Já em cartaz A Série Divergente: Convergente(Allegiant, de Robert Schwentke, Summit Entertainment e outros, 2016), terceiro longa-metragem da saga sci-fi Divergente” (Divergent, de Neil Burger, 2014), baseada nos livros de Veronica Roth. São mais de 20 milhões de exemplares vendidos, segundo o New York Times, número que credenciou – óbvio! – seu passaporte para as telas. Houve um tempo em que os diretores de cinema comiam um dobrado pra dar cabo de fantasias mágicas ou aventuras distópicas ambientadas em um mundo pós-apocalíptico. Tinham que contar a história em duas horas e pouco, no máximo três.

Hoje, com o desdobramento desse tipo de aventura juvenil em best-sellers sequenciados que, por sua vez, se revertem em sagas cinematográficas, a dificuldade é outra: manter o ritmo da aventura filme após filme, sem deixar a peteca cair e mantendo a bilheteria para que a série permaneça na pauta do estúdio que a financiou. Quando se dá a sorte de levar para as telas um produto bem-resolvido como Harry Potter ou Jogos Vorazes“, quem dos envolvidos na produção não está feito? É deitar, rolar e encher o cofrinho, entoando o mantra da indústria cultural.

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Com Theo James e Shailene Woodley à frente, terceiro longa da franquia “Divergente”“Convergente” –  chega às telas (Foto: Divulgação)

Confira abaixo o trailer oficial (Divulgação):


No caso da série “Divergente”, o buraco é mais embaixo: a dupla protagonista – Shaylene Woodley e Theo James – é tão insossa quanto uma pálida almôndega boiando numa sopa de letrinhas. Sem molho de tomate, só na água com sal.

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Shailene Woodley (Tris) e Theo James (Quatro): dupla protagonista da série “Divergente” continua tão sem graça quanto comida de marombeiro, tipo clara de ovo com inhame (Foto: Divulgação)

Até mesmo os queridinhos da vez entre a rapaziada hollywoodiana – Ansel Elgort, detentor de lábios carnudos dignos de uma mordiscadela, e Miles Teller, com os olhos puxadinhos de cachorro pidão mais sexies do pedaço, vide “Whiplash –, comparecem fazendo o melhor que podem na pele de personagens cujos arquétipos são no máximo burocráticos.

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Não, Ansel, não adianta fazer cara de bonitão desamparado em “Convergente”! Nem seus lábios avantajados são trunfo na saga “Divergente” (Foto: Reprodução)

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Miles Teller capricha nos olhos de cachorro husky na hora de fazer caras e bocas em “Convergente”, no papel típico do ambicioso que ‘vira a casaca’ toda vez que lhe é conveniente (Foto: Divulgação)

Felizmente, os realizadores capricham no elenco de coadjuvantes, trazendo nomes de apoio bacanudos, como Ashley Judd, Kate Winslet, Naomi Watts, Octavia Spencer, Mekhi Phifer, Ray Stevenson, Jay Courtney e agora o sempre competente Jeff Daniels, o que garante a diversão. Dessa vez, ele se encarrega de ocupar o posto de vilão mór que foi de Kate Winslet nos dois primeiros capítulos e, com sua típica cara de empada, segura o filme.

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Rosa púrpura do futuro apocalíptico: acostumado a atuar em produções de cineastas do primeiro time como Woody Allen, Jeff Daniels pinta e borda como o enigmático vilão manipulador de “Convergente”. Com sua expertise, não deve ter gasto mais do que meia hora para compor o personagem (Foto: Divulgação)

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Brilho na telinha: atualmente Jeff Daniels se sobressai no drama televisivo “The Newsroom” (HBO), que narra o dia a dia de uma emissora de notícias. Atração já saiu e cartaz, mas ainda é reprisada e vale a conferida (Foto: Divulgação)

Como sempre, uma sucessão de temas comuns à ficção científica – vistos e revistos em outras produções – são apresentados a esta nova safra de plateia, aditivados pelos hormônios do elenco jovem. Bom, nem tanto hormônio assim porque, afinal, a turma aqui não é muito chegada a um rala-rala. Mas, claro, o público vai se identificar sobretudo com questões que metaforizam a adolescência.

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Clichezão: típico muro holográfico das produções sci-fi também dá expediente em “Convergente” (Foto: Divulgação)

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Desventura no deserto pós-civilizatório: Quatro (Theo James),Caleb (Ansel Elgort) e Pris (Shailene Woodley) saem da zona de conforto da Chicago murada para descobrir a vida lá fora (Foto: Divulgação)

Na narrativa, a transposição dos muros seguros dessa Chicago do futuro equivale a romper a barreira da saia da mamãe para cair na vida, sob a forma de um planeta vermelho e desértico devastado pela guerra, com visual que lembra muito a cenografia de séries clássicas como Perdidos no Espaço e Star Trek“, só que melhoradinha. E a chegada ao porto seguro de uma pseudo idílica comunidade exterior, por sua vez, significa que é preciso ficar atento aos sinais de perigos que a existência traz, sem se iludir com falsas promessas. Enfim, nada de novo no front, mas dando conta do recado.

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Testosterona no set de filmagem: em foto de bastidores, um Theo James que quer ser James Dean posa com o cigarrinho no canto da boca ao lado de um Ansel Elgort descamisado. Carlos Lombardi escalaria os dois para suas novelas, se fossem brasileiros (Foto: Reprodução)

Como o terceiro e último livro de Roth foi desdobrado em dois filmes (agora isso é moda em Hollywood, pelo menos enquanto render uns trocados), o último filme – Ascendente” (Ascendent) está programado para 2017. O que vai poupar o público de assistir a outros exemplares com sufixo “ente”, como “Malemolente”, “Detergente” e “Condescendente”.

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Milagre da multiplicação dos filmes: trilogia das livrarias “Divergente” se desdobra em quatro produções cinematográficas (Foto: Reprodução)

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