A moda é cíclica. E, para o stylist e diretor de moda Giovanni Frasson, que assinou nesta noite de quarta-feira (5/4) o fashion show de estreia da Unity 7 no Minas Trend, a beleza das modelos também se renova. No backstage da marca, ÁS bateu aquele papo com este profissional de 56 que traz no currículo mais de 30 de moda , além de uma deliciosa bíblia publicada em 2014, “Giovanni Frasson Dez Mil Novecentos e Cinquenta Dias de Moda (Editora Luste), na qual celebra sua trajetória. E ele vaticina: “Vivemos a era do multiculturalismo também na passarela”. Confira!

Giovanni Frasson e as modelos da Unity 7, no Minas Trend: para contar uma narrativa de moda na passarela, biótipos diferentes no casting e a redução da cartela de cores da coleção (Foto: Alberto Wu para Ás na Manga)

De volta à edição de moda dos desfiles após algum tempo (marcas como Graça Ottoni e Tessuti contaram por anos com o seu olhar), Giovanni dá a deixa daquilo que é importante para um produtor de moda mirar na hora de colaborar com uma grife estreante no line-up de um evento: “Identificar a sua essência, valorizando isso em detrimento de outros aspectos não tão marcantes. Aqui na Unity 7, o vital foi destacar a construção, a fluidez dos vestidos de festa, os babados e nesgas. Acabamos optando por mostrar tudo isso através da cartela de tons pastel, embora a marca trabalhe com um espectro cromático maior na venda”.

Doçurinha: verão delicado da Unity 7 no Minas Trend (Foto : Sergio Caddah / FOTOSITE / Divulgação)

“E isso não poderia causar uma espécie de ciúme no estilista, visto que essa visão de moda na passarela acaba se tornando assinatura do stylist?”, indaga ÁS. O moço é categórico: “Às vezes sim, geralmente não. Esse olhar transversal do produtor permite esse arejamento, esse novo tempero sobre uma coleção que já estava sendo cozinhada pelo designer há meses. E a gente vai sugerindo coisas que não existiam na coleção, mas se mostram necessárias. Agora, foi o acréscimo das nesgas nas peças, preparando o terreno para que, na próxima apresentação da marca, essa interação styling/design já possa dar um passo adiante”.

Fila final no Minas Trend: Giovanni Frasson dá a última conferida na edição de moda da Unity 7 (Foto: Alberto Wu para Ás na Manga)

Para arrematar, ele observa uma questão que considera crucial: “Não creio que o styling hoje seja o mais importante na passarela. A montagem do look individual se tornou menos impactante que a edição de moda, a ‘sequência de montagens desfiladas que termina na fila final. Ainda mais hoje, com crise econômica que não permite quase nunca arroubos de cenografia, uma coleção bem editada ganha mais relevância no conjunto, assim como a paginação de um editorial como um todo numa revista se sobrepõe as imagens unitárias”.

Biodiversidade na passarela: Giovanni Frasson destaca a importância atual de variar a beleza na moda, ao invés de uniformizá-la nos desfiles (Foto: Alberto Wu para Ás na Manga)

Time de morenas contracena com negras no bate-volta da Unity 7: 20ª edição do Minas Trend acompanhou a tendência global de variar na diversidade estética. Para o stylist Giovanni frasson, “essa questão está na ordem do dia e extrapola a implantação de cotas, funcionando naturalmente (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

Giovanni também fala sobre o tipo de beleza das modelos ter mudado recentemente: “Vivemos uma era na qual o tipo de corpo é mais importante que o rosto. São tempos de globalização, de multiculturalismo. A passarela pede essa diversificação de belezas, etnias. É preciso ter brancas, negras, russas, negras caribenhas, orientais e até as trans, como a Valentina Sampaio. E olha que a beauty oriental é amplo porque japonesas, coreanas e chinesas não são iguais. E ainda temos as orientais morenas, com jeito de tailandesas. As brasileiras agora não estão tão na moda, mas ainda persistem”.

A cearense Valentina Sampaio na capa de março da Vogue Paris: presença da modelo transgênero na publicação – primeira vez que uma modelo do tipo estrela um editoral da revista – corrobora a visão atual de que a beleza hoje na moda precisa ser plural (Foto: Divulgação)

Para eles, biótipos como a da britânica Adwoa Aboah, a norte-americana Dilone (nenhuma das duas parece uma cidadã típica) e a chinesa Fei Fei Sun representam essa biodiversidade étnica que invadiu as passarelas em tempos de mídias sociais: “O que se torna significativo agora é fazer o casting considerando as medidas de corpo que uniformizem o time, porque os rostos são diversos. A padronização das alturas e larguras de ombros, por exemplo, são mais fundamentais que limitar as belezas”.

A britânica Adwoa Aboah: integrante da hot list no ranking da models.com, a morena é sucesso e uma das preferidas da indústria da moda em 2016 (Foto: Reprodução)

Com ar de pop star do hip hop, a estadounidense Dilone costuma ser selecionada para trabalhos nos quais sua beleza, ao mesmo tempo exótico e comum, precisa criar empatia com o público jovem, os GenZers que se criaram na internet (Foto: Reprodução)

Esqueça a estrela de cinema Gong Li como a primeira oriental a ingressar no time de top models da L’Oréal nos anos 1990. Ao mesmo tempo bela e transgressora, Fei Fei Sun é um dos rosto orientais do momento no cenário da moda (Foto: Reprodução)

Ari Westphal: brasileira que teve carreira meteórica no Brasil e no mundo após um erro do cabeleireiro representa a nova beleza multirracial dsa qual Giovanni Frasson se refere como “a da moda de hoje ” (Foto: Reprodução)

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