Este finde foi marcado na imprensa internacional de celebridades pela declaração ao Hollywood Repórter do ator  George Takei – 79 anos e intérprete original de Hikaru Sulu, um dos integrantes da tripulação de Star Trek – sobre o anúncio feito pelos produtores da cinessérie de que, no atual remake da saga espacial, seu personagem terá orientação sexual gay. Apesar de já ter revelado ao grande público que também é homossexual (somente em 2005, diga-se de passagem, quando já era um vetusto senhor botulinizado), a afirmação causou mal estar no politicamente correto circuito hollywoodiano e gerou um racha entre personalidades de várias gerações da atração, causando o repúdio, em entrevista dada ao Entertainment Weekly, do atual Sr. Spock Zachary Quinto, um assumidíssimo participante da comunidade LGBT.

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Gay assumido na vida real, o antigo astro George Takei e o famoso sinal vulcano de “vida longa e prosperidade”: ator da formação original de “Star Trek” é radicalmente contra a homossexualização de seu personagem na telona atual (Foto: Reprodução)

Diante disso, ÁS foi direto no pote e perguntou à Carlos Tufvesson, à frente da Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual do Rio de Janeiro, qual a sua opinião sobre a questão. “Representamos 10% da população mundial, logo é natural a inclusão de personagens gays na dramaturgia em geral. Nesse caso, importantíssima pela repercussão midiática de um produto desse calibre na indústria cultural, como essa enormidade de fãs. Isso ajuda a acabar com o preconceito, que vem do desconhecimento”, afirmou Tufvesson, momentos antes de embarcar nesse sábado para a Itália, a fim de curtir merecidas férias após o sucesso do Rio Moda Rio.

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O sul coreano John Choo, que hoje encarna o Sr. Sulu: personagem de “Star Trek”agora é bee resolvida (Foto:Divulgação)

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Carlos Tufvesson: estilista, ativista da causa gay e responsável pela coordenação do programa de diversidade do Rio de Janeiro, ele aposta no aspecto positivo da revelação de que um dos heróis de “Star Trek” é gay (Foto: Reprodução)

George Takei considera a nova orientação sexual do Sr. Sulu uma “distorção à criação de Gene Roddenberry“, se referindo ao criador da série. Segundo o ator, o roteirista e produtor era simpático aos direitos dos homossexuais, “mas sabia que estava quebrando barreiras e andando numa corda bamba. Se forçasse muito, a série não seria exibida”.

Quarenta anos mais novo que Takei, Zachary Quinto assumiu sua condição sexual em 2011, quando interpretava no teatro a peça Angels in America“, na qual vivia um homem que abandona o namorado portador de HIV. Na época, a atitude foi considerada corajosa, pois havia apenas dois anos que o ator havia sido incumbido de substituir Leonard Nimoy no papel que o consagraria por mais de quatro décadas, considerado um poderosíssimo ícone da cultura pop global. Ele afirmou para a EW: “Eu, como um membro da comunidade LGBT, fico desapontado com o fato de George Takei estar desapontado. Minha esperança é que eventualmente George seja encorajado pela enorme resposta positiva, especialmente dos jovens, que estão animados e inspirados por essa linda representação de algo que está ganhando aceitação e inclusão em nossa sociedade ao redor do mundo – e deve ser”.

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Zachary Quinto: em entrevista dada ao The Hollywood Reporter, o atual Senhor Spock Zachary Quinto parece pronto para resolver no grito a divergência sobre a sexualidade de personagem da série clássica (Foto: Reprodução)

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O beijo do Spock: Quinto e o namorado Miles MacMillan flagrados em demonstração de afeto pública. Casal é bem resolvido (Foto: Reprodução)

Outro que se manifestou a favor da inclusão da nova orientação sexual do personagem, dentro da pauta de modernidades que comemora os 50 anos de “Star Trek” em 2016, foi o britânico Simon Pegg (“Todo mundo quase morto” e “Missão Impossível – O Protocolo Fantasma”). Além de atualmente interpretar outra criação querida do público na saga – o Sr. Scotty –, ele é co-roteirista, ao lado de Doug Jung, do longa-metragem que celebra o meio-século da atração e que chega às telas mundiais dia 1º de setembro:  “Star Trek: sem fronteiras” (Star Trek Beyond, de Justin Lin, Paramount, 2016).

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Aror e roteirista de “Star Trek Beyond”, Simon Pegg e diz decepcionado com a reação e George Takei à notícia de que o Hikaru Sulu, personagem querido da saga espacial, é gay (Foto: Reprodução)

Assista abaixo o trailer de “Star Trek Beyond” (Divulgação):

Em entrevista ao The Guardian, ele alega: “Tenho grande amor e respeito por George Takei, seu coração, coragem e humor são uma inspiração. No entanto, no que diz respeito às declarações sobre Sulu, eu preciso respeitosamente discordar dele.  Lin, Jung e eu adoramos a ideia de ser alguém já conhecido, porque a audiência já teria uma opinião sobre aquele personagem como um ser humano, sem ser afetado por nada. A sua orientação sexual é apenas mais um de seus aspectos pessoais, não a maior característica”.

Pegg completou ainda que a escolha por um personagem clássico da Enterprise, e não um novo, é boa porque assim o “público entende que sempre houve uma presença LGBT no universo de Star Trek desde o começo, que um herói gay não é algo novo ou estranho. E finaliza: “Não estamos sugerindo que ele era enrustido. Isso só não veio à tona antes”.

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O diretor J.J Abrams e o elenco atual de “Star Trek”: diversidade sexual também entra agora na pauta de diversidade étnico-cultural da saga (Foto: Divulgação)

Vale lembrar o aspecto inovador que “Star Trek”, que foi ao ar na TV, pela primeira vez, num período de profunda revolução de costumes (1966-1969). O apreço pelo respeito às diferenças multiculturais é até hoje mote do enredo, tanto das derivações da série original quanto dos spin offs, cabendo ao seriado o mérito da exibição do primeiro beijo interracial da televisão norte-americana, entre o Capitão Kirk (William Shatner) e a Tenente Uhura (Nichelle Nichols), fato amplamente celebrado pelo ativista negro Martin Luther King.

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Preto no branco: beijo entre o Capitão Kirk e a tenente Uhura, de “Star Trek”, marcou a história da TV norte-americana e ampliou espaço na mídia para a causa negra (Foto: Reprodução)

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