* Por Thais Amormino, direto de Roma

Essências fazem parte da vida desde que o mundo é mundo. Do Antigo Egito (que, por si só, rende um livro inteirinho sobre sua maestria em relação à arte de perfumar) ao Império Romano, passando pelo Oriente, o ser humano sempre fez uso dos aromas, fosse para banho, magia, oferenda aos deuses, sedução e até mesmo a codificação do poder, além de, através deles, se permitir revelar personalidade e classe social. Mas, vamos combinar: existem perfumes e perfumes. E – okay! –, mesmo que você use um chancelado por uma grande brand da moda (alguns muito bons), é fato que somente apuradíssimos olfatos são mesmo capazes de descobrir o “ crème de la crème” deste universo sensorial. Caso da Amouage, espécie de segredinho “ponto pacífico” do grand monde descolado!

Amouage: aromas do mundo produzidos como tesouro das Mil e Uma Noites (Foto: Divulgação)

Mosaico árabe na Amouage: aromas do mundo produzidos como tesouro de mercado persa (Foto: Divulgação)

Conto nos dedos quem conhece os perfumes que uso, a maioria pouquíssimo divulgada e – pasmem! – quase todos provenientes da Itália ou Oriente Médio. Você pode até estar se perguntando “Mas, e a França ?!?” Bom, toda a história da perfumaria francesa tem relevância, claro, mas que tal “update your idea of smeeling the real luxury”, meu bem?

Cheia de tradição em seus frascos e dentro deles, com essências feitas a partir de matérias-primas de alta qualidade provenientes dos mais diversos recônditos, a Amouage se destaca pela criatividade. Definitivamente, é a marca de pessoas com aquele espirito “Gypset”: nômades contemporâneos que se afirmam pela sua autenticidade e se exprimem em todos os sentidos através da personalidade, roupa, trabalho e cheiro.

Pura sinestesia: assista abaixo o fashion film da fragrância “Honour for Woman“, com trilha sonora extraída do longa-metragem “A Invenção de Hugo Cabret” e para o qual o diretor criativo da Amouage, Christopher Chong, se inspira no amor trágico da ópera “Madame Butterfly“, de Giacomo Puccini,  para desenvolver o perfume (Divulgação).

São 33 anos de história made in Oman e, além da linha com 36 fragrâncias  a marca tem uma coleção especial  chamada “Biblioteca – Library Collection” (pela qual estou maluca, principalmente por conta do Cap. IX inspirado na ópera “La Traviata”). Esta coleção celebra o inesperado e expressa domínio absoluto na regência de fazer perfumes, que tal? A mais fina arte, diga-se de passagem.

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Library Collection: perfume é tratado como literatura na Amouage (Foto: Divulgação)

É como explica o diretor criativo Christopher Chong: “Amouage busca a integridade criativa. Procuro sempre o incomum e o diferente para minhas criações. Florais são multifacetados e estão em notas de base, especiarias e madeiras são usadas como justaposição, e ingredientes raros são muitas vezes o coração”.

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Requinte na Linha Journey, da Amouage: embalagens lembram arabescos e frascos remetem à arquitetura árabe (Foto: Divulgação)

Para quem não associou, o Sultanato de Omã, vizinho à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes (pertinho de Dubai e Abu Dhabi) fica na ponta da penínsual arábica. Disputada no passado por portugueses e pelo Império Otomano, esta monarquia absolutista (apesar de moderna) viveu era de ouro nos séculos 18 e 19, quando conquistou colônias no Índico, entre elas Zanzibar. Daí sua rica história poder inspirar perfumes…

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Vista parcial de Mascate, capital do Sultanato de Omã: paraíso das Mil e Uma Noites tem ótima qualidade de vida, mas pouca influência ocidental (Foto: Reprodução)

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Palácio do sultão Qaboos bin Said Al Said, no poder desde 1970: dinastia governa o país há 250 anos (Foto: Reprodução)

Também fazem parte do mix a linha para banho e hidratação, velas e fragrâncias para a casa. Todos estes produtos têm alguma história como pano de fundo, tipo o último lançamento ‘Midnight Flower’: sua essência foi desenvolvida para ajudar a explorar o processo de cura pacífíca pelo qual uma pessoa passa após perder um ente querido. Sim, Amouage também é aromoterapia, fato!

Honour Bath Collection: Amouage envereda pela linha de banho (Foto: Divulgação)

Honour Bath Collection: Amouage envereda pela linha de banho (Foto: Divulgação)

Candle glass by Amouage: grife árabe aposta no lifestyle cosmopolita (Foto: Divulgação)

Candle glass by Amouage: grife árabe aposta no lifestyle cosmopolita (Foto: Divulgação)

Mas, nem só de cheiros vive a marca. Gypsetters viajam e nada melhor do que uma coleção de itens em couro (necessaire, bolsas de viagem, carteiras), confeccionados em Firenze, no melhor handmade by Italy, para completar com exclusividade seus produtos.

No total são 18 lojas, sendo a maior parte no Oriente Médio e ainda 66 multibrand stores espalhadas pelo mundo: finas flores como Harrods, Fortnum & Mason, Selfridges, Crawford, Tsum, KadeWe e Bergdorf Goodman, entre outras.

Filial da Amouage em Roma: espaço idela pra garimpar fragrâncias, como nos antigos mercados persas, só que mais chique (Foto: Divulgação)

Filial da Amouage em Roma: espaço ideal pra garimpar fragrâncias, como nos antigos mercados persas, só que mais chique (Foto: Divulgação)

E não se pode deixar de falar sobre a fixação dos perfumes: é coisa de outro mundo – mais de 12 horas, fácil! Acreditava-se que só os antigo egípcios sabiam a fórmula desta alquimia perfeita. Bom, conclusão: se você é como eu, precisa conhecer esta pérola – literalmente uma joia rara, já que os frascos vêm com pedras preciosas e ouro. Cada aroma é inenarrável. Vontade de borrifar este artigo e fazer o leitor sentir este manjar olfativo perfeito para nutrir a pele de deusas e deuses!

Pop up: anúncio da fragrância Fate leva a Amouage ao topo da lista das marcas que sabem usar a ludicidade para impressionar a clientela. Confira abaixo (Divulgação)!

Serviço:

http://www.amouage.com/

* Amante de caftãs estampados, óculos graúdos e da dolce vita, trocou o Rio pela Itália. Circula entre Roma, Capri, Egito, São Paulo e a Cidade Maravilha com a desenvoltura de quem sucumbiu à crise do petróleo, mas persiste no imaginário. Se tivesse vivido os anos 1920, rivalizaria com Pagu; se transitasse pelos 1970, trocaria dicas com Marisa Berenson. Mas, como o despertador apitou tarde para ela no calendário do grand monde, borbulha por onde houver frisson, exalando sua verve nefelibata e tocando o site italyluxe.com     

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