monsenhor, o típico Pudim do Abade é receita originária de Braga. Bem engordativo, mas vale a pena: leva 15 gemas, vinho do porto e até 50 gramas de toucinho. Como resistir a uma deliciosa gordice dessas? (Foto: Marcelo Cabral / Divulgação)

Em tempo: não deixe de pedir de entrada os levíssimos bolinhos de bacalhau da casa, perdição total.

Serviço:

Preços: açorda de bacalhau (R$ 89), açorda de camarão (R$ 119), açorda de lagostim (R$ 103), açorda de frutos do mar (R$ 121), degustação dos quatro sabores (R$ 107)

Rancho Português – Rua Maria Quitéria 136, Ipanema. Tel: (21) 2287-0335/ (21) 2287-0335/ (21) 2267-0415/ (21) 2522-1159

Capacidade: 110 lugares.

De segunda a quinta, das 12h às 0h30. Sexta e sábado, das 12h à 1h30. Domingo, das 12h às 23h. Cc: todos. Cd: todos.

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