*Por Andrey Costa

A espera no Olimpo da música acabou. Thiago Pethit, que nunca teve o apelo mainstream aureolando seu trabalho com muito força e, por isso mesmo, sempre soube o momento certo de ofertar trabalhos relevantes, mais uma vez consagra a teoria de que bons vinhos melhoram com o tempo. Seu quarto álbum de estúdio, “Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação)“, lançado neste final de semana, é primor. O trabalho rompe o hiato de quase cinco anos sem material de inéditas e, de quebra, brinda seus fãs com a extensão criativa impressa no lead single do disco, lançado em janeiro desse ano (veja aqui).  O resultado ainda afirma que as canções confessionais seguem rendendo bons frutos, sobretudo se forem costuradas aos arranjos produzidos pelo carioca Diogo Strausz, em oposição ao desespero por “hitar”.

Capa do álbum “Males dos Trópicos” (Foto: Rafael Barion / Divulgação)

Como o próprio Thiago mencionou ao usar seu Instagram para divulgar o lançamento, não houve alarde na concepção do material, que chega com nove faixas repletas daquela poesia marginal que o consagrou nesses anos de carreira. Com inspirações nos clássicos do jazz, nas composições eruditas de Villa-Lobos, nas batidas do trip hop e nas poesias do paulistano Roberto Piva, poeta maldito dos anos 1970/1980, o álbum ainda tem participação orquestral do violista Marcelo Jaffé, de músicos do Quarteto da Cidade de São Paulo, do pianista pernambucano Zé Manoel, da cantora e compositora Maria Beraldo no clarinete, sua irmã, Marina Beraldo na flauta e Badé na percussão. Haja presença. No final, são canções atmosféricas de clima cinematográfico e, ainda assim, profundamente brasileiras, arrematadas por colaborações classudas. 

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ta no ar! foram quatro anos – do primeiro lampejo solitário de criação até a produção – tudo tão do meu jeito quieto, sem muito alarde. virginiane lapidando cada detalhe antes de expor ao mundo. de repente já não falta nada. já é e não é só meu – mal dos trópicos (queda e ascensão de orfeu da consolação). e como estamos cada vez menos habituados a ver o disco físico (vai sair em um mês) para conferir os créditos, eu vou mandar aqui a ficha técnica com todo agradecimento e louros de apollo. o já apresentado @diogostrausz , foi parceiro nas composições de 'noite vazia' e 'abre-alas', produtor, arranjador, tocou violão, guitarras e baixos em diversas músicas, um parceiro inigualável de talentoso e generosidade. @ze_manoel , imenso compositor, pianista, elegância em pessoa toca em 'noite vazia' e 'orfeu'. as bacantes e suas cavalarias, @mariaberaldo_ e sua irmã igualmente maravilhosa @marinaberaldobastos tocam clarinetes e flautas de pãn em 'abre-alas', 'me destrói', 'teu homem' e 'mal dos trópicos'. o mestre @mauriciobadepercussa foi quem tocou o samba e o terror de mal dos trópicos. meus ídolos do quarteto da cidade de são paulo: betina stegman, marcelo jaffé, nelson rios e rafael cesario, além de bob suetholz e thiago hessel são responsáveis pelas cordas orquestrais. já os sopros noir são de jaziel gomes, jorginho neto, paulo jordão, francisco duarte e daniel d'alcantara. ainda, a contribuição de letra, palavras soltas e poéticas tão próprias de @lianapadilha – meu sonho realizado – na música que leva o nome do álbum. e por fim, o grupo vocal @seiscanta que tiveram a responsa de ser base para a única regravação do disco, o clássico 'nature boy' que teve arranjo original para esse coro de anjos caídos. axé evoé, obrigado imensamente a todos vocês! eu dedico este disco ao bairro de santa cecília e aos amores de novos e velhos tempos: @rafabarion , @vivianwhiteman , @guilhermefalcaopelegrino , @derekfernandes , @launogueira e @marinawisnik 🖤🌿. link para o disco no perfil. #maldostropicos #orfeudaconsolaçao

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Ao longo das nove faixas do álbum, Pethit  canta sobre a ausência de amor e esperança em uma São Paulo mitológica, onde lugares reais, como a Praça da República e o Edifício Copan, viram cenários para a recriação do mito de Orfeu. Com o subtítulo Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação, o disco reimagina o herói grego, cantor e poeta como um personagem urbanoide. Voltando de sua temporada no inferno em busca de Eurídice, ele se depara com um país em luto em pleno Carnaval, enfrenta seus demônios nas ruas da República e tem seu coração devorado pelas Bacantes nos bares da Consolação.

A volta do Orfeu da Consolação é marcada por um álbum imponente e cheio de referências à mitologia grega (Foto: Rafael Barion / Divulgação)

Confira abaixo o tracklist de “Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação)” de Thiago Pethit:

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