*Por Lucas Montedonio

Semana anterior ao Natal costuma ser caída em termos de programação, fora as típicas confraternizações de empresa e algumas raras festas de boate que insistem em permanecer na programação. Afinal, o fôlego da rapaziada começa a esmorecer para dar vazão à verve natalina, tanto no sentimentos noelescos quanto no frenesi das compras. E não é que, em plena noite desta quarta-feira (16/12), Ipanema foi tomada por um MMA etílico? Como assim? Bom, como a boa nesta época também é descontrair exorcizando o ano que termina, as happy hours tomam conta do circuito. Pensando nisso, o bar Astor, em Ipanema, promoveu uma atração inédita: reuniu uma turma de antenados da zona sul carioca para conferir a primeira edição do Against Bartender’, um duelo ao sol (ou melhor, à noite) de papas das coqueteleiras. Tipo luta de sumô, mas, felizmente, sem os sungões com cara de fraldão. Saem de cena os corpulentos e oleosos lutadores japoneses e entra em cena uma dupla de duelistas cuja expertise versa em  fazer “uns bons drink”. O resultado? Bom, foi épico, para resumir tudo em uma única palavrinha.

Promovido pela Wild Turkey Bourbon, marca do Gruppo Campari, o projeto conta com a parceria Fabio la Pietra, leia-se o nome à frente do charmoso Astor. A proposta é convocar ao ringue da casa ipanemense os maiores nomes da coquetelaria mundial para descontraídos duelos com o feríssimo Fabio, que acumula 14 anos de experiência no currículo de alto teor alcoólico. Como não poderia deixar de ser, ÁS caprichou no estoque de boldo e carqueja, abasteceu a dispensa com alcachofra composta, botou a beca e foi lá conferir esse ultimate fight.

Fabio La Pietra: talento dos drinks, cepa de bom de copo e estilão de mafioso chique (Foto: Divulgação)

Fabio La Pietra: talento dos drinks, cepa de bom de copo e estilão de mafioso chique (Foto: Divulgação)

O rival de La Pietra nesta primeríssima rodada é o top bartender Steve Schneider, conhecido por seu trabalho na Big Apple, urbe que acolhe o Employees Only NYC, no qual o moço dá expediente. O norte-americano não é pouca coisa: ocupa o 4º lugar no ranking do ‘The 50 World’s Best Bars.’ Agora, é aqui e bem longe da selva arquitetônica de Manhattan, defronte à praia de Ipanema, que se dá essa disputa de coqueteis. Cosmopolita pero tropical. Em meio a esse pacífico aconchego que mistura o dolce far niente com o ardente calor da competitividade, o ambiente serve como uma espécie tatame psicológico, perfeitinho para a confraternização.

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Steve Schneider disfarça o jogo em pleno Astor: cara de boa-praça, jeito de gringo e tattoos dignas de integrante da Yakuza trepidar (Foto: Rogério Resende / Divulgação)

O badalo reforçou a verve plurinacional que um balneário de fama internacional pode oferecer. De um lado, um ítalo-brazuca. Do outro um súdito de Tio Sam. Ambos reconhecidos internacionalmente por seus respectivos talentos. O público observa com a garganta seca e olhar de pidão, bem pertinho do embate: o próprio balcão. É hora de duelo à sombra. A competição acaba promovendo os convivas a jurados que, com auxílio de uma plaquinha, revelam seus votos. Com três rounds, a brincadeira é levada a sério e os profissionais, sob a pressão dos olhares da plateia, praticamente coreografam a preparação de suas melhores receitas, dispostos a causar boa impressão. A tensão fica por conta do tempo cronometrado. Na primeira rodada, welcome drinks à base de Campari com suco de laranja. Ou bebidinhas com ingredientes surpresa como jerez ou o aperitivo Amaro Lucano, líder no mercado de amargos, composto com ervas e suco de maçã verde. Cool, mas suave, nem de perto ainda o ápice, tipo Rocky versus Apollo Creed.

Na segunda rodada, apenas dois minutos para o preparo de sete drinques! Número cabalístico. Okay, apesar de desafiadora, missão dada é missão cumprida e os dois se safam da tarefa. A votação é páreo duro e empate técnico é declarado. Diplomático…

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Segundo round: Fabio La Pietra encara a preparação de drinques no atacado, pero sin perder la qualidad jamás! (Foto: Rogério Resende / Divulgação)

Eis que vem o grand finale. Hora de clímax, de prova de honra. Momento de jogar as cartas na mesa e apostar alto. Este terceiro e último desafio se chama signature cocktail,  ou seja: trata-se daquele drinque que expressa toda a personalidade do criador. Batizada de Yankee Notion, a receita de Steve ostenta na composição, utilizando como base o bourbon da Wild Turkey, obviamente feito com milho. Vem a adição do vinho branco espanhol Jerez, soma-se outra dose do vinho Cisano Bermuti, mais um pitaco do amargo característico da Angostura. A boa mistureba é finalizada com Cordial, licor artesanal de camomila. Ótimo!

Steve Schneider se empolga na preparação do drinque (Foto: Rogério Resende / Divulgação)

Steve Schneider se empolga na preparação do drinque (Foto: Rogério Resende / Divulgação)

Já o anfitrião La Pietra opta por oferecer em sua best performance o Kentucky Tivo, no nome uma alusão a “aperitivo”. A criação conta com ingredientes da bota italiana, como o Amaro Lucano, e ainda se harmoniza com a Ginger Beer, refrigerante artesanal de gengibre. Assim, Fabio conquista a preferência dos degustadores com este toque. No final, todo mundo sai ganhando, pois a sequência de drinques de ambos arrasou. Ou perdendo, já que ÁS quase foi a nocaute na hora de ir embora, nitidamente trocando as pernas…

ambos

Quem roubou a rolha do meu lanche? La Pietra observa Steve Schneider em ação! (Foto: Rogério Resende / Divulgação)

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Missão cumprida, confraternização em clima de Rio: Steve Schneider (esq.) e Fabio La Pietra (dri.) se refastelam no Astor, após nocautear o público com gostosuras dionísicas (Foto: Rogério Resende / Divulgação)

www.barastor.com.br

* Nascido na cidade imperial de Petrópolis, o pianista amador ganhou o mundo ainda adolescente quando fez intercâmbio nos Estados Unidos. Nessa época sua terceira visão despertou e o moço se entregou ao budismo tibetano. Pura estratégia para dominar a vaidade interior. Estudou comissaria de bordo, mas preferiu o jornalismo e, hoje, entre retiros espirituais com rinpoches, encontros com lamas e entrevistas espevitadas, o sagitariano usa sua vocação para o tietismo como contraponto à eterna busca do santo nirvana.

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