*Por Lucas Montedonio 

Subject Matters II é a segunda edição de um projeto que oferece quatro edições ao ano, convidando seis fotógrafos que atuam em cidades diferentes do mundo para exibir seu trabalho. Suas distintas perspectivas de se comunicar, estéticas e temas pessoais em seus trabalhos são os desafios em foco nesta mostra que, agora, tem os holofotes sobre as obras de Felipe Morozini, Mari Juliano, Mariana Maltoni, Shannon Wolf, Tekla Evelina Severin e William Baglione. A proposta vem consolidar o conceito da Dream Box, laboratório criativo que sedia a exposição em Nova York e tem curadoria de Juliana Leandra, direção de arte de Paulo Sabatini e produção de Juliana Moura. 

Como definem as sócias Juliana Leandra e Juliana Moura, a galeria/estúdio visa “conectar comunidades de artistas criativos daí e daqui”, solidificando assim a conexão das cenas artística e cultural entre Brasil e Nova York. Localizada no efervescente Brooklyn, a Dream Box abriga somente durante esse feriado de Páscoa a expô Subject Matters II no Double 6 Studio, em Greenpoint, com 25 registros dos diferentes olhares dos fotógrafos.

Com criações autorais, eles respondem a questão apresentada: “Why subject matters?” (“Por que a temática é importante para você?”). Os resultados, óbvio, são variados. Felipe Morozini, por exemplo, é artista plástico e fotógrafo sediado em São Paulo e desenvolve trabalhos que vão além da fotografia, como revistas, projetos criativos envolvendo marcas e projetos sociais. Já participou de mostras em diversos países e é representado pela Galeria Zipper. Pesquisa sobre espaço público há mais de oito anos e, hoje, é um dos diretores da Associação Parque Minhocão em São Paulo.

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“Maria” – Felipe Morozini (Foto: Divulgação)

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“Pong” – Felipe Morozini (Foto: Divulgação)

Mari Juliano é outra brasileira, mas atualmente vive no mesmo Brooklyn que sedia a galeria. Trabalha em um estúdio em Bushwick e suas criações já foram exibidas até em anúncios de metrô, capas de discos, publicidade, capas de livros e em revistas internacionais. Extremamente gráficas, suas obras também carregam boa dose de onírico.

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“Dashed Hopes”, de Mari Juliano (Foto: Divulgação)

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“Wonderland”, de Mari Juliano (Foto: Divulgação)

Nascida e criada no Rio, Mariana Maltoni é carioca da gema, mas atualmente habita a maior cidade da América Latina. Em São Paulo há dez anos, colabora com publicações como Vogue, Harper’sBazaar, Jocks&Nerds, Elle, entre muitas. Mas dar aquele rolé pelo mundo é sua verdadeira paixão. Em 2012, em Londres, começou a trabalhar pela primeira vez em uma série conceitual de imagens, exibida em sua primeira mostra individual em São Paulo. A moça tem um olhar todo especial para as pessoas, pois está sempre observando, estudando as suas culturas, religiões e diferentes comportamentos, mais como antropóloga que como socióloga.

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Mariana Maltoni (Foto: Divulgação)

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Mariana Maltoni (Foto: Divulgação)

Nascida em Massachusetts, em 1987, Shannon Wolf foi do norte ao sul: cresceu no extremo da Flórida e mora em Portland, Oregon, há 6 anos, cidade que fica no meio do nada, mas que tem uma pulsante cultura com ênfase na gastronomia e música. Multidisciplinar, trabalha com fotografia, vídeo, instalação e printmaking. Estudou Fotografia Criativa na Florida University, é bacharel em Belas Artes pela Portland State University e seu trabalho percorre diversos países em exibições variadas. Atualmente, se dedica a um estúdio de arte têxtil, tem seu próprio negócio de fotografia e passa seu tempo livre sonhando em explorar o mundo, como um Kipling de saias do novo milênio.

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“Self Portrait”, de Shannon Wolf (Foto: Divulgação)

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“Self Portrait”, de Shannon Wolf (Foto: Divulgação)

Arquiteta de interiores com atuação em campos diversificados como arquitetura, instalação, direção de arte e fotografia em Estocolmo, a nórdica Tekla Evelina Severin tem olho puxadinho de Bjork e nome que lembra uma cientista do passado. Mas é antenada com o moderno. Bacharel em Arquitetura de Interiores e Design de mobiliário na Konstfack University College of Arts, tem cursos extracurriculares tão diversos quanto Cultura Geográfica na Universidade de Uppsala e História do Pensamento na Universidade de Estocolmo. Traduzindo: a moça é cabeça. Após se formar em 2010, Tekla vem trabalhando como arquiteta de interiores e desenvolvendo projetos autorais em diversas frentes. Possivelmente, seu mapa astral deve ter algum planetinha em aquário ou gêmeos. Ou vários deles…

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Hötorgsskrapan 5, de Tekla Severin (Foto: Divulgação)

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“Mercadona Fishes”, , de Tekla Severin (Foto: Divulgação)

Por fim, o paulista William Baglione tem nome que lembra expoente do jazz brazuca, mas sua praia é outra: nos anos 1990 se dedicava a colagens, escrevia poesias marginais e ouvia punk rock. Tipo “maldito com sensibilidade à flor da pele”, do tipo que talvez incense Rimbaud. Em 2013 transformou toda essa vivência em fotografia. Uma simples lembrança de um filme, o nome de uma música, a percepção de um cheiro ou uma simples cor o conectam à um universo de múltiplas possibilidades e, a partir daí, diálogos perdidos no subconsciente são resgatados. Memórias do inconsciente. As imagens captadas ou construídas amalgamam doce fantasia e pura realidade, o contraste entre sorrisos escancarados e frustrações, abandono e fetiche, humor e sarcasmo, como algumas das imagens exibidas em Subject Matters II, nas quais retrata sedutoras (mas cansadas) pernas embaladas por meias arrastão, que evocam o possível desgaste das damas da noite.

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“Blackout”, de William Baglione (Foto: Divulgação)

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“Michele Micha”, , de William Baglione (Foto: Divulgação)

Serviço: 

Exposição Pop Up – Subject Matters II

Artistas: Felipe Morozini, Mari Juliano, Mariana Maltoni, Shannon Wolf, Tekla Evelina Severin e William Baglione

Data: 26 e 27 de março de 2016

Local: Double 6 Studio – 66 Green Street – Greenpoint, Brooklyn, NY – 11222 US / www.double6studio.com

Coquetel: sábado, 26 de março, de 17h às 21h

* Nascido na cidade imperial de Petrópolis, o pianista amador ganhou o mundo ainda adolescente quando fez intercâmbio nos Estados Unidos. Nessa época sua terceira visão despertou e o moço se entregou ao budismo tibetano. Pura estratégia para dominar a vaidade interior. Estudou comissaria de bordo, mas preferiu o jornalismo e, hoje, entre retiros espirituais com rinpoches, encontros com lamas e entrevistas espevitadas, o sagitariano usa sua vocação para o tietismo como contraponto à eterna busca do santo nirvana.

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