*Por Guilherme Junqueira Foti e Alexandre Schnabl

Pérola da culinária japa num bairro que não costuma prezar por este tipo de comida, o Soy é programa dos deuses. Se Copacabana praticamente resiste como um bairro que não privilegia a gastrô nipônica de qualidade, salvo o eterno Azumi no Lido e uma ou outra aventura de curta duração pelo Posto 6, a Santa Clara foi o local escolhido para encravar esse pequeno oásis, exemplar de bom restaurante do gênero.

O letreiro do Soy, onde a carpa, símbolo da boa sorte, convida o público para uma orgia gastronômica de puxar os olhinhos numa vizinhança na qual a comida japa não costuma ser o forte (Foto: Reprodução / Divulgação)

O motivo, para quem conhece os meandros, é claro: a empreitada é de Sergio e Bia Rodrigues, o casal que comanda a rede Bibi Sucos e que ÁS conhece desde a adolescência. Faz sentido. Em meados dos anos 1980, quando os sushis e sashimis ainda estavam começando a se tornar febre no Rio, o casal já enveredava apaixonado (por ele mesmo e pela comida) pelos sushi bares que começavam a pipocar na urbe, muitas vezes comigo a tiracolo.

Um do qual não lembro o nome, que ficava na São João Batista, em Botafogo, era “point”, para usar um termo que era moda na época e hoje virou cafa. E, como Sergio e Bia moram na Domingos Ferreira e na esquina com Santa Clara já rola um Bibi, ter seu próprio japonês ali pertinho pode ter sido uma espécie de extensão do lar.

By Bel Lobo, o ambiente descontraído do Soy lembra aqueles sushi bares de Nova York que podem ser encontrados em bairros descolados, sem pretensão de alta gastronomia, mas com comida japa honesta e clima popzinho (Foto: Reprodução / Divulgação)

Comandada pelo especialista Carlos Ohata, a casa renovou o menu há pouco, quando lançou a Semana da Tradição Japonesa. Convidado por Ohata, outro chef, Henrique Hojo, entrou em cena para criações que acabaram permanecendo no cardápio.

O menu é uma verdadeira ode ao japonismo sincero, e inclui gostosuras que fogem dos óbvios combinados, como o pudim de ovo, um clássico de qualquer birosca de Tóquio, do tipo que a gente vê me filmes. Super recomendável provar esse quitute, assim como outros pratos clássicos que atiçam os hashis de qualquer pessoa.

E o melhor: os preços são honestíssimos. Se bobear, mais baratos que qualquer Koni, pois a casa traz a expertise de quem toca a rede de lanchonetes Bibi.

Com uma sessão inteira de caldos e sopas, os destaques são o Rámen (R$ 42), feito com caldo a base de vegetais, legumes, ossos e cogumelos, e preparado com o macarrão típico feito com de farinha de trigo, moyashi e takenoko, ovo, lombo de porco cozido em baixa temperatura, com cebolinha e alga nori; o Soba (R$ 39), com caldo a base de shoyu ussukuti, macarrão típico de trigo sarraceno, omelete fatiado, cebolinha, brotos e carne suína; o Gyudon (R$ 42) de carne bovina e cebola, temperados ao molho shoyu e saquê adocicado, à base de arroz branco; e a Katsudon, feita com fatias de porco empanado, fina camada de ovo, cebolinha e brotos em arroz branco ao molho shoyu adocidado. As receitas são tão elaboradas que não parecem tratar-se de caldos e sopas servidos em tigelas.

O chef Carlos Ohata está por trás do sucesso do Soy, pérola da gastrô japonesa em plena Copacabana (Foto: Divulgação)

Em outra ala do menu, com pratos mais sólidos e consistentes, está o Karê Rice (R$ 42),  prato típico preparado com carne bovina e cenoura, condimentados ao molho curry, servido com arroz branco e gengibre fatiado em conserva, e o Nimono (R$ 47), um cozido japonês de legumes variados, com raiz de lótus, gelatina de batata, camarão e lulas servido com arroz branco. Há algum tempo ÁS não comia um arroz japa tão saboroso e ão soltinho,diga-se de passagem.

E, para degustação, super vale o Teishoku (R$ 95), que vem na medida para duas pessoas civilizadas: sunomono, cozido, tempura, sushi e sashimi, peixe grelhado, mushimono, missoshiru e arroz branco, um pouquinho de tudo, muito que acaba sendo pouco de tão gostoso. Festinha de Babette arigatô.

Para fechar, uma carta de saquês de boa cepa, dos mais baratos aos mais caros, selecionados pessoalmente por Ohata, que, como já viveu e trabalhou no Japão, entende desse riscado também.

As delícias do Soy, restaurante onde a tradição da cozinha japa é regra (Foto: Divulgação)

Badalado na medida, culinária perfeitinha, ambiente agradável e um chef que sabe muito bem o que faz: tá esperando o que para se jogar no japa, baby? ÁS super recomenda.

Serviço:

Soy

Rua Santa Clara 33, lojas B e C – Copacabana.

Tel: (21) 2235-4000

www.soyjapafood.com.br

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