* Por Alexandre Schnabl

Um tempero de pesto anda tomando de assalto a moda na SPFW. Se na área de convivência da Bienal o badalo fica por conta do pop up bar do Peppino – queridinho dos paulistanos desde o final de 2016, cuja cozinha e carta de drinques à base de clássicos italianos fica a cargo de Fabio La Pietra (ex-Astor), nascido em Puglia –, grifes de DNA diversos como Animale e Lolitta andam flertando com prazeres da Itália nesta temporada.

Tão carioca quanto Giovanna Antonelli, a Animale optou por uma viagem à ´bota para criar seu inverno a partir da obra de dois mestres, o arquiteto Carlo Scarpa e o designer Ettore Satssas, sem cair no chavão. Impressionante como, a cada estação, Vitorino Campos vai imprimindo de mansinho na grife suas digitais (leia-se recortes geométricos, aversão ao piriguetismo e o apreço pelo minimalismo, por exemplo), mas agradando a big boss Claudia Jatahy na premissa de oferecer uma coleção power female antenada com os desejos das consumidoras. Explica-se: Claudia e o irmão Roberto são famosos no meio por não deixarem a peteca cair na hora de atender àquela mulher exuberante que quer causar, base comercial da marca, independente do diretor de criação e estilista que estejam na equipe. Assim, o botão “sexy” não pode momento algum deixar de ser apertado no painel de comando da Animale. Vitorino tem conseguido conciliar sua visão de moda com a dieta nada frugal da brand para continuar saudável no business.

Animale na SPFW N43 (Foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE / Divulgação)

Por isso, ganha um álbum de Rita Pavone quem intuir que a grife não enveredou pelo caminho óbvio no sentido de criar uma coleção italiana emulando Versace e Cavalli, dois expoentes do design de moda local cujos vestidos sensuais o mulherio arrasa-quarteirão adora. Nada disso. Fugindo do óbvio, a Animale brinca com tweeds, algodão e lã para evocar a alfaiataria precisa dos mestres italianos, criando um paralelo com a arquitetura e desenho industrial. E sensualiza nos couros, rendas e cobras (nos acessórios), capricha nas bolsas, arrasa nas botas com jeitinho de western spaghetti e seca na cartela de cores, austera e feminina como Vitorino ama.

Animale na SPFW N43 (Foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE / Divulgação)

Animale na SPFW N43 (Foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE / Divulgação)

Animale na SPFW N43 (Foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE / Divulgação)

Animale na SPFW N43 (Foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE / Divulgação)

Animale na SPFW N43 (Foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE / Divulgação)

Animale na SPFW N43 (Foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE / Divulgação)

Animale na SPFW N43 (Foto: Marcelo Soubhia / FOTOSITE / Divulgação)

Em outro rumo, a Lolitta se recuperou do desfile morno da edição passada, mostrando novamente o potencial que vem revelando desde quando estreou no line up.  Lolita Hannud também enveredou por um mambo italiano, mas numa vertente bem diferente da Animale. Se inspirou na Commedia Dell’Arte a partir do princípio que as sátiras teatrais encontram paralelo no humor crítico que se faz hoje nas redes sociais. A marca  resgatou arlequins e pierrôs através de suas listras, losangos e quadriculados, jogou com os marrons, sienas e ocres para trazer uma pitada de terracota à passarela. Deu certo, inserindo a exuberância das mangas bufantes e franjas em camadas e zípers laterais no seu tricô minimalista.

Lolitta na SPFW N43 (Foto: Agência FOTOSITE / Divulgação)

Lolitta na SPFW N43 (Foto: Agência FOTOSITE / Divulgação)

Lolitta na SPFW N43 (Foto: Agência FOTOSITE / Divulgação)

Lolitta na SPFW N43 (Foto: Agência FOTOSITE / Divulgação)

Lolitta na SPFW N43 (Foto: Agência FOTOSITE / Divulgação)

Lolitta na SPFW N43 (Foto: Agência FOTOSITE / Divulgação)

Lolitta na SPFW N43 (Foto: Agência FOTOSITE / Divulgação)

Lolitta na SPFW N43 (Foto: Agência FOTOSITE / Divulgação)

Lolitta na SPFW N43 (Foto: Agência FOTOSITE / Divulgação)

Lolitta na SPFW N43 (Foto: Agência FOTOSITE / Divulgação)

Lolitta na SPFW N43 (Foto: Agência FOTOSITE / Divulgação)

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