Diva  pop que foge ao padrão, a jamaicana (criada em Nova York) Grace Jones é do mundo. Surgida no final dos seventies, queridinha de papas como Andy Warhol e ícone nos eighties, a taurina mantém hoje aos 68 anos o frescor artístico de quando incendiava as pistas do Studio 54 ou seduzia James Bond como May Day, o mix de vilã e bond girl que quase explodia a Paris oitentista de 007 na mira dos assassinos(1985). A canção-tema do longa, A View to a Kill“, era do Duran Duran, mas quem causava mesmo era Grace. Agora, a bombshell que imortalizou o corte de “cabelo em caixa” muito antes de Arsenio Hall e M.C.Hammer volta ao Brasil para um bombástico show na Cidade das Artes, neste sábado (19/11), dentro do festival Back2Black.

E a nega já começa como o diabo gosta: polemizando. Grande atração desta edição do evento, o show, que aconteceria no palco ao ar livre nesta madrugada de sábado para domingo, migrou sem muitas explicações para a Grande Sala, fechada, menor e com capacidade de apenas 1200 pessoas. Coisas de Laurinha, ops, Grace, com certeza!

grace_jones-007-poster-final

Vindo de “As Panteras”, Tanya Roberts foi a escolhida para acontecer como partner do 007 Roger Moore em sua última participação como o agente com licença para matar. Não deu nem para o início. Grace Jones engoliu o filme e foi parar no cartaz, botando a loura para escanteio (Foto: Reprodução)

grace_jones-a_view_to_a_kill_grace_jones_may_day_51-final

Conhecida como um genuíno exemplar do female power oitentista, La Jones levou essa máxima ao pé da letra como May Day, a misteriosa guarda-costas do vilão Max Zorin (Christopher Walken). Resultado: carregou o longa-metragem no muque (Foto: Reprodução)

Polêmica por polêmica, vale lembrar que a moça é persona non grata na terra do Mickey. Em 1998, fazia um show na Disneylândia quando baixou um caboclo e resolveu mostrar os seios no palco. Donalds de todas as idades ficaram com o pluto em riste, o Dunga riu, figurões do lugar fizeram o Pateta e a Vovó Donalda não gostou nem um pouco. Resultado: foi banida de vez de todos os domínios Disney e há quem diga que hoje a moça figura na galeria de vilãs, ao lado da Madrasta Má, Malévola, Malvina CruelaMadame Min e Maga Patalógica.

grace_jones-a_view_to_a_kill_grace_jones_may_day_121-final

Uma espiã nada discreta: a May Day de Grace Jones em “A view to a Kill” era tão sutil quanto um elefantinho atrás de um pé de amoras. Obviamente, prato cheio para a figurinista do filme, Emma Porteous, que precisou comer um dobrado para aprovar os looks da personagem com a própria Grace, afeita a modelitos que costumavam causar nos palcos e clipes (Fotos: Reprodução)

Com 1,79m de altura, Grace sempre curtiu homenzarrões, apesar de seu único filho Paulo ser fruto do relacionamento com o diretor de arte Jean-Paul Goude, responsável por várias das imagens icônicas que se tem da diva. Em sua primeira grande empreitada cinematográfica – Conan, o destruidor (1984) –, curtia posar tirando casquinha dos músculos do astro Arnold Schwarzenegger em imagens de divulgação que se assemelham aos selfies. Namorou marombeiros de responsa como Dolph Lundgren e se casou nos noventa com o guarda-costas Atila Altaunbay. Sim, tem que ter calibre para traçar Grace.

grace_jones-grace-jones-schwarzenegger-pb-mai-conan-1500909584-final

Ao lado de uma Arnold Schwazenegger já consagrado por “Conan, o Bárbaro” e antes de explodir com “O Exterminador do Futuro”, Grace Jones também arrasta para o limbo a mocinha Olivia D’Abo em “Conan, O Destruidor” num prenúncio daquilo que faria um ano depois em sua avassaladora participação em “007 – na mira dos assassinos” (Foto: Divulgação)

grace_jones-12-final

Diaba-rainha: namoro com o fisiculturista sueco e depois ator Dolph Lundgren foi prato cheio para Grace abusar de ensaios sensuais nos quais sempre cavalgava o bonitão e ainda dava aquela apalpada básica na musculatura em riste. Tempos nada politicamente corretos para uma dominatrix que desfrutava dos machões como se deglutisse um bom bife da Friboi, numa era em que sequer se cogitava o conceito assédio (Foto: Reprodução)

grace_jones-e-paulo-goude-gracejones_wideweb__470x3230-final

Mommie dearest: ao lado do filho Paulo – fruto do relacionamento com o diretor de arte francês Jean-Paul Goude – a estrela incorpora a mamãe ursa sem perder a pompa (Foto: Reprodução)

Logo no ano seguinte, veio a produção de James Bond e, em 1986 – quando lançaria um de seus melhores álbuns, Inside Story“, que inclui pelo menos dois hits memoráveis: I’m Not Perfect (But I’m Perfect for You) e Victor Should Have Been a Jazz Musician – Miss Jones embarcaria noutra viagem cinematográfica como a vampira Katrina de Vamp – A Noite dos Vampiros (de Richard Wenk, 1986), espécie de dona de boate-bordel que muito possivelmente deve ter inspirado Robert Rodriguez a criar uma personagem bem parecida (sob certas nuances), vivida por Salma Hayek em “Um drink no inferno.

grace_jones-vamp-poster-final

Rita Lee tribal: com grafismo corporais e perucão ruivo, Grace Jones assume os ares de Katrina, a sanguessuga pop do cult movie “Vamp”, até hoje celebrado pela turma que curte um underground basicão (Foto: Reprodução)

grace_jones-vamp-e-kith-haring-final

Em “Vamp” (esq.), o artista gráfico Keith Haring (1958-1990) – amigo de Grace desde os seventies – foi o responsável pelo trabalho que tornava a jamaicana tão tribal quanto os aborígenes da Papua Nova Guiné, mas numa pegada urbanoide. A parceria entre os dois também pode ser conferida em clipes e apresentações (dir.) (Fotos: Reprodução)

grace_jones-vamp-poster-2-final

Jeannie é um gênio sim, e daí, porra! Outro visual de Grace Jones que marcou “Vamp” foi a caracterização como uma odalisca estilizada. Os figurinos de Betty Pecha Madden caíram como uma luva no espírito indômito-pop da astista (Foto: Reprodução)

Nos anos 1990, sua presença nas telas declinou, assim como sua produção fonográfica. Mas, nessa época, Grace detém uma participação engraçada numa obra protagonizada por um Eddie Murphy no auge, O Príncipe das mulheres (1992).

grace_jones-o-principe-das-mulheres-final

Tipo Oprah: em “O Príncipe das Mulheres”, Grace Jones assume um visual mezzo clássico mezzo over para contracenar com o protagonista Eddie Murphy (Foto: Reprodução)

Na virada de milênio então, nem se fala! Grace deu um sumidaço dos estúdios e das telas, reaparecendo em Falco – Verdammt. wir leben noch!“, biografia do cantor pop kitsch dos anos oitenta.  E dá-lhe em seguida outro hiato. Mas, neste ano, Miss Grace Jones acaba de comparecer no longa alemão Gutterdammerung“, dirigido pelo artista visual belgo-sueco Bjorn Tagemose, que atribui a produção como “o mais barulhento filme mudo”Trata-se de uma alegoria apocalíptica filmada em deslumbrante P&B, numa pegada meio Sin City“, no qual ela contracena com outros astros do pop vertidos em atores como Slash, Nina Hagen e Iggy Pop no papel de um anjo caído.

grace_jones-e-iggy-pop-gutterdammerung-final

No longa mudo de ficção rock-futurista “Gutterdammerung” (2016) – a queda dos deuses, em alemão – uma Grace quase setentona prova que não impota a idade quando se tem atitude. Iggy Pop interpreta um diabo (Foto: Divulgação)

Confira abaixo o trailer (Reprodução):

Deixe seu comentário

Seu email não será publicado.