Ganhador do Globo de Ouro de ‘Melhor Filme – Drama’, ‘Melhor Atriz em Drama’ (Frances McDormand, estupenda) e ‘Melhor Coadjuvante em Cinema’ (Sam Rockwell, avassalador), Três anúncios para um crime” (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, de Martin McDonagh, Fox Searchlight Pictures e outros, 2017) é filmão com “F” maiúsculo. Dificilmente vai sair de mãos abanando no Oscar, no qual concorre em sete categorias: ‘Melhor Filme’, ‘Melhor Atriz’, ‘Melhor Montagem’, ‘Melhor Roteiro Original’, ‘Melhor Trilha Sonora’ e tem duas indicações para ‘Melhor Ator Coadjuvante’ (Sam Rockwell e Woody Harrelson, ambos impagáveis no mesmo patamar).

Foto: Divulgação

No Globo de Ouro, Frances McDormand celebra a premiação. Ela concorreu com outras atrizes de peso como Jessica Chastain (“A grande jogada”), Meryl Streep (“The Post”), Sally Hawkins (“A forma da água”) e “Michelle Williams (“Todo o dinheiro  do mundo”). Agora, no Oscar, Chastain e Williams ficaram fora do páreo e entraram duas candidatas que concorreram na categoria ‘Melhor Atriz em Comédia ou Musical: Saiorse Ronan e Margot Robbie (Foto: Divulgação)

Embora seja um longa de atriz e McDormand, claro, dê seu showzinho de praxe, seria injusto dizer que ela conduz a produção sozinha, dada a qualidade do conjunto do elenco, o que pode até levar a pensar  o quanto é injusto não haver uma categoria que premie produtores de casting na Academia: o trabalho de Sarah Finn é impecável.

Mildred (Frances McDormand) posa para a televisão em frente aos três outdoors que locou para denunciar a ineficácia da polícia de Ebbing em relação ao assassinato de sua filha: personagem rabugento compõe mais um da longa galeria de mal-humorados vividos pela atriz (Foto: Divulgação)

Confira o trailer oficial legendado abaixo (Divulgação): 

Na narrativa, McDormand interpreta Mildred, moradora de pequena Ebbing, no estado americano do Missouri, que resolve comprar barulho com a polícia local quando aluga três outdoors que se encontram na erma estrada que segue até sua casa para chamar atenção da mídia por conta da ineficiência da polícia por não desvendar o crime de estupro e morte de sua filha, naquela mesma via. Ao peitar essa briga, a amargurada mãe vai precisar lidar com a fúria da cidade inteira, dada a popularidade do xerife (Harrelson), que tem pouco tempo de vida em função de um câncer terminal.

Algumas das melhores cenas de “Três anúncios para um crime” são os duelos verbais entre Woody Harrelson e Frances McDormand. Inspiradíssimos, eles já valem a sessão (Foto: Divulgação)

No drama, o embate entre a protagonista e a polícia vai ganhando tintas de faroeste e o que menos vai importar, no final das contas, é o desenlace, se a moça vai conseguir ou não resolver o crime que lhe assombra. A velha máxima de que a violência gera violência é levada ao extremo, do tipo que deixaria o Profeta Gentileza com a barba de molho. No decorrer da projeção, questões sobre preconceito racial, misoginia e homofobia eclodem no olho do furacão, aproximando os personagens de sua índole nociva e mostrando que não existe o bem e o mal puro e simples.

Ambos candidatos ao ‘Melhor Ator Coadjuvante’, Sam Rockwell e Woody Harrelson interpretam em “Três anúncios para um crime” respectivamente o policial violento, preconceituoso e estourado e o delegado ponderado e sensato (Foto: Divulgação)

Mais importante que desvendar o mistério que tudo deflagra, é revelar o quanto a truculência acaba trazendo à tona mais violência, ao ponto de não ser mais possível separar mocinhos de vilões numa massa disforme de seres humanos achacados, enxovalhados pela sua própria natureza. Aliás, nunca houve aqui mocinhos e vilões, mas seres humanos que se deixam conduzir por aquilo que acreditam. Consequências físicas e emocionais de um existência feroz vão pouco a pouco tomando a projeção de assalto até a cidadezinha, seus moradores, os outdoors, tudo se tornar um aglutinado temperado por rancores.

No turbilhão de preconceitos e violência que eclodem em “Três anúncios para um crime”, Mildred  (Frances cDormand) tem como porto seguro o amigo de todas as horas, o anão da cidade vivido por Peter Dinklage, o Tyrion Lannister de “Game of Thrones”(Foto: Divulgação)

Sam Rockwell brilha como Dixon, o policial com mentalidade sulista e de personalidade agressiva que resolve tudo na pancada. Ele rouba cena! (Foto: Divulgação)

O roteiro enxuto, que valoriza tanto os silêncios quanto diálogos inspiradíssimos, é que permite o desenvolvimento dessa trama forte, se tornando um ótimo prato a ser deglutido pelos atores. Eles fazem a festa e quem lucra é o público.

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