*Por Lucas Montedonio e com Andrey Costa

Prefeito eleito de São Paulo, João Doria foi obrigado a assumir a fama de coxinha. Também pudera! Recentemente, o tucano declarou, em tom de ironia, acreditar que em algum dia futuro todos os brasileiros poderiam usar Ralph Lauren. O dito causou polêmica – um petardo como aquele famoso, no qual Maria Antonieta teria afirmado que o povo deveria se empanturrar de brioches -, sobretudo quando se considera que uma camisa pólo do estilista custa a bagatela de R$ 250. E o que dizer de uma jaqueta de nylon, bastante usada por Doria em campanha, custar no mínimo a quantia de R$ 950? Por isso mesmo, ÁS andou circulando pelo fervo da São Paulo Fashion Week a fim de apurar o que o povo da moda pensa disso. Ou melhor: se eleitos prefeito (ou até presidente, quem sabe?), que grife gostariam de ver os cidadãos envergando? Algumas respostas são dignas de papar uma eleição. Confira!

A mais nova primeira-dama paulistana Bia Doria não hesita: “Não acho que meu marido disse isso” – rebate elegantemente – “Afinal, nem tudo que sai na imprensa é verdade”. Apesar disso, ÁS cutuca a loura e pergunta o que ela acredita que o povo deveria envergar no corpitcho. Ela é vapt-vupt: “Os brasileiros, as mulheres em especial, devem se vestir como aquilo que lhes fizer se sentirem bem, o que é confortável. Não acredito que devemos nos limitar”, despista, para em seguida completar: “Amo fazer compras no Rio, mas também posso comprar um Reinaldo [Lourenço] na Oscar Freire, assim como posso curtir algo da 25 de Março. Por que não?”. A bela conclui ser adepta do estilo despojado e recomenda que as pessoas prezem pelo conforto acima de tudo, provando que não liga para preferência de marcas, ao afirmar não saber de quem era o modelito que vestia…

Foto: Gabriel Barrera/StudioRGB

Futura primeira-dama da Terra da Garoa, Bia Dória acredita que a polêmica sobre a possível declaração de seu marido nunca existiu: “A imprensa inventa” (Foto: Gabriel Barrera/StudioRGB para Ás na Manga)

Jornalista, apresentador e personal stylist, Arlindo Grund, 42, argumenta a ausência de espírito crítico naquilo que vem a ser “usar grife”: “Pelo lado intrínseco do que poderia significar ‘brand’, podemos associá-la não apenas ao poder, mas a uma economia estável”, alfineta. E, em tom otimista, finaliza politizando: “Espero que as pessoas em breve realmente usem grifes. E desejo muita sensatez para entender o que está subentendido aqui”.

Arlindo Grund (Foto: Andrey Costa para Às na Manga

Arlindo Grund questiona o que significa “usar grife” quando acredita que, antes de mais nada, é preciso estabilizar a economia (Foto: Andrey Costa para Às na Manga)

Vênus Pop, 21, é tipo Barbra Streisand. Ou Woody Allen. Faz de tudo, até chupar cana. É cantor compositor, estilista, “maqueador” (sim, elx gosta que escrevam assim, sic!) e performático! Avisa que no seu planeta (qual, amor?!? Fica no cinturão de asteroides???) de linguagem própria, elx solta: “Eu acho… não só o que eu acho, mas que as pessoas usem o que acharem melhor (Oi?)”. E dá segmento ao raciocínio: “A sociedade será ‘a contra’ e não usará nada que seja bom para o partido político ou para a concretização brasileira!”, exclama sem saber ao certo se sua mensagem, emitida diretamente do Planeta 20, foi compreendida por nós, pobres receptores.

Vênus Pop (Foto: Andrey Costa para Às na Manga)

Vênus Pop tem opiniões muito específicas sobre o que usar e o que não vestir. Tão pessoais, que será preciso uma linguista do tipo de Amy Adams em “A Chegada” para traduzir esse novo idioma alienígena (Foto: Andrey Costa para Às na Manga)

Rapper babadeira, Karol Conka chega chegando e lança com convicção: “Se eu fosse prefeita, a galera iria usar a marca da Karol Conka, lógico!”. “E qual é seu estilo?”, indaga ÁS. “Tombástico e flex!”, manda na lata rindo alto e mascando um chiclete verde como o incrível Hulk. Mas não para por aí: questionada sobre a possibilidade de lançar uma coleção própria – já que o Emicida estaria lançando a LAB nesse mesmo dia -, a estrela de gogó abusado e atitude empoderada admite ser uma boa: “Pode ser sim, quem sabe um dia! Sou ácida, determinada e querida para c@r*&%lho!”.

Foto: Gabriel Barrera/StudioRGB

Empoderamento para todos: Karol Conka vestiria o povo à sua imagem e semelhança! (Foto: Gabriel Barrera/StudioRGB para Ás na Manga)

Nem tudo é rosa para Tamara Salazar, 25, atriz e modelo de cabelos rosáceos, ganhando a vida na produção da SPFW: “Moda, assim como tudo na existência, é passageira. Se trouxer uma mensagem que faça sentido, seja naquilo que as pessoas vivem ou no modo como se expressam. Grifes não definem uma sociedade inteira e tão diversificada”, argumenta a feminista engajada que faz questão de usar o estilo como forma de autoexpressão.

Tamara Salazar (Foto: Andrey Costa para Às na Manga)

Dona de uma loja online, Tamara Salazar não crê que uma grife possa representar a variedade de um povo inteiro (Foto: Andrey Costa para Às na Manga)

Radiante, fulgurante e divertida, Barbara Berger, 31, faz a linha top mãe loura do funk. É gracinha com as novatas no métier de modelo, mas não abre mão do humor: “Acredito que usar o que você gosta seja  muito mais válido do que escolher uma grife em si. A marca mais interessante que podemos usar é sempre a nossa personalidade”, dispara com a verve de um guru que entende do riscado.

Barbara Berger (Foto: Andrey Costa para Às na Manga)

Belezura digna de capa, Barbara Berger impressiona o tiozão enquanto vaticina sobre a importância de usar a personalidade como pelagem (Foto: Andrey Costa para Às na Manga)

 

Lillian Pacce é do tipo que não dispensa uma boa grife. Mas seu olhar difere do de João Dória: “Ah, acho bem mais divertido e moderno grifes como a Prada“, afirma, contextualizando: “A moda não se restringe. Muito pelo contrário”.

Foto: Gabriel Barrera/StudioRGB

Se prefeita, Lilian Pacce curtiria a boa moda de Miuccia para uma paulisteia bem mais fashion e feliz (Foto: Gabriel Barrera/StudioRGB para Ás na Manga)

Tipo cardume: a SQUAD Brazil compareceu massivamente ao desfile da À la Garçonne. Entre eles, a hypadérrima (no Insta) modelo Yollanda Maakeo, 27, modelo trans, que mandou sem trava na língua: “Não acho bacana padronizar as pessoas, menos ainda com a grife escolhida por este prefeito “coxinha”, problematiza. E continua: “Acho infeliz esse tipo de declaração”.

Yollanda Maakeo (Foto: Andrey Costa para Às na Manga)

Madeixas rosa, look preto, dois elles e tudo no feminino: Yollanda Maakeo não admite padrão na vida e na prefeitura (Foto: Andrey Costa para Às na Manga)

Kelly Correia, 27, blogueira do The Fashionary, não avaliza a escolha do prefeito eleito, mas acredita no potencial da moda como expressão de um povo: “Acho Ralph Lauren ca-fo-nér-ri-ma”, enfatiza completando: “Olha, eu vejo todo sentido em usar grifes para se destacar, hein?”.

Kelly Correia (Foto: Andrey Costa para Às na Manga.

Assim como no visual, Kelly Correia é preto no branco: “A moda é essencial para a autoexpressão, mas não curto a escolha do Dória” (Foto: Andrey Costa para Às na Manga)

Airton Galiasso é bonitão de 1,90m. E está bom assim, né, bem? Quando questionado pelo ÁS sobre que grife – em contrapartida à polêmica declaração de João Dória – ele gostaria de ver a pauliceia usando, ele apela à sua memória afetiva, de quem desfila em Milão: “Uma marca só? Armani, eu acho”. Em busca de uma brasilidade insuspeita no moço, ÁS repete a pergunta explicando que poderia ser uma grife brazuca ou até um estilista novato. Como uma Paris Hilton de calças, o rapaz só falta por o mindinho no canto da boca: “Acho que pode surgir uma marca brasileira que concorra com as grifes de fora, com certeza”.

Airton Galliaso (Foto: Andrey Costa para Ás na Manga)

Airton Galiasso troca o luxo pelo luxo: na sua opinião, na hora de vestir o povão numa Sampa hipotética, sai o americano Ralph Lauren e entra o italiano Giorgio Armani. Sim, o rapaz ama o glam. Mas glam mesmo é seu carão de top! (Foto: Andrey Costa para Ás na Manga)

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