* Por Alexandre Schnabl

Mensalão, Lavajato, corrupção, desvio de verbas públicas, enriquecimento ilícito da classe política, estados falidos sucateados por governadores mafiosos. Como se não bastasse, nesta última sexta-feira (17/23), a Polícia Federal deflagrou a operação Carne Fraca, que desvendou adulterações na carne processada no país com a conivência de quase três dúzias de agentes da vigilância sanitária e de dois partidos políticos. Apesar de lamentável, a notícia não poderia ser mais oportuna à apresentação da Amapô, que retornou à São Paulo Fashion Week com desfile-protesto que trazia como tema o circo, metáfora adequadíssima ao Brasil de hoje.

Amapô na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

Última sobrevivente no line-up de uma cepa de criadores abravanados que já contou com Marcelo Sommer, Neon e Fabia Bercsek, a grife de Carô Gold e Pitty Taliani já demonstrava maturidade criativa há várias temporadas: o jeanswear porreta das meninas pertence à frente de resistência que ainda luta para manter a SPFW autoral, em meio a tantas marcas comerciais. Melhor: a Amapô alcançou a excelência de quem oferece originalidade com um produto bem acabado, cheio de bossa e identidade única.

No picadeiro das garotas, modelos desfilaram ao som de standards da música norte-americana como Night’n’Day e Happy Days“, entoados pela ótima e avantajada Misty. Comparecem nesse circo estilístico de primeríssima Houdinis ilusionistas em looks amarrados (alusão ao povo brazuca que se vê imobilizado diante da roubalheira), gêmeas siamesas, mágicos com fraques desconstruídos, além criaturas com calças bufantes e macacões moderninhos que evocam palhaços metafóricos (nós!). Tudo num exercício criativo muitas vezes usável, mas que nunca termina em marmelada.

Amapô na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

Amapô na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

Neste cirquinho fashion, surgem uma sucessão jeans de diversas lavagens, listras em paetês, poás de vários tamanhos (por sinal, quase uma constante nesta temporada), jogos de preto & branco, comprimentos cropped, modelagens com pontas que remetem ao topo das tendas e um interessante tramado em índigo que reproduz os nós das cordas usadas para por a lona de pé. Destaque para os moletons que trazem maxi aplicações de palhaço e elefante, e para os modelitos para crianças, que se encarregaram de adocicar o público.

Malhas lúdicas com maxi aplicações circenses na Amapô: resumo do alto grau de desenvolvimento de produto versus irreverência que a marca chegou (Foto: Gabriel Barrera para Ás na Manga)

Malhas lúdicas com maxi aplicações circenses na Amapô: resumo do alto grau de desenvolvimento de produto versus irreverência que a marca chegou (Foto: Gabriel Barrera para Ás na Manga)

Amapô na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

Amapô na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

Amapô na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

Amapô na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

Amapô na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

Amapô na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

Amapô na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

Amapô na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

O cabelos frisados com volume e olhos com cílios enormes foram a opção de Ricardo dos Anjos para uma visagismo que acendeu a coleção da grife, conciliando o bom humor com plasticidade.

Amapô na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

Aos poucos, a LAB vai ocupando na SPFW o espaço deixado pela Cavalera, que não desfila há algumas temporadas. A herança musical de Emicida, à frente ao lado do irmão Evandro Fióti, se encarrega de impregnar a grife de atitude transgressora e pegada street, bem aos moldes da descolada brand de Alberto Hiar. Pela segunda vez fechando o evento, a LAB continua fundo na investigação das raízes: dessa vez a Mãe-Áfricxa da coleção passada dá vez ao samba numa narrativa fashion que traz à passarela um garoto skatista que escuta rap, mas que herdou o guardarroupa do avô, sambista dos thirties. Está dada a largada para a marca misturar alfaiataria com streetstyle, bem ao gosto do diretor criativo João Pimenta.

Com presença do baluarte do samba Wilson das Neves e da mãe dos rapazes, Jacira Roque Oliveira – bordadeira de mão cheia com serviços prestados ao carnaval – a coleção evolui sob o gogó power de Fabiana Cozza, divante.

LAB na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

LAB na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

Mais elaborada que a primeira coleção desfilada, a nova fornada de peças lacra na alfaiataria e no uso do couro, e os looks em risca-de-giz são must have para qualquer homão que se preze. As camisetas que terminam em babadões, para eles e para elas,  são evolução do trabalho que João Pimenta elaborou para a própria grife na edição passada, mas que agora encontram a devida adequação aristotélica. Perfeitinho dessa vez.

E os jogos de feminino vs. masculino em peças que funcionam agênero, sem exageros, são boa pedida para ambos os sexos. Tem garotão de vestido com bolso canguru, menina com paletó masculino, paetês para eles e elas, bomber com bermuda para a gordinha estilosa em resultado que imprime personalidade empoderada. O que importa aqui não a genitália, shape ou a opção sexual, mas a atitude marrenta…

LAB na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

LAB na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

LAB na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

LAB na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

LAB na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

LAB na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

LAB na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

LAB na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

LAB na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

LAB na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

LAB na SPFW N43 (Foto: FOTOSITE / Divulgação)

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