*Por Andrey Costa

Chegou chegando. Foi assim a Semana de Moda de Londres, que apresentou seu outono-inverno 19/20 com coleções ousadas, questionadoras e relevantes. Em meio ao caos que paira sobre a terra dos reis e rainhas, com da saída do Reino Unido da União Europeia, a temporada foi da discussão do consumo desenfreado a questões ambientais. Por isso, ÁS elege o Top 5 da Semana de Moda de Londres. Chupa essa, Trump!

Burberry

Na sua segunda coleção para a Burberry, Riccardo Tisci enveredou por uma coleção reflexiva. Na tentativa de atualizar a marca, ele investiu novamente na promoção do novo logotipo Burberry (ah, como ele adora!) e brincou com o seu sportwear chique. De quebra, na véspera da implementação do Brexit, o desfile trouxe um look todo preto com casaco doudoune e uma capa que simulava um para-quedas. Alusão fácil à opinião do estilista sobre a saída do Reino Unido da União Europeia: um imigrante italiano à frente de uma tradicional label inglesa. Novos tempos. De quebra, o marrom que dominou a cena em Nova York…

Burberry / aw19/20: reflexão sobre o momento político (Fotos: Divulgação)

Mary Katrantzou

Tipo ‘Lucy in the Sky with Diamonds‘: Mary Katrantzou nos fez sonhar com suas fotografias que viraram obras de arte ao serem bordadas e pintadas nos vestidos e maxi-casacos apresentados nessa coleção plena de psicodelia. Um pronto para vestir ousado, com peças dignas de um acervo futurístico.

Mary Katrantzou / aw19/20:  espaço, a fronteira final, de preferência com o visual de alguma civilização chique intergalática   (Fotos: Divulgação)

Roland Mouret

Com um squad poderoso de modelos negros(as), Roland Mouret brincou com texturas na sua alfaiataria classy, agregando uma imagem sexy pouco literal. Transitaram modelagens amplas de casacões em lã, lenços de seda com estampas corridas, recortes que desafiam até a mais arguta modelista de plantão com assimetrias apaixonantes.

Roland Mouret / aw19/20: a pele mais bonita do mercado é a pele negra. De preferência, com azuis glaciais e os marrons da vez (Fotos: Divulgação)

Vivenne Westwood

“Algo precisa acontecer esse ano!”: musicalizando o protesto, ÁS arrisca dizer que Vivienne Westwood apresentou sua coleção mais autoral em anos. Rainha-mor do punk de boutique, além de lançar a frase das aspas, estampou nas suas roupas mensagens-presságio anticonsumistas. Modelos surgiram com uma belezura cara de pau. Como assim, amorzinho? Ora, a make simulava troncos de árvores, alusão à matéria-prima que mais sofre com a produção têxtil. Afinal, todos somos responsáveis pelo desmatamento quando envergamos roupas das quais sequer conhecemos a origem. Apesar da contradição de ela estar a vender essas roupas anticonsumo, o discurso convence? Bom, é Vivienne, não é? E, considerando o esvaziamento de Paris com o sumiço do estilista-personagem que a morte de Karl Lagerfeld representa (leia mais aqui), mais que nunca os holofotes podem vir a se voltar mais e mais e mais para Vivi.

Vivienne Westwood / aw19/20: moda autoral a dar com o pau (Fotos: Divulgação)

Toga

Yasuko Furuta mais uma vez nos brinda com uma coleção de narrativa curiosa. A marca japa Toga, famosa por vestir uma mulher forte e complexa, cruza fronteiras com peças inspiradas na cultura do Oriente Médio e Ásia que já serviram de ponto de partida de marcas como Prada e Louis Vuitton em suas coleções mais recentes.  O mundo todo numa passarela só, numa só volta. Interessante quando se pensa na saída da Grã-Bretanha, que com seu vasto Império inventou conceitos como cosmopolitismo e globalização, da União Europeia.   

Toga / aw19/20: moda autoral a dar com o pau (Fotos: Divulgação)

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