*Por Lucas Montedonio

Respire fundo. Clamor, fúria, volúpia, corpos dançantes, apelos político-românticos, cultura livre de rua na noite, amor, sexo desenfreado. A força coletiva e ancestralidade é a maneira que a NoPorn produz música electro viajandona melódica para levantar o astral dos apaixonados. Após hiato de 10 anos, a dupla composta por Liana Padilha e Luca Lauri lança seu segundo álbum – BOCA – na festa Rebola, que acontece dia 17 de dezembro na quadra da Escola de Samba Vizinha Faladeira.

Neste meio-tempo, 0 duo não esteve parado à espera de uma oportunidade midiática, pelo contrário! Entretanto, sua densidade poética não lhe permitia abrir a boca sem ter o que falar. Se antes os  cantores falavam de perdas, agora é sobre encontros e a descoberta da paixão amorosa. O novo álbum conta uma história de amor por meio de diferentes fases de um relacionamento. O tema não é nada novo, mas, sob a ótica de Liana e Luca, super vale a conferida, pois é assunto eterno.

Romance tribal, ácido e doce, mirando o escuro, dark tropical sobre poliamor e que ainda conta com a participação de Thiago Pethit em uma de suas faixas

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Poesia cheia de sacanagem para os corajosos: Liana Padilha (dir.) e Luca Lauri (esq.) formam a NoPorn, que lança seu novo álbum BOCA com tracklist turbinada de fetiche (Foto: Cande Salles / Divulgação)

Assista ao clipe da primeira faixa do álbum ‘BOCA’:

O primeiro disco homônimo lançado há 10 anos serviu como registro histórico de um momento de transição na cultura na noite paulistana. O clube era o Xingu, projeto de arte e diversão de Zeca Gerace e Victor Correa que funcionou por dois anos como uma reposta tropical às transformações provocadas pela cultura electroclash na música, na moda e no comportamento da primeira década do século 21.

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“Maiô da mulher maravilha” é um dos hits de pits para alavancar a autoestima e delirar com a letra de Liana Padilha, Eduardo Logullo e André Lima (Foto: Divulgação)

Agora, o cenário para o lançamento do álbum BOCA será na badalada Rebola, que reúne um naipe de criaturas que realizam rituais de dança e libertação do corpo físico e espiritual. Pois bem, é lá que o chão vai tremer com o show da NoPorn. O coletivo realiza uma série de festas em locais inusitados no Rio de Janeiro convidando deejays importantes da cena eletrônica, como Carrot Green, Felipe Sá, Peri Zorzella, AD Ferreira, além de shows das Tinta Preta, Grupo Afro Agbara Dudu, entre outros.

Configurada como uma festa que busca uma nova mitologia urbana, idealizada pelo artista visual João Penoni e o pesquisador dublê de professor Bruno Balthazar – que encarnam os DJs Faraófys e Galo Preto a Rebola promove aquele batuque pronto perfeito para incorporar a Sebatiana que existe dentro dos cariocas e introspectar os sons produzidos pela periferia. Tambor ancestral que aponta para o futuro. Precisa dizer mais?

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Capa do segundo álbum da NoPorn hipnotiza na vibe techno melancólica (Foto: Divulgação)

Nas palavras do queridíssimo bamba e pensador contemporâneo e amigo querido do ÁS, Jackson Araujo: “Abertura do sopro, buraco da palavra, via de desejos saciados. É porta do paraíso, mas fácil entrada pro inferno. Capacidade organizadora da razão é também força de destruição. Edifica, como desconstrói. Sussurra, engole, fala, canta, suspira, grita, geme, responde. Assim é BOCA”.

Assista ao clipe do single ‘Cavalo’ da dupla NoPorn,
hit de pista com palavras repetidas que já nascem gíria:

Serviço:

NoPorn lança álbum ‘BOCA’ na Rebola

Local: Quadra da Vizinha Faladeira | Rua da Gamboa, 345, Gamboa
Data: 17 de dezembro
Abertura da casa: 23h
Ingressos: R$20 (antecipado) | R$20 até 0h30 e depois R$30 (na porta)
Formas de pagamento: todos os cartões são aceitos
Venda online: www.eventick.com.br – a partir de 07.12
Capacidade: 1.500 pessoas

* Nascido na cidade imperial de Petrópolis, o pianista amador ganhou o mundo ainda adolescente quando fez intercâmbio nos Estados Unidos. Nessa época sua terceira visão despertou e o moço se entregou ao budismo tibetano. Pura estratégia para dominar a vaidade interior. Estudou comissaria de bordo, mas preferiu o jornalismo e, hoje, entre retiros espirituais com rinpoches, encontros com lamas e entrevistas espevitadas, o sagitariano usa sua vocação para o tietismo como contraponto à eterna busca do santo nirvana.

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