*Por Andrey Costa

Verão 90” é sucesso, e um dos pontos fortes é a abertura caprichadinha regada pelo hit Pump the Jam“, do Techntronic,  grupo que tomou a cena pop de assalto naquele verão europeu, avançando pelo brasileiro. Parece fácil listar um Top 12 Hits do anos 1990, né? Nada disso. Numa década em que a música pop se via eclipsada pela força que o hip hop, acid house e a dance music ganhariam presença, ÁS elege os 12 maiores bafafás musicais dos ninities. Entre “pérolas” e babas irresistíveis, confira abaixo esses 12 acontecimentos.

Neneh Cherry com ‘Buffalo Stance

No finzinho de 1988, o hitBuffalo Stance‘ de Neneh Cherry estava em toda parte, around the world! A faixa marcou o inicinho do hip-hop dos 1990 com um groove propulsivo, cheio de ganchos e reviravoltas modernistas. Tanto que, durante o verão 90, a música seguia firme nas pistas, na recém-inaugurada MTV no Brasil, na vida. Basta fazer um paralelo com a estética do clipe ‘Rude Boy‘ da atual Rihanna, já que no clipe de Neneh, vemos aquela marca registrada da década: clipes feitos com várias intervenções e efeitos que mostram a cantora em vários ângulos, em meio a cores e muita psicodelia.

En Vogue com ‘My Lovin

Girl Power! Antecedendo a Spicemania que explodiria da metade dos 1990 para frente – e, bem depois as Destiny’s Child que inventou Beyoncé e as Pussycat Dolls – na viradinha dos 1990 era de outro grupo o status de girlband empoderada. O En Vogue agregou classy ao fazer um R&B que segue atual até hoje, com exceção dos picumãs sessentinha.

S’Express com ‘S’Express

Muitas músicas podem retratar a década de 1990, mas poucas representam tão bem a gênese do acid house eclodido na época em que as pessoas envergavam t-shirts com o Smiley estampado para mostrar que estavam nessa onda neo psicodélica. S’Express representou bem essa verve e por isso é destaque na listinha do ÁS.

Resgate dos setenta: jovens dos anos 1990 envergavam o Smiley,que havia ressurgido na cena pop com a graphic novel Watchmen e alcançava o seu auge no acid house do viradão 1980/90 (Foto: Google Images)

Os Watchmen: super-heróis de um realidade alternativa distópica, na qual os EUA ganharam a Guerra do Vietnam graças aos seus poderes e Nixon ainda dá as cartas na Casa Branca, em meados dos anos 1980, quando se passa a narrativa (Foo: Reprodução)

M|A|A|R|S com ‘Pump Up The Volume

Seguindo ainda na onda do acid house, engatamos numa polêmica super coerente: é possível uma banda que lançou apenas um single em toda a sua carreira (sim, M|A|A|R|S não possuía sequer uma álbum de estúdio gravado) estar numa lista de maiores hits dos anos 1990? É sim, meu bem! E não é para qualquer um! Além de se espelhar na influência dos quadrinhos (do quê? Sim, dos Watchmen”!), o M|A|A|R|S ainda foi uma dessas bandas experimentais que anunciariam o dream pop que o Beach Fossils, DIIV, Beach House e tantos outros fincam suas raízes até hoje.

Deee-Lite com ‘Groove Is In The Heart

Sem dúvida,  uma das mais emblemáticas músicas dos early nineties é ‘Groove Is in the Heart‘, que integrou o álbum ‘World Clique‘, trabalho de estreia da banda americana Deee-Lite,  trio formado pelo russo Dimitri, o japonês Towa Tei e a vocalista americana Lady Miss Kieer, uma mistura de Tia Perucas com Penélope Charmosa drag queen. Os rapazes também eram DJs, e ÁS se lembra até hoje de um set memorável do japonezinho e Towa Tei em Nova York, no finado clube Piramyd, em 1991. O primeiro álbum foi parar direto no Everest das paradas, transformando instantaneamente o grupo num fenômeno pop eletrônico, num clássico que definiu a psicodelia dos nineties como o B-52’s havia feito pelos oitenta no new wave. No clipe da sonzera aflorou o esse neo-psicodelismo, numa canção que misturava disco music, música eletrônica e um baixo pegado delicinha pura.

SNAP! com ‘Ooops up

C+C Music Factory com ‘Gonna Make You (Every Body Dance Now)’

Uma das canções mais reproduzidas nas paradas mundo afora durante os anos 1990 foi esse projeto que mesclava dance e hip-hop e que não anunciava o sucesso para seus produtores, Robert Clivillés e David B. Cole. O rap “gonna make you sweat” foi interpretado por Freedom Williams e a parte cantada “everybody dance now!” pela artista de música disco-house music, Martha Wash, até então mais conhecida como ex-membro do grupo The Weather Girls, responsável pelo sucesso ‘It’s Raining Men‘. Lembram?

Salt ‘N’ Pepa com ‘Whatta Man

Esqueça tudo o que você imaginava sobre empoderamento da mulher negra, amor. E é melhor tirar do caminho sua Nicki Minaj, Cardi B, Azealia Banks e afins! A voz do rap feminino de primeira foi a saracoteante banda Salt’n’Peppa, que junto com The Wee Papa Girl Rappers e Queen Latifah escancararam, literalmente, as portas do hip-hop para elazinhas. Power black women de responsa no machista mundinho de cabecinha fechada do hip-hop, que rendeu bons frutos abrindo caminhos para que as faves de hoje em dia tivessem espaço.

Adventures Of Stevie V com ‘Dirty Cash (Money Talks)

Vanilla Ice ‘Ice Ice Baby‘ vs. MC Hammer ‘U Can’t Touch This

Era um rap pop descartável? Era, e isso desagradava muito a comunidade negra que acusou Robert Winkle, o Vanilla Ice, de apropriação cultural e o diabo a quatro, rejeitando-o no meio. Porém, apesar do processo que ele tomou de David Bowie e do Queen pelo uso indevido do riff da canção ‘Under Pressure‘ na agitada Ice Ice Baby‘, o rapaz fez um baita sucesso. Além da estampa à la Johnny Bravo, que justificava sua participação dos programinhas de clipe televisivos ao redor do planeta pop, a presença da música nas pistas (e na MTV) foi tamanha a ponto do branquelo explodir nas rádios, tendo buzz suficiente para engatar várias participações em filmes.

No outro extremo desse hip-hop espetáculo, quem entrou num hype sem fim pelo seu estilo que mesclava calças enormes e coturnos, na contramão de Vanilla Ice, foi MC Hammer, que fez da canção ‘U Can’t Touch This‘ seu maior sucesso, tocando em vários filmes, comerciais e programas de TV. Inclusive, no dia 20 de outubro de 1990, nascia a MTV Brasil, e há boatos que um dos primeiros vídeos exibidos pela emissora recém-importada foi esse do Hammer.

ADAMSKI com ‘Killer

Foi referência. Das fortes. Logo depois, seria o próprio Seal, surgido no refrão desse mesmo clipe do louro britânico, quem estouraria com o ultra blaster hit Killer“. Mas, naquele inícinho de MTV no Brasil, era Adamski quem era o cara. Nascido Sonny Eriksson (ou Adam Sky, que depois viraria corruptela para Adamski), o moço representou nessa aurora do DJ-celebridade, o rostinho de um novo sistema de mercado que inseria o profissional das picapes no mesmo patamar dos rock stars.

Adamski inspirou no Brasil dublês de profissional & persona fabulosos como o impagável Zé Pedro. Sua importância inenarrável para o acid house pavimentou o solo firme para quem veio depois. Sem ele, hoje não existiria gente graúda como Alok ou Major League. E o clipe de “Killer” – cheio de efeitos especiais da hora,  regado àquela computação gráfica de uma era na qual ainda não havia cinema digital – fez escola, inspirando inclusive o novo pop nacional de gente como Fernanda Abreu, com seu “SLA“. Diga-se de passagem, uma turma preocupadíssima em inserir as sonoridades brasucas num patamar pop global.

Pet Shop Boys com ‘Being Boring

O hitBeing Boring‘, do álbum ‘Behaviour‘ marca a imersão nos anos 1990 dos oitentíssimos Pet Shop Boys, embalados pelo pelo preto & branco classudo do fotógrafo de moda Bruce Webber. Fala sobre a morte de um grande amigo da dupla, Chris Dowell, vítima da AIDS em New Castle em 1989. A letra surgiu de uma frase sobre Zelda Fitzgerald: “Ela nunca foi entediada, principalmente porque ela nunca foi chata”. A canção de Neil Tennant e Cristopher Lowe encerra assim esse Top 12 Hits do anos 1990, eleito pelo Ás na Manga.

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