Nova feira de moda do Rio de Janeiro, a primeira edição do Veste Rio terminou na noite deste sábado (14/5) celebrando a volta dos lançamentos de moda à Cidade Maravilha. Produzido numa iniciativa entre o jornal O Globo (Caderno Ela) e a Vogue, o evento começou na última quarta e incluiu feira de negócios para lojistas, outlet para o grande público, gastronomia e happenings – como os shows de Paula Töller e Gal Costa –, tudo em sintonia com a busca de mercado para se reinventar, apesar da crise e do momento econômico. ÁS esteve na recém-reformada Marina da Glória – ambiente perfeito para este renascimento – conferindo as novidades e inicia nesta matéria uma série de reportagens sobre os acontecimentos de moda no Brasil e a quantas anda o fomento de negócios no setor, dada a conjuntura atual. Confira!

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Veste Rio: renovação da Cidade Maravilha como plataforma de lançamentos de moda em formato que reúne salão de negócios e evento para o público final (Foto: Zeca Santos)

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Mesmo nublado, o paraíso: vista privilegiada do Veste Rio, com o skyline do centro do ponto de vista da Marina da Glória, já vale o passeio para o público geral e o investimento para os empresários de moda que pretendem renovar seus estoques (Foto: Zeca Santos)

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Cariocas descolados aproveitaram para renovar o guardarroupa nas ofertas do outlet montado na tenda posterior do Veste Rio (Foto: Zeca Santos)

Num primeiro momento, houve um certo burburinho no segmento fashion quando o Veste Rio foi anunciado. Afinal, além de resgatar as feiras de moda na cidade – uma tradição, desde os salões de prêt-a-porter no anos 1970/1980 no Hotel Nacional –, o misto de business e badalo decretava uma inédita parceria capitaneada não por empresários do segmento, mas por dois veículos de comunicação. Além disso, despertou curiosidade um acontecimento que privilegiava simultaneamente uma feira de grifes voltada para os varejistas, com as coleções que irão abastecer as araras no próximo verão, e outra destinada ao público final, com o saldão do inverno a preços convidativos, ainda mais agora, quando o frio começa a dar as caras.

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Paula Töller: presença nesta sexta-feria no palco montado na área externa, a loura seduziu marmanjos com sua ótima forma na hora de convidar o público para “fazer amor de madrugada com jeito de virada” (Foto: Zeca Santos)

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Food trucks armados no espaço de convivência do Veste Rio: entre lançamentos e queimas de estoque, público se diverte se entregando às calorias (Foto: Zeca Santos)

Os mais céticos logo perguntaram: para qual público se destina o evento, afinal?”. E continuaram: “Funciona essa composição híbrida?” Bom, ÁS pode constatar que, sim, dá samba. E é a representante comercial de marcas como Blue Man e CCM Andrea Fleury, com um sorriso no rosto, quem atesta: “Ideia boa! O agito fica garantido pela presença do público no saldão e os confeccionistas ficam animados na parte dos lançamentos para a próxima estação, pois seus saldos estão escoando no varejão do outlet!”

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Quarta da esquerda para direita, Andrea Fleury celebra o formato do Veste Rio e ainda elogia Daniela Falcão, a editrix da Vogue: “A danada manda bem!” (Foto: Zeca Santos)

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Patricia Viera: mesma coleção cubana que desfilou na SPFW há quinze dias atrás podia ser encontrada à venda no salão de negócios do Veste Rio (Foto: Zeca Santos)

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Perto dali, os coloridíssimos chapeus panamá da Aba – expositor que costuma marcar presença nas feiras de moda cariocas – reforçam a opinião de Patricia Viera de que o próximo verão é latino (Foto: Zeca Santos)

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Colorido reciclado: sandálias Green Flip Flop se encarregam de lembrar o público do Veste Rio que, se o inverno mal começou,  já é hora de pensar no look da próxima estação (Foto: Zeca Santos)

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O colunista Bruno Astuto e seu marido, o designer de moda festa Sandro Barros, recebem a exuberante Marie-Annick Mercier no estande do segundo, no Veste Rio (Foto: Zeca Santos)

Vindo do Minas Trend, a Anne Fernandes trouxe sua moda feminina com levada artesanal, repleta de patches e aplicações bem ao gosto da consumidora de verão. Entre os expositores com peças rendadas, a estilista Luana Leão comentou: “O evento trouxe os compradores, que apesar da crise não deixam de fazer pedidos, senão não tem novidades para mostrar aos seus clientes, nem saem do buraco. Nossas entregas estão programadas já para 15 de julho “, disse, em dobradinha com a supervisora comercial Pollyana Vaz, que ressaltou: “Foram cerca de 600 multimarcas convidadas pelo Veste Rio para vir aqui com viagem paga”, embora pelos corredores do salão houvesse quem afirmasse que, em cima da hora, muitos lojistas tiveram sua passagem e hospedagem cancelada pela organização.

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Com bomber jacket que mistura patches com a vibe esportiva das Olimpíadas, Luana Leão, da Anne Fernandes vai fundo no diagnóstico da nova temporada: “Público ainda não entendeu essa onda das aplicações, mas ama de carteirinha as rendas e laisies” (Foto: Zeca Santos)

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Romantismo e brasilidade: direto de BH para a Cidade Maravilhosa, a mineira Anne Fernandes evoca a moda com jeito artesanal na primeira edição do Veste Rio (Foto: Zeca Santos)

Novatas no mercado e em sua primeira vez no atacado, Luciana Malavasi e Daniela Araújo, sócias da Bles, tem apenas dois anos de estrada. É Luciana quem conta: “Está valendo a pena, estamos nos mostrando e abrindo novas frentes. Nosso básico decorado está chamando atenção”, destaca, lembrando que iniciaram a onda das pop up stores para movimentar lojas vazias em shoppings cariocas com sua presença no Fashion Mall: “Isso abriu portas para a gente, que não tem loja física”. Formada em fashion merchandising em Miami, Daniela completa: “Os clientes estão curtindo nossas camisetas com aplicações, peças em índigo com opções de lavagem, a pantacours neutra, os mesclas e os  maiôs que podem ser usados como bodies.

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Carrosel da moda: as ótimas estampas da coleção apresentada pela Osklen no último SPFW dão as cartas no espaço da grife no Veste Rio (Foto: Zeca Santos)

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Tudo azul, apesar da crise: Armadillo aposta num homem em azul e branco para a próxima temporada (Foto: Zeca Santos)

Veterana nos salões de negócios, do Fashion Business ao Minas Trend,  Mara Mac mostrou sua coleção minimalista repleta de estampas bacanas. Ela se prepara para desfilar em outro evento que toma conta da cidade daqui a um mês, Rio Moda Rio, em fashion show que terá a direção de Bia Lessa. É o designer Luciano Canale, ex-Santa Ephigenia  e hoje no estilo da grife, quem dá a deixa: “Venda dirigida, compradores que estão vindo aqui renovar seus estoques, ainda que pontualmente, motivados pelo ótimo time de expositores. Só marca boa aqui”.

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Luciano Canale, da Mara Mac: elogio ao mix de expositores do Veste Rio (Foto: Zeca Santos)

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Verão 2017, segundo Mara Mac: minimalismo, estampas gráficas e trnasparências (Foto: Zeca Santos)

Outra habituê de feiras de atacado no Rio, Mary Zaide se revelou otimista: “Tudo ainda está incerto, mas a troca de governo federal pode significar um alívio para o mercado e, em algum tempo, o consumo pode dar sinais de recuperação. Estou há quase quarenta anos no mercado, já passei por outras crises. Por isso, sei o quanto é importante insistirmos no corpo a corpo neste tipo de empreendimento”.

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Trio carioca: entre as filhas Renata (esq.) e Flávia (dir.), Mary Zaide enfatiza a importância de manter o business com a presença nos salões de negócios (Foto: Zeca Santos)

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De fazer Pucci lamber os beiços: Renata Zaide mostra ao ÁS a profusão de prints setentistas na nova coleção da Mary Zaide (Foto: Zeca Santos)

Perto dali, Isio e Ester Feldman, da carioca Afghan, celebravam o sucesso do Veste Rio, na sua opinião. “Estrutura impecável, uma ou outra coisinha só para ajustar na próxima edição de outubro. A gente quer que vingue”, decreta ele.

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Isio e Ester Feldman à frente do espaço da Afghan: casal à frente da marca que privilegia as estampas acredita que o Veste Rio vai pegar: “Em outubro deve estar mais afinado ainda” (Foto: Zeca Santos)

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Afghan no Veste Rio: grife carioca aposta no colorido exuberante que associa o étnico aos Mares do Sul (Foto: Zeca Santos)

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Deborah Fischer, da Tempo 4 (terceira à partir da esquerda): “Faltaram clientes, mas vieram alguns significativos, abrimos frente e o mais importante: nos mostramos. Sem isso, marca não sobrevive” (Foto: Zeca Santos)

Fabiana Dayrell, da marca de acessórios Dayrell, se mostra entusiasmada: “Acho promissor. Abrimos novas frentes, gente que não conhecia a marca. Se o resultado comercial foi médio, o evento tem potencial”. Dividindo o estande com ela, Vânia Oliveira, da grife de bolsas Tai Dai, de Niteroi, mas com pronta-entrega em Ipanema, foi categórica: “Foi positivo. Valeu pra ser visto, se mostrar para quem não nos conhecia, vender razoavelmente e se manter de pé. Que venha mais!”

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Dayrell no Veste Rio: opção por maxi colares com levada étnica (Foto: Zeca Santos)

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Vânia Oliveira mostra a clutch quadriculada, um dos lighlights do seu espaço no Veste Rio: “Cidade precisa desse fomento para se renovar como pólo de moda” (Foto: Zeca Santos)

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Glorinha Paranaguá (esq.) e Naná Paranaguá (dir.) recebem clientes a fim de conferir suas bolsas artsy no Veste Rio (Foto: Zeca Santos)

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Listras P&B em clima de fezinha básica: clutchs e bolsas de Glorinha Paranaguá foram destaque no Veste Rio. Ao fundo, a santa devidamente posicionada ajuda a zelar pelas boas vendas num Brasil quase tomado pela inércia (Foto: Zeca Santos)

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