*Por Andrey Costa e Alexandre Schnabl

Já pensou no privilégio de se deliciar/regojizar/aproveitar/deleitar/rodopiar com as delicinhas da mais renomada escola de gastronomia francesa, num espaço totalmente renovado no coração de Botafogo, Rio? Ulalà! Em terra de MasterChef na tv e Tastemade na internet, o Le Cordon Bleu do Rio é rei! Le Rio c’est roi!, aliás! Depois de São Paulo, a segunda filial no Brasil da cultuada escola chegou chegando/fazendo/causando/pirando à Cidade Maravilhosa para ensinar não apenas a arte das panelas, mas também como fazer delas um vetor de mudança na vida de seus alunos. Sem bateção de panela na janela, só no amor. Tudo a ver numa urbe que vive de economia criativa. Pois bem, ÁS andou dando um rolê pelas instalações (sensacionais!), conferiu de pertinho a receita do sucesso que promete democratizar a cozinha francesa por aqui e ainda provou do próprio veneno. Afinal, quem é cobra criada nas peripécias gastrô não iria deixar de bicar as gostosuras travessas do chef João Paulo Frankenfeld e das doçuras do pâtissier Philippe Brye, ambos à frente da cozinha.

Aulão: os cursos disponibilizados na escola possuem estrutura de show. São espelhos, câmeras, luzes e muita ação para que o conhecimento seja fixado, enquanto aguça todos os sentidos (Foto: Lype Borges / Divulgação)

Numa estrutura de dois andares, o Le Cordon Bleu Rio possui seis cozinhas profissionais equipadíssimas com o que há de mais moderno. Dos sonhos, padrão Le Creuset para que os alunos aprendam essa alquimia em esquema de primeiro-mundo. Lembra quando, no clássico “Sabrina” (1954), a protagonista vivida por Audrey Hepburn foge do amor platônico de infância e ruma a Paris para estudar culinária? Então, é no Le Cordon Bleu que ela foi parar, só para se ter uma ideia do visual das cozinhas da filial carioca.

Garfos e facas em riste! Os pantagruéis de plantão vão adorar o café-restaurante do Le Cordon Bleu no Rio. As madeleines (foto) são digníssimas, tenras como deveriam, com a textura externa assada no ponto, coisa que nem sempre acontece nas versões cariocas desse clássico amuse-bouche! (Foto: Lype Borges / Divulgação)

De quebra, as instalações ainda dispõem de um restaurante que recebe o público de fora e aceita reservas, para que o savoir-faire dos aprendizes seja devidamente testado, porque ninguém é de ferro. Deleite puro para as turmas que por ali passarão e para o público também, que ganha uma opção que já é experiência completa.

Le Cordon Bleu Rio é aposta para formação de uma nova fornada de chefs em tempo de gastronomia elevada ao pódio de atividade da moda (Foto: Lype Borges / Divulgação)

Na pole position do corpo docente da escola, João Paulo Frankenfeld é o carioca que passou pelas cozinhas de casas premiadas na França, como o Guy Savoy (três estrelas Michelin), em Paris, e o restaurante do Hotel Trianon Palace, em Versalhes, do chef Gordon Ramsay, aquele que deixa os cozinheiros de cabelo em pé com o seu programa “Kitchen Nightmares“. Hoje João é o head chef do Le Cordon Bleu no Rio, cuidando pessoalmente da graduação em cuisine com o mesmo apreço com que uma socialite cuida da estola de arminho herdada da família

João Paulo Frankenfeld comandou o workshop sobre aves no “Super Chef Celebridades 2016”, na tv (Foto: Reprodução)

Ao lado dele, uma lenda: Philippe Brye (não faça piadinhas com o nome do queijo, seja criativo; ele deve ouvir essa gracinha infame desde que nasceu!), francês que escolheu o Brasil como segunda casa lá pelos anos 1980. Passou por tudo, mas só o creme de la creme: foi chef executivo do grupo Troigroschef confeiteiro dos hotéis Le Meridien e Sofitel, criou sua própria confeitaria, no Lido, pertinho do Copacabana Palace, Traiteurs De France.

Philippe Brye (Foto: Reprodução)

ÁS era frequentador da casa nos anos 1990/2000, às vezes almoçava no restaurante nos fundos da confeitaria, pérola escondidinha só para iniciados, na qual volta e eia encontrava gente que sabe das coisas, como Christiane Fleury, diretora de comunicação da L’Oréal. Chique a dar com o pau. Por vezes, saía de casa na larica, pronto para saborear no Traiteurs a melhor amandine do planeta, além de uma versão desta que levava frutas, cujo nome não recorda. E ainda amava o brioche da casa num nível, sabe como é, do tipo que entregaria a mãe, mas esconderia o pão em caso extremo. Tamanho o desatino. Então, quando a casa fechou, ÁS quase cortou o pulso, e só conta essa inconfidência porque, afinal, é preciso ter a dimensão de quem é Philippe, e quão grata foi a surpresa de reencontrá-lo no Cordon Bleu. É ele quem assume o comando da graduação em pâtisserie. Resumindo, os cursos são divididos entre certificados nos níveis Básico, Intermediário e Superior em cuisine e pâtisserie e o mais avançado nível, o Le Grand Diplôme.

Nascido na Normandia, no Noroeste da França, Philippe Brye começou como estagiário na Casa Fauchon, em Paris. Seu Dia D foi quando decidiu vir para o Brasil numa época em que o epicentro da renovação gastronômica no Brasil era Copacabana, com Laurent Suaudeau no Saint-Honoré (Le Meridien) e Claude Troisgros no Pré-Catelan (Rio Palace). Agora, ele é mentor de novos talentos da gastronomia (Foto: Lype Borges / Divulgação)

Mas, como hoje tudo é inclusão social, ÁS vai falar: a junção é tão boa que já nasce concorrida. Em uma ação fruto da parceria entre a escola e o governo do Rio, por meio da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), 10 vagas são disponibilizadas por período para alunos de baixa renda da rede pública estadual. Bolsistas, estes são avaliados por meio de provas objetivas de português, matemática e de um teste de aptidão técnica aplicado pelo instituto. Os primeiros aprovados já foram selecionados e iniciaram as aulas no curso Diplôme Cordontec, com 12 meses de duração. Para não bolsistas, o mesmo curso custa uma bagatela: cerca de 40 mil reais, amor. Pronto, falei.

Bruschetta dos deuses: Le Cordon Bleu Rio é aposta para formação da nova geração de chefs prontos para embarcar na profissão cujo curso superior mais cresce no Brasil (Foto: Lype Borges / Divulgação)

O curso Diplôme Cordontec, com carga horária de 800 horas, vai ensinar técnicas de pâtisserie (doces), cuisine (pratos), boulangerie (pães) e serviço de salão. Os alunos recebem uma maleta-sonho com todos os utensílios de cozinha necessários para a aprendizagem no decorrer do curso e ainda passarão por um estágio supervisionado no restaurante-escola e no café-confeitaria. Ao final, vem o diplomão bacanudo emitido pelo Le Cordon Bleu e Faetec.

Serviço:

Le Cordon Bleu – Rio de Janeiro

cordonbleu.edu

Rua da Passagem, 179, Botafogo
Tel.: (21) 3189-3450

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