A reportagem sobre tapioca feita por Patricia Poeta no matutino É de Casa neste último sábado, 5/12, deu o que falar, sobretudo quando a apresentadora confirmou que esta farinha extraída da mandioca tem mais açúcar do que supõe a vã filosofia dos naturebas e marombeiros. Ainda assim, é importante ressaltar que o produto de origem indígena, que faz parte da dieta dos nordestinos, anda abrindo seus tentáculos sobre os cariocas, cujo número de adeptos parece aumentar todo dia. Três dos motivos – a leveza da ingestão, a crocância sem sofrência e o fato de não conter glúten – podem ser fatores que influenciam no aumento do consumo, ampliados pelo fato de a culinária de raiz estar na moda. O produto saiu das praias e feirinhas nordestinas e alcançou o mainstream, sendo servido em restaurantes, com corners montados em badalos hypados e embarcando na onda do food truck com a Tapí Tapioca, que ganhou alvará para circular por pontos da Zona Sul e acaba de lançar novos sabores.

Tapioca business: os sócios Marianna Ferolla e Diogo Zaverucha posam entre os funcionários no food truck da Tapí Tapioca, provando que o quitute já deixou de ser coisa de índio para ganhar o mundinho fashion (Foto: André Hawk / Divulgação)

Tapioca business: os sócios Marianna Ferolla e Diogo Zaverucha posam entre os funcionários no food truck da Tapí Tapioca, provando que o quitute já deixou de ser coisa de índio para ganhar o mundinho fashion (Foto: André Hawk / Divulgação)

Com Marianna Ferolla e Diogo Zaverucha à frente, a Tapí Tapioca comemora um ano de atividade cheia de planos: acaba de lançar o Tapí de Leche (R$ 14), com doce de leite, raspas de limão e flor de sal na goma de maracujá, e abre em janeiro um ponto de venda fixo em Benfica, no celebrado CADEG, espécie de jardim das delícias na Cidade Maravilha. Tradução: sim, cada vez mais a gostosura perde aquele encanto de produto regional para ganhar, em contrapartida, a ótima pecha de acepipe gourmet com possibilidades cosmopolitas.

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Tapí de Leche, do Tapí Tapioca: biju perde o apelo da boa forma para virar manjar dos deuses. E por que não? (Foto: André Hawk / Divulgação)

Criativa, a dupla se inspira na boa gastronomia para fugir da etnia básica, introduzindo aquele toque de multiculturalismo nas opções de recheio, quando oferece o Tapí Parrí (R$ 16), sabor que traz recheio de brie, amêndoas torradas e mel trufado. Iguaria regional com pitada a la française. Já o Tapí Al Mare (R$ 18), na base do salmão defumado, cream cheese e cebola roxa marinada na goma rosa (hidratada com beterraba), tem conquistado uma clientela fiel pelo sabor internacional e a fartura do recheio. Mas, quem não abre mão do incensado localismo, que impera nos anuários sobre globalização, pode lambuzar os dedos com o Tapí Baião (R$16), recheado com carne seca, creme de baroa e pimenta biquinho. Dos deuses, de fazer Luiz Gonzaga se levantar da tumba e tocar sua sanfona em frenesi absoluto.

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Um dos novos lançamentos do food truck, o Tapí Esquina leva camarões e alho poró (Foto: André Hawk / Divulgação)

Produzida artesanalmente, sem adição de conservantes, a goma da Tapí se vale desse aspecto para pegar pelo estômago aqueles de paladar exigente, mas que estão em busca de uma vida saudável. Figurinha tarimbada no eixo Copacabana-Ipanema, o personal trainer Daniel Kaizer se diz fã e é contundente em afirmar os benefícios dessa farinha: “A substituição do pão branco pela tapioca é um inegável benefício, já que a panquequinha forra bem o estômago e a ausência de glúten é providencial. E quando a goma fica crocante e fininha, é dos céus!”, afirma o brutamontes, lambendo os beiços.

Bisou do biju: adepto da tapioca, o personal Daniel Kaizer posa em competição de fisiculturismo (Foto: Reprodução)

Bisou do biju: adepto da tapioca, o personal trainer Daniel Kaizer posa em competição de fisiculturismo (Foto: Reprodução)

Integrante da rapaziada que vê a tapioca com um ingrediente indispensável para a vida saudável, Lucas Willian Lerner, do site O Menino do Rio“, costuma conquistar seguidores por conta de sua ótima forma, aliada a dicas bem escritas de moda e saúde para quem procura um lifestyle praiano. Natural de Recife e há um ano na capital fluminense, ele traz boas lembranças do hábito de comer biju: “Faz parte da minha memória afetiva, da infância em Pernambuco. A tapioca me ajudar a manter o corpo porque me dá uma maior sensação de saciedade e substitui a farinha branca, que me deixa muito inchado”, afirma, completando que compra uma marca no supermercado: “È boa para fazer em casa: super fina e não precisa nem peneirar. Preparo em dois minutos.”

Lucas vê com bons olhos o modismo da tapioca-gourmet: “Acho maravilhoso e isso só prova o quanto a culinária nordestina é rica. Minha mãe diz: ‘Como tapioca desde moça; agora virou moda’, rs. Mas, embora curta experimentar essas invencionices gastronômicas, continuo também fiel ao original”.

Lucas Willian Lerner tapioca final

Boa forma: à frente de um site sobre estilo de vida, Lucas Willian Lerner é entusiasta da tapioca tanto na rua quanto na cozinha da própria casa (Foto: Reprodução)

Sergio Rodrigues, do Bibi Sucos, conta que hoje as opções de recheio são muito maiores do que quando incluiu a tapioca no cardápio, em 1999: “Era um item muito específico quando introduzi no menu. Servíamos duas ou três versões, voltadas especificamente para a turma ligada nos esportes. Mas, de dois anos para cá, a coisa cresceu e criamos novos sabores, com  preços que variam de R$ 9,40 a R$ 18, 60”.

Ele revela que tomou conhecimento da farinha quando treinava jiu-jutsu: “Era uma onda meio dos Gracie (família que sintetiza a prática dessa luta no Brasil); foi assim que me dei conta. Aí, numa viagem à Fortaleza com minha mulher, vi que a tapioca podia dar samba por aqui. Nessa época, era super difícil encontrar o produto no Rio. Só em casas especializadas de cultura nordestina”, entrega, concordando que, se a ingestão for exagerada, o consumidor vai engordar sim: “Vem da mandioca. É carboidrato, não tem jeito. Mas, em doses normais, é leve”, reiterando que é comum no Bibi os clientes pedirem para substituir o pão dos sanduíches pelo biju.

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Iguaria concorrida: clientela se aglomera na filial do Bibi Sucos de Copacabana, em plena madrugada (Foto: Reprodução)

Apesar de viajar para Bahia desde moleca, a sócia do Tapí Tapioca Marianna Ferolla descobriu para valer o produto quando esteve em Moreré (BA) há cerca de dois anos, caindo de amores por uma barraquinha que vendia tapioca. De volta ao Rio, viu ali uma oportunidade de business e mandou ver, viajando na macarronada que nem cientista louco. E não é que dá certo? Por exemplo: a Tapí também produz gomas coloridas, hidratadas com suco de beterraba caseiro, maracujá ou café, o que dá um charme no visual e um toque especial de sabor. Coisa de Doutor Caligari das panelas…

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Puro encantamento: Marianna Ferolla descobriu o biju de tapioca há dois anos e hoje ganha a vida incrementando a receita (Foto: André Hawk / Divulgação)

O trailer circula há um ano nos principais eventos da cidade do Rio de Janeiro. Nesta semana, de segunda-feira (7/12) a sexta (11/12), por exemplo, ele dá vazão à sua porção pop star e desembarca no Projac, na TV Globo. Bom para alimentar as estrelas e formar opinião. Mas, além do “Tapí Truck”, a marca também conta com um carrinho menor – o Tapizinho, tipo mascote – que passou a última temporada de verão estacionado na piscina do Copacabana Palace. Para gringo ver e comer.

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Tapizinho: sucesso do Tapí Tapioca é grande e já rende filhotes, como o mini espaço gourmet (Foto: André Hawk / Divulgação)

Serviço:

Tapí Tapioca

Rua Cupertino Durão, no Leblon às quintas-feiras

Rua Humaitá, às sextas-feiras.

Para acompanhar a rotina, basta seguir o calendário pelo instagram @tapitapioca ou através do recém lançado site www.tapitapioca.com.br, que além de mapa em tempo real, apresenta cardápio completo e vídeos das Tapís sendo preparadas.

Bibi Sucos

http://bibisucos.com.br/

Supermercado Zona Sul

Farinha de tapioca “Da Terrinha”: 500 kg / R$ 7,90

www.zonasulatende.com.br

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