Pedra fundamental da moda de rua, a Levi’s comemora os 143 anos do seu icônico modelo 501® com um projeto especialíssimo: a Casa Levi’s, espécie de quartel-general pop up que funcionará a partir desta quinta-feira (17/3) num casarão no bairro de Santa Cecília, na capital paulista, e passou por um extreme makeover para se transformar em centro cultural. Até o dia 10 de abril, será quase um mês de exposições, eventos gastronômicos, shows, cinema e badalo para celebrar o aniversário dessa que pode ser considerada uma das bases do streetstyle, tudo 0800 para quem chegar a fim de ver o que rola. A convite da marca, ÁS compareceu ao evento de pré-lançamento para conferir em esquema privê seu conteúdo e desfrutar desse espaço bacana. Tudo no melhor espírito indie, aditivado por uma cerva geladinha, uísque on the rocks, coca-cola em embalagem gourmet, hot dogs endiabrados e picolés da Diletto.

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Casa Levi’s: quartel-general índigo do comportamento celebra em SP os 143 anos de estrada do modelo 501 (Foto: Divulgação)

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Estilo + grafiti + comportamento = mureta da Casa Levi’s traz arte urbana em sua extensão (Foto: Divulgação)

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Figurinha fácil na SPFW, a estilosíssima Magá Moura demonstra um produto para os fotógrafos na Casa Levi’s (Foto: Divulgação)

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Na Casa Levi’s, a marca exibiu nova coleção para os convidados private nesta terça-feira (15/3) (Foto: Divulgação)

A Levi’s tem estrada. Quando a 501® foi concebida, a Itália e a Alemanha haviam acabado de serem criadas enquanto projeto de nação, os Estados Unidos ainda desbravavam o Velho Oeste e o Brasil vivia um império dos trópicos. O sol não se punha nunca na vastidão do Império Britânico, comandado por uma pudica rainha viúva. O cinema não havia sido inventado, nem o samba, muito menos o rock, ritmo que embala o jeanswear. A teoria da evolução das espécies de Darwin ainda causava incômodo na turma que acreditava no sopro divino de forma dogmática e Sigmund Freud era um mero adolescente longe de dar a luz à psicanálise.

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Modelo 501: produto emblemático da Levi’s se confunde com a própria história do streetstyle, desde os primórdios – quando o europeu Levi Strauss teve o insight de faturar com a corrida do ouro, fornecendo uniformes de trabalho para a nova classe proletária rural – até sua migração para o ambiente urbano, seduzindo gerações de jovens estudantes por se associar ao espírito fabricado do herói que consolidou o território norte-americano, o caubói (Foto: Divulgação)

Pior, o planeta sequer desconfiava de que, entre a infância e a vida adulta existia uma fase chamada adolescência, coisa que só viraria chavão cerca de 70 anos após da invenção da famosa calça e depois de duas guerras mundiais. Não existia o conceito de juventude atrelado ao consumo e a mulher mal começava a dar seus primeiros passos rumo à emancipação que só viria quase um século depois, convivendo apenas com o embrião de uma imprensa feminina, contemporâneo do surgimento da Levi’s. Sim, quando as sufragettes começaram a fazer barulho, a 501® ainda estava restrita ao ambiente rural norte-americano e não havia conquistado o proletariado urbano, muito menos os jovens preppers endinheirados que lançariam os pilares da moda confortável como contraponto ao vestuário de apresentação formal.

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Muito antes da fêmea embalada em jeans: no início do século 20, enquanto as mulheres bradavam o direito ao voto em modelitos eduardinos, o índigo já conquistava o cenário campestre americano, antecipando a febre que o consagraria como produto revolucionário da moda a partir dos anos 1940, nas grandes metrópoles (Foto: “As Sufragistas” / Divulgação)

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O atrapalhado operário vivido por Charles Chaplin em “Tempos modernos” (1936) já revelava o macacão sarjado como o uniforme definitivo da classe fabril, pela equação preço versos praticidade & conforto. Uma calça jeans ainda não tinha o valor agregado atual e custava, na época, pouco mais de um dólar nas lojas dos grandes centros urbanos (Foto: Reprodução)

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Casa Levi’s: projeto cultural tem acabamento digno de merchandising visual de primeira (Foto: Divulgação)

Com projeto visual assinado por Pedro Mendes e Camila Klein, a antiga casa da Associação Santa Cecília se torna agora um diversificado espaço que dá vazão à verve urbanoide alternativa da Levi’s, funcionando de quinta a domingo com revezamento de repertório e de opções gastronômicas babadeiras.

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Galeria de arte vira pista de dança e plateia de shows na Casa Levi’s, projeto que celebra os 143 anos da icônica 501 (Foto: Divulgação)

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Capitonê no bar: ambientação da dupla Pedro Mendes e Camila Klein assume a estética cool retrô que é marca da Levi’s (Foto: Divulgação)

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Gostosuras e travessuras para se comer com o estômago e os olhos: rodízio de chefs com gastronomias diversas toma conta da programação na Casa Levi’s (Foto: Divulgação)

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Casa Levi’s: cuidado minucioso faz do projeto temporário espécie de Disney do jeans. Cada detalhe é pura história da moda (Foto: Divulgação)

E como a música embala a Levi’s, o som tem participação destacada no agito, como afirma a gerente de marketing da brand no Brasil, Marina Kadooka, grávida de três meses, mas com uma salopette jeans emoldurando seu shape de grávida pop: “A grife carrega em seu DNA a veia participativa, envolvida com comunidades, movimentos, artistas e líderes dos locais próximos às suas sedes mundiais. Fazer parte de um todo é o que nos torna uma marca que transcende a moda”. Na private party de opening desta noite de terça-feira (15/3), foi delírio ouvir ao vivo Nação Zumbi reciclando a música de Benjor numa outra pegada.

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Nada de maracatu atômico: Nação Zumbi embarca no sambalanço de BenJor no show que inaugurou o palco da Casa Levi’s no pré-lançamento do projeto (Foto: Divulgação)

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Nada de maracatu atômico: Nação Zumbi embarca no sambalanço de BenJor no show que inaugurou o palco da Casa Levi’s no pré-lançamento do projeto (Foto: Divulgação)

Por isso, nas quintas-feiras rolam shows de blues e jazz, as sextas são dedicadas ao melhor do indie e os finais de semana são voltados para aquela programação família, com festas intercaladas com cineminha e até live painting.

E, como a moda anda de braços dados com as mídias audiovisuais, serão exibidos clássicos da cinematografia mundial que colaboraram na consolidação do índigo como cultura mainstream, mesmo com sua constante pecha revolucionária. Afinal, Depois do jeans (e da Levi’s®), o mundo nunca mais foi o mesmo, nem a maneira de se vestir.

Já neste sábado (19/3), será apresentado às novas gerações Juventude Transviada” (Rebel without a Cause, de Nicholas Ray, 1955), longa que definiu James Dean como o arquétipo do rebelde sem causa e estabeleceu os parâmetros do jeanswear como comportamento de consumo associado ao frescor da juventude, independente do RG de quem o veste.

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Dean e o visual motoqueiro que se tornou clássico da moda, imortalizado em “Juventude Transviada”: jaqueta perfecto, camisa branca e uma Levi’s (Foto: Reprodução)

Assim como este, O Selvagem” (The Wild One, de Laslo Benedek, 1953), filme sobre gangues de motoqueiros  que antecipou a cultura beatnik e transformou Marlon Brando numa força bruta da estética jovem, faz parte da programação do cineminha, tal qual Sem destino” (Easy Rider, de Dennis Hopper, 1969), baluarte da contracultura que transformou Jack Nicholson e Peter Fonda em símbolos de uma lisérgica viagem na direção do seu “eu interior”.

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Visual hypado de Marlon Brando em “O Selvagem”: estética beatnik que arremata o jeans com jaqueta de couro, quepe e boots será apresentada às várias gerações na Casa Levi’s no dia 26/3 (Foto: Divulgação)

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Três marmanjos e um jeans viajante na Rota 66: desbravamento da própria psiquê é tema do filme-símbolo da contracultura, “Easy Rider”, que pôs no mapa do cinema Peter Fonda e Dennis Hopper (Foto: Reprodução)

Já o western Rastros de Ódio” (The Searchers, 1956) se mostra imperdível como um dos maiores exemplares do gênero e um dos pontos altos da carreira do diretor John  Ford, explorando através do maior de todos os caubóis da telona, John Wayne, os signos de bravura e virilidade. O figurino de Charles Arrico é épico nesse sentido.

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Jeffrey Hunter e John Wayne em ação no longa “Rastros de ódio”: obra-prima do faroeste faz parte do line up de baluartes da Sétima Arte que evocam o jeanswear nas telas (Foto: Reprodução)

Ah, nos findes é possível até levar seus pets à Casa Levi’s®, e a possibilidade de seu lulu latir ou seu bichano começar a miar pedindo uma coleira em índigo estonado é enorme. Prepara-se…

Em tempo: o doc “Documentário 501® é verdadeira aula de comportamento e tribos urbanas, do tipo que deixaria inebriado o pesquisador Ted Polhemus – criador de conceitos como “supermercado de estilos” e autor de Streetstyle (editora Thames and Hudson). Imperdível!

Confira abaixo toda a programação:

 QUINTA-FEIRA – 17/03

Quinta Blues

18H00 – Abertura para o público

21H00 – Show – Ozório Trio

Cozinha: Massaria Di Stefannichef Luciano Felix

  • Abertura de exposição
  •  Fotografia: Rafael Pavarotti e Rogério Cavalcanti
  • Artes plásticas: Marco Aurélio Rey

SEXTA-FEIRA – 18/03

Sexta independente

18H00 – Abertura para o público

21H00 – Selo RISCO apresenta Mustache & Os Apaches

Cozinha-  Ghee Banqueteria

SÁBADO– 19/03

FESTA

14H00 – Abertura para o público

14h30 – Prática DeRose

16H00 – festa Venga-Venga

Cozinha – Bianca Bertolaccini

Cineminha – documentário 501® / Juventude Transviada“, com James Dean

Live paintApolo Torres

Espaço para brincadeiras de quintal e dog friendly

DOMINGO– 20/03

RELAX

14H00 – Abertura para o público

18H00 – Show Lara e os Ultraleves

Cozinha –  Petit Gastronomiachef  Victor Dimitrow

Cineminha – Para sempre Teu – Caio F. Abreu“, o sensível longa dirigido por Candé Salles que fez sucesso no Festival do Rio (2 sessões)

Espaço para brincadeiras de quintal e dog friendly

QUINTA-FEIRA – 24/03

Quinta Blues

18H00 – Abertura para o público

21H00 – Show – Bocato

Cozinha – Marcus Santander

*Abertura de exposição – Fotografia: André Batista

Artes Visuais: Gabriel Pitangarcia

SEXTA-FEIRA – 25/03

Sexta independente

18H00 – Abertura para o público

21H00 – Balaclava Records apresenta P A R A T I

Cozinha – Talita Campos

SÁBADO– 26/03

FESTA

14H00 – Abertura para o público

14h30 – Prática DeRose

16H00 – festa Despacho

Cozinha – Coletivo Cookers

Cineminha – “Documentário 501®  e o clássico O Selvagem

Live paintGrazie Gra

Espaço para brincadeiras de quintal e dog friendly

DOMINGO– 27/03

RELAX

14H00 – Abertura para o público

18H00 – Strobo e  Baobá Stereo Club

Comidas – Prato Feito

Cineminha – Documentário 501®” / “Rastros de Ódio

Espaço para brincadeiras de quintal e dog friendly

QUINTA-FEIRA – 31/03

Quinta Blues

18H00 – Abertura para o público

21H00 – Show – Otis Trio

Cozinha – Luciana Gonzales

Abertura de exposição – Fotografia: Alessandra Levtchenko

  • Artes plásticas: Valter Nú

SEXTA-FEIRA – 01/04

Sexta independente

18H00 – Abertura para o público

21H00 –  Mono.Tune Records apresenta FingerFingerrr

Cozinha – HM food

SÁBADO– 02/04

FESTA

14H00 – Abertura para o público

14h30 – Prática DeRose

16H00 – festa Sistema Negro

Cozinha – FishBone chef Fredy Borba

Cineminha – Documentário 501® / Prisioneiro do Rock and Roll” (Jailhouse Rock,  de Richard Thorpe, 1957, com Elvis Presley)

Live paintKaur

Espaço para brincadeiras de quintal e dog friendly

DOMINGO– 03/04

RELAX

14H00 – Abertura para o público

18H00 – Show – Beach Combers

Cozinha – Holy Burgue

Cineminha – Documentário 501® / Os Desajustados (The Misfits, de John  Huston, 1961, com Marilyn Monroe, Clark Gable e Montgomery Clift)

Espaço para brincadeiras de quintal e dog friendly

QUINTA-FEIRA – 07/04

Quinta Blues

18H00 – Abertura para o público

21H00 – Show – Martinez

Cozinha – Baderna Food – chef  Lívia Collino

  • Abertura de exposição –Fotografia: Debby Gram
  • Artes Plásticas: Luiz Martins

SEXTA-FEIRA – 08/04

Sexta independente

18H00 – Abertura para o público

21H00 – Uivo apresenta Inky

Cozinha – RuAAchef  Flávio Tupinambá

SÁBADO– 09/04

FESTA

14H00 – Abertura para o público

14h30 – Prática DeRose

16H00 – festa Jambox

Cozinha – Gui Bonfim

Cineminha – Documentário 501® / A Vida Privada“,  1962, com Brigitte Bardot)

Live paintBruno Perê

Espaço para brincadeiras de quintal e dog friendly

DOMINGO– 10/04

RELAX

14H00 – Abertura para o público

18H00 – Show – Kubata

Cozinha – Prato Feito

Cineminha – Documentário 501® / Sem Destino“, (Easy Rider1969) – Dennis Hopper, Jack Nicholson e Peter Fonda

Espaço para brincadeiras de quintal e dog friendly

Serviço:

Casa Levi’s®

Entrada gratuita

Rua Vitorino Carmilo, 449 – Campos Elíseos

Quintas e sextas – a partir das 18 hs

Sábados e domingos – a partir das 14 hs

2691-0262

www.levi.com.br/casalevis

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