Para a marca suíça Omega, cronometrista oficial da Olimpíada Rio 2016, a Cidade Maravilhosa talvez esteja sediando o mais icônico de todos os Jogos Olímpicos da História. Essa aposta combina com a escolha que fez do local para ancorar a sua “House” oficial na cidade: a não menos icônica praia de Ipanema, celebrada no show de abertura da Olimpíada no Maracanã através do desfile e dos requebros de Gisele Bündchen ao som de Garota de Ipanema. E entre tantos outros “embaixadores” da marca, como as atrizes Nicole Kidman e Zhang Ziyi, a modelo e empresária Cindy Crawford, o golfista Castellón, “o rei das piscinas” Michael Phelps, a Omega não se esqueceu de chamar para a festa Buzz Aldrin, engenheiro mecânico, piloto em 66 combates nos caças F-86 durante a Guerra da Coreia (1950-1953) e ex-astronauta da mais extraordinária aventura no espaço: o primeiro desembarque de um ser humano na Lua empreendido pelo módulo lunar Apolo 11, em que Aldrin foi precedido pelo comandante da missão, Neil Armstrong, o que – dizem – gerou entre os dois astronautas uma amarga e mal disfarçada rivalidade.

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De caubói do espaço a vovô-garoto do tempo: segundo homem a pisar na lua, o astronauta Buzz Aldrin enverga o relógio da Omega Watches, oficial da NASA (Foto:Divulgação)

Esta é primeira visita de Buzz Aldrin ao Rio de Janeiro. Sua missão: como embaixador da marca de relógios e cronômetros que estão no seu pulso desde os primeiros momentos daquela inesquecível aventura lunar que incendiou a “corrida espacial” entre americanos e soviéticos no auge da Guerra Fria, Aldrin veio não só divulgar esses produtos da lendária precisão suíça, como também trazer uma amostra de apenas 20 minutos dos seus talk shows em que narra através de fotografias os mais importantes passos dados na sua carreira rumo à conquista do espaço, culminando com a imagem celebérrima da pegada por ele deixada sobre o fina poeira da superfície lunar em 21 de julho de 1969.

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O engenheiro e astronauta Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar na Lua, pousou esta semana no Rio de Janeiro para um talk show sobre a sua carreira na qualidade de embaixador da marca de relógios OMEGA e – como expressa sua gravata – de um orgulhoso americanismo (Foto: Divulgação)

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Imagem histórica: no auge da Guerra Fria, a fotografia de Aldrin defronte à bandeira norte-americana cravada no solo lunar. O ufanismo de 1969 hoje sobrevive nas gravatas do herói espacial (Foto: Reprodução)

Hoje, Buzz Aldrin é um senhor com 86 anos de idade, de fala baixa e afável, e com um olhar um tanto perdido – talvez ainda perplexo com o que viu no espaço e com a maneira pela qual ele mesmo passou a ser visto por toda a Humanidade depois da saga lunar de 1969 –, mas que não esconde a sua profunda adesão aos valores daquilo que chamamos de “América profunda”, valores estes, quem sabe, necessários para o que foi a conquista da imensidão territorial da América do século 19, tão bem retratada nos westerns de Hollywood, e hoje “atualizada” pela exploração espacial empreendida pelos diversos projetos da NASA. Em relação a essa visão colonialista explorada pelo  cinema, o astronauta aliás é categórico: “Morar no espaço se tornará realidade”, vaticina.

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Buzz Aldrin conta como foi tirada a mais icônica de todas as imagens sobre a conquista do espaço a poucos metros da Apolo 11 no dia 21 de julho de 1969, quando ele posou para a câmera do comandante da missão Neil Armstrong, este sim o primeiro homem a desembarcar no satélite. Ao seu lado, a assessora Christina. Sim, por trás de um grande homem, sempre existe uma loura! (Foto: Flávio Di Cola)

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Selfie: além de todos os excepcionais feitos acumulados por Buzz Aldin em sua carreira, ele ainda detém o título de ter feito a primeira selfie no espaço durante um dos vôos orbitais da Apolo 11 (Foto: Reprodução)

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O projeto Apolo 11 foi precedido de exaustivos ensaios em cenários que reproduziam a paisagem lunar, como este em que atuou a dupla Aldrin e Armstrong três meses antes da verdadeira aterrissagem. Foram simulações como essa que alimentaram a credulidade popular em relação aos boatos de que nunca ocorrera um desembarque na lua e de que tudo não passou de uma encenação fabricada nos estúdios de Hollywood (Foto: Reprodução)

De fato, Aldrin compareceu ao seu talk show paramentado com sinais evidentes de que é um republicano fervoroso – talvez agora menos, diante do exótico fenômeno representado por Donald Trump – e cultor orgulhoso da bandeira americana, estampada na gravada e meias, e na profusão de pins aplicados sobre o paletó. O jeitão casual e desprendido típico dos cientistas espaciais que pouca importância dão aos conceitos de elegância masculina impostos por Londres ou Milão ficou por conta das descontraídas calças jeans e dos singelos sapatos pretos.

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O Omega Speedmaster foi o primeiro relógio a aterrissar em solo lunar e no pulso de Buzz Aldrin, em 1969. O objetivo da Omega House – um belo espaço que está ocupando o endereço da Casa Laura Alvim, em Ipanema, ao longo da Olimpíada Rio 2016 – é exatamente o de divulgar o seu patrimônio histórico na exploração espacial e sua condição de cronometrista oficial dos Jogos Olímpicos (Foto: Divulgação)

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Enquanto a Força Nacional está garantindo a segurança do Rio de Janeiro durante a Olimpíada, um pelotão de poderosas Space Girls foi recrutado para impedir que algum ET ameaçasse o sucesso da festa “Cocktails in Space” que se seguiu ao talk show de Buzz Aldrin na Omega House. (Foto: Flávio Di Cola)

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Casquinha cinematográfica: as recepcionistas espaciais do “Cocktails in Space” pegam carona na imaginação dos figurinistas das telas, como no visual das space girls criadas por Jean Paul Gaultier para o clássico noventista de sci-fi, “O quinto elemento” (Foto: Reprodução)

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A “sala espacial” da Omega House é uma curiosa mistura de lounge, espaço expositivo, vitrine e cabine de comando só possível mesmo na imaginação de designers intoxicados pelo seriado “Jornada nas Estrelas” (Foto: Flávio Di Cola)

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Os anos 1960 impuseram a ideia de que o futuro vai ser parecido com um desfile de Paco Rabanne, como provam estas esferas-vitrines para os relógios Omega (Foto: Flávio Di Cola)

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Apollo 11, inspiração das telas: a conquista do espaço e a colonização humana nos confins do universo, dois pontos vitais na visão de Aldrin acerca do futuro, foram ponto de partida para inúmeras produções do cinema e TV, como “Espaço 1999”, série sci-fi estrelada por Barbara Bain e Martin Landau (ambos ao centro), egressos do sucesso de “Missão: Impossível” (Foto: Reprodução)

Mas o que mais chamou a atenção foram seus dedos – cobertos de anéis robustos, inclusive aquele que o acompanhou no seu passeio à Lua e do qual não se separa jamais –, e seu pulso esquerdo, vitrine permanente dos relógios Omega e, curiosamente, de duas estranhas pulseiras formadas por delicadas “pérolas negras”, de aparência ancestral e nada tecnológica se comparadas com a excepcional excelência dos produtos da marca de que é embaixador. Tudo meio indie. Diante dessas peças, fica difícil impedir a nossa imaginação de supor a origem e o significado de artefatos tão originais que acompanham este homem em suas andanças pelo mundo e cujas experiências extraordinárias no espaço são absolutamente indisputáveis por qualquer outra pessoa sobre a face da Terra.

DE ASTRONAUTA A ÍCONE POP

A odisseia de Buzz Aldrin como engenheiro, cientista, piloto de caça na Guerra da Coreia e astronauta rendeu muita ficção e entretenimento na indústria audiovisual. Quando perguntado pelo repórter do ÁS sobre o que achava da forma como tem sido retrarado nos filmes, respondeu: “Não deixa de ser um caminho para se manter em contato com pessoas do mundo inteiro”. Acompanhe algumas das representações de Buzz nas telas:

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Aldrin inspirou um dos personagens mais queridos da franquia “Toy Story” da Pixar, o astronauta fanfarrão Buzz Lightyear (Foto: Reprodução)

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Cliff Robertson (1923-2011), galã de Hollywood oscarizado em 1968 como Melhor Ator em “Os dois mundos de Charly”, foi o primeiro ator a encarnar Buzz Aldrin no cinema em “Retorno à Terra” de 1976 (Foto: Reprodução)

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Em 1996, a Family Channel levou para a tv a saga de Aldrin e Armstrong em “Apolo 11”, estrelado por Xander Berkekey que recebeu a visita do próprio Buzz no set de filmagem (Foto: Reprodução)

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O ator Bryan Cranston – super conhecido do público brasileiro através da série “Breaking Bad” e do filme “Trumbo” (2015) – representou Buzz Aldrin duas vezes, a primeira em “Da Terra para a Lua” de 1998 (Foto: Reprodução)

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As primeiras palavras de Aldrin na Lua foram: “Linda vista”. Ao que Armstromg replicou: “Magnífico, não?”. Aldrin devolveu: “Magnífica desolação!” [Magnificent desolation!, no original]. Essa definição entrou na História e virou título de um dos seus mais famosos livros, também adaptado para o cinema (Foto: Reprodução)

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A segunda autobiografia de Buzz Aldrin “Magnificent desolation: the long journey home from the Moon” transformou-se em 2005 num primoroso documentário de curta-metragem filmado em 3D, exibido em salas IMAX de telas super gigantes e com narração de estrelas do calibre de Bryan Cranston (sua segunda atuação como Aldrin), Tom Hanks, Paul Newman, Scott Glenn, Matt Damon e John Travolta (Foto: Reprodução)

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