A cada temporada, o salão de negócios do Minas Trend surpreende pela qualidade dos expositores, com boas coleções que transcendem o tricô e a roupa de festa artesanal – os dois segmentos que mais marcam a moda mineira. Entre fornecedores do Brasil inteiro, ÁS andou circulando pelo evento e selecionou o top five das grifes de acessórios que, pelo design ou lifestyle, são destaque. Confira.

Pela primeira vez, o Sindijoias realizou um desfile coletivo de acessórios (joias e bijous de luxo) no Minas Trend, apresentando o inverno 18. As modelos, todas em brwnco, envergaram produções conceituais em atmosfera barroca, dando ênfase ao maximalismo (Foto : Sergio Caddah / FOTOSITE / Divulgação)

Lenny & Cia.

Lenny Mattos, da Lenny & Cia., surpreendeu o Minas Trend com suas criações. Não que o público fashionista não conhecesse seu trabalho. Mas, que bolsas! Ele dá a dica: “Minha cliente não é uma garotinha millennial que se contenta com somente a mera aparência da peça. Ela tem história e quer coisa boa…” (Foto: Divulgação)

É a volta dos que não foram. Nascido em Lavras, no interior de Minas, Lenny Mattos se fez como papa do design de bolsas e sapatos em mais de 30 anos de carreira. É dos grandes no Brasil e, há alguns anos, andou fechando a flagship da Oscar Freire, duas lojas no Rio, em Brasília, enxugando a estrutura. Muitos – inclusive ÁS, confesso – acharam que o moço havia pendurados as chuteiras, ops, as high heeled shoes.

Nada disso. Ele se reinventou, se adaptou aos novos tempos antes que precisasse virar fênix. Não ressurgiu das cinzas, encolheu e transformou o estresse de administrar mais de 100 funcionários em prazer num exclusivérrimo ateliê, com pouca gente, todos capacitadíssimos, de onde saem bolsas como a de píton nas cores da plumagem de pavão, entre R$ 6.000 e R$ 7.000, e outras mais em conta, em pelica mais macia que pêssego da Califórnia.

Da cobra à ave: em couro de píton, a bolsa tem cores de plumagem de pavão. Itens como esse são destaque na coleção de Lenny & Cia, que mesmo quando lança modelos mais em conta – não é o caso desse! -, opta por materiais de ponta: “Quando uso peixe, é couro de pirarucu, e não o lugar comum da tilápia,muito mais barata!, revela o estilista

Super valeu, e ele até já pensa em abrir loja no Rio, mas se isso não atrapalhar seu get together com a clientela endinheirada que sabe o que quer: “Faço o que elas gostam. Ouço as clientes, é quase uma sessão de psicanálise na qual elas quase cocriam, para eu dar a elas exatamente o que querem”, fala o sagitariano, hoje com 65 anos, que não sabe qual o seu ascendente: “Faço niver perto do Natal, mas não dou a mínima se ganho um presente só”, dispara, contando casos divertidíssimos que ÁS não pode escrever aqui. Pelo menos enquanto os personagens estiverem vivos…

Gissa Bicalho

Madame Aramez é… Gissa Bicalho! Lidando com acessórios há mais de 20 anos, a estilista assumiu seu próprio nome na empresa que cria peças em acrílico, entre elas bijoux e bolsas tão leves quanto originais (Foto: Alberto Wu para Ás na Manga)

Ex-Aramez, Gissa Bicalho é a Doris Day das bijus endiabradas: é ardida como pimenta. Vibra com as criações, conta histórias divertidíssimas, tem um manancial enorme de referências, repertório. Tudo passado com humor. A mineira, que hoje é loura, mas mantém os cabelos curtinhos como a estrela da Universal partner de Rock Hudson, mudou o nome da grife porque anda fazendo um sucesso danado lá fora, em mais de 20 países, com seus acessórios e bolsas em acrílico.

“As pessoas querem saber quem está por traz da marca. É o nosso nome que importa. A turma pensou que eu havia vendido a Aramez e abri outra empresa no meu nome, mas não é nada disso. Amadureci. A vivência no mercado lá de fora abre nossa cabeça”, conta, se preparando para cair de cabeça em outra feira de acessórios em Paris, em janeiro.

Art nouveau futurista: o decorativismo com motivos da natureza, típico do início do século 20, ganha novo fôlego nas peças que estilizam flores e insetos deGissa Bicalho (Foto: Alberto Wu para Ás na Manga)

Entre as três linhas lançadas na feira, Gissa se diverte com as bolsinhas de festa com engrenagens diferenciadas para abrir que mais parecem engenhocas da abertura de Game of Thrones“, de tão geniais. E, em meio à peças de pegada neo pop déco (a estilista ama!), ÁS se encantou com a série de peças que estilizam insetos e flores, numa levada, digamos, géométrique art nouveau… Bom, qualquer neologismo para designar o design de Gissa, no fundo, não passa de mera tentativa de verbalizar o deslumbre!

Ivana Salume

Com cerca de quatro anos de marca própria após uma estrada de 15 desenvolvendo acessórios de resina para terceiros, Sergio Volpi e Ivana Salume já comparecem há algumas edições no Minas Trend, sempre mostrando que poliéster pode ter tratamento vip, se aproximando do âmbar no refinamento visual. Basta ver o fechamento magnético de algumas correntes, luxo! Aliás, essa sua linha (“Elos”) é puro deleite para um editor de moda que degustava, na infância, o trabalho de bambas dessa matéria-prima como Zau ou o casal Jane & Sérgio.

Correntes de elos de resina são uma das marcas do trabalho de Ivana Salume. A cada temporada, novos modelos, cores e efeitos são lançados (Foto: Alberto Wu para Ás na Manga)

Entre as várias linhas exibidas na feira, “África” resgata os elementos típicos do Continente Negro, tipo marfim, máscaras tribais, ossos e animais como elefantes. Zulus, Masai e outras etnias agradecem a homenagem em forma de peças poderosas somente para aquelas que sabem (e podem!) envergar maxi bijus. Além das multimarcas, o e-commerce promete bombar.

Máscaras e o artesanato tribal africano ganham interpretação em resina pela Ivana Salume na linha “África” da coleção de inverno 18 (Foto: Alberto Wu para Ás na Manga)

Palone Design

Direto de Natal para o mundo, Palone Leão é fofa na vida, mas power no design. Nascida em Recife, mas radicada na capital potiguar, cria peças com visual de balneário chique que traduzem o lifestyle das poderosas que não abrem mão do mar, do sol e da brisa, mas querem lacrar na promenade. A loura sabe causar com peças de impacto, graúdas ou nem tanto, entre brincos, argolas, maxicolares e pulseiras que transformam qualquer look de camisa branca e jeans no modelito ideal para curtir o dolce far niente em Capri, Positano, Cannes, Hamptons, Seychelles, Rio…

Palone Leão: designer nascida em Natal, ela se fez na capital potiguar e hoje é responsável por uma brisa de inovação no estilo “balneário de luxo”, com seus acessórios sofisticados (Foto: Alberto Wu para Ás na Manga)

Colares com corais e turquesas são pièce de resistance na coleção da Palone Design que, independente da temporada, investe no dolce far niente fashion (Foto: Alberto Wu para Ás na Manga)

Entre as boas formas orgânicas que remetem às profundezas marinhas e outras mais secas, os jogos de cores nos tradicionais turquesa, azul profundo, ultramarino e coral ganham novas nuances tão delicadas quanto capazes de performar em colos, pulsos e orelhas. Precisa dizer  mais?

Colares com corais e turquesas são pièce de resistance na coleção da Palone Design que, independente da temporada, investe no dolce far niente fashion (Foto: Alberto Wu para Ás na Manga)

O nome parece de novo talento musical prestes a despontar no The Voice, mas trata-se outro potiguar, assim como Palone, só que radicado no Recife. Os calçados de Jailson Marcos são um abuso, resultado de quem vê a construção de sapatos de forma arquitetônica. Mas, não é só isso. A modernidade dos cabedais, do detalhamento, mais a cartela decores que inclui um jade de cair o queixo, fazem do rapaz o suprassumo para quem pretende fazer os outros abrirem a boca olhando para os pés.

A linha de calçados em verde jade foi destaque de Jailson Marcos no Minas Trend. Agora, suas peças modernas e agênero chegam ao Rio em loja própria (Foto: Ás na Manga)

De tirar o fôlego a maneira o shoe maker flana do design estrutural para uma lufada étnica nada óbvia e, sobretudo, moderna, sem rescaldo de regionalismo oportunista. Primeira boa notícia: sem fazer alarde, mas lidando com a questão naturalmente, boa parte das flats são agênero, indo do 34 ao 44. Acima disso, sorry, mas os jogadores de basquete mundo afora sofrem mesmo mundo afora.

Botas com forma diferenciada e trabalho de patchwork artesanal são vitrine da visão única de moda do estilista de acessórios Jailson Marcos (Foto: Ás na Manga)

Segunda novidade: a marca abre loja própria no Rio, em Ipanema, na galeria 444, nesta terça-feira (10/10). Eba.

Bônus: Hector Albertazzi

Com quartel-general em São Paulo, Hector Albertazzi começou há vida como joalheiro, em 1983, para depois cair de amores pela biju de alto luxo, na qual mistura pedras semi-preciosas e todo aquilo que reluz. Ele contribui com peças desenvolvidas para grifes de roupas, como Alexandre Herchcovitch, Iódice, Lolitta e Á La Garçonne, e desenvolveu uma orquídea para o casamento de Sandro Barros e Bruno Astuto que agora foi reeditada para a união de Marina Ruy Barbosa e Xandinho Negrão.

Luxo, do boudoir às Folies Bergère: Hector Albertazzi aposta na reedição da sofisticação retrô para criar peças exóticas que não saem de moda (Foto: Alberto Wu para Ás na Manga)

Com coleção de verão batizada de Realeza Tropical“, a grife mesclou elementos da nobreza oitocentista coma exuberância da natureza, como flores e papagaios, em formas criadas para quem curte a soberania de um bom acessório. Para o inverno, continua a levada orgânica, mas em misturas que evocam certo quê vitoriano ou eduardino. São peças que não saem de moda nunca. As consumidoras agradecem.

Sindijoias no Minas Trend – Inverno 18 (Foto : Marcelo Soubhia / FOTOSITE / Divulgação)

Sindijoias no Minas Trend – Inverno 18 (Foto : Sergio Caddah / FOTOSITE / Divulgação)

Deixe seu comentário

Seu email não será publicado.