* Por Thais Amormino, direto de Roma

Famosa pelas ruínas do antigo Império e também por suas construções seculares onde predominam os tons de ocre, Roma também é considerada uma das capitais europeias com mais área verde. Tem aproximadamente 52 mil hectares de terras agrícolas além das vilas históricas, bem como terra dedicada à agricultura em áreas periféricas. Somente as áreas protegidas da cidade abrangem um total de 40 mil hectares e, fato, 68 % do território romano possui villas, parques e plantações. E, atualmente, esse programinha típico de quem habita a urbe e conhece seus segredos tem se tornado passeio obrigatório para aqueles turistas descolados que, por indicação dos locais, pretendem desbravar a capital italiana para bem além do Coliseu e Piazza Di Spagna. Confira!

Por do sol em Roma, do ponto de vista com o Gianicolo: qualquer semelhança com a exuberância carioca pode ser um ato divino (Foto: Thaís Amormino)

Por do sol em Roma, do ponto de vista com o Gianicolo: qualquer semelhança com a exuberância carioca pode ser um ato divino (Foto: Thaís Amormino)

E, entre os modismos desse verão, a onda é desbravar a “Roma Verde”, visitar suas “villas e parques,”, interseção onde se encontra história, descobertas arqueológicas e cultura artística completamente integradas a natureza. Villa Borghese, Villa Pamphili, Villa Ada, Celimontana, Sciarra, Torlonia, Orto Botanico, Roseto Comunale, Bosco Parrasco, Parco degli Acquedotti, Parco degli Scipioni, Caffarella Park, Parco Appia Antica (ufa!) só para citar algumas. Seria possível ao visitante conhecer todas de uma vez? Direto da cidade eterna, ÁS seleciona quatro das mais amadas, todas de fácil acesso. Confira!

Roma, eu te amo: forma coração visível no mapa da capital italiana (Foto: Thaís Amormino)

Roma, eu te amo: forma coração visível no mapa da capital italiana (Foto: Thaís Amormino)

Localizada no centro da cidade, Villa Borghese é certamente passeio clássico e tem a forma de um coração – aliás , talvez passe desapercebido, mas Roma escrita ao contrário é igual a amor. Neste cenário, significativa parte da história da humanidade se desenvolveu, então melhor palco não há para se apaixonar novamente. A villa ocupa 80 hectares.

Villa Borghese: programinha bucólico em meio ao burburinho da cidade e dos monumentos apinhados de turistas (Foto: Divulgação)

Villa Borghese: programinha bucólico em meio ao burburinho da cidade e dos monumentos apinhados de turistas (Foto: Divulgação)

Foi projetada a pedido de Scipione Borghese para ser a casa da familia sobre a colina Pinciana e também, local onde abrigaria sua magnífica coleção de arte. O arquiteto Flaminio Ponzio foi o responsável, mas foi seu assistente Giovanni Vasanzio quem finalizou a edificação após sua morte. Vale tirar um dia inteiro para passear pela Villa Borghese. São inúmeros jardins, fontes, mini templos, outras villas da familia, museu – galeria de arte (fazem parte da coleção trabalhos de Bernini, Antonio Canova, pinturas de Ticiano, Rafael e Caravaggio), teatro e até um museu zoológico. Dia ganho com certeza…

Viulla Borghese: construções clásicas em meio ao mato bem cuidado (Foto: Divulgação)

Villa Borghese: construções clásicas em meio ao mato bem cuidado (Foto: Divulgação)

Ah, não deixe de conferir o filme de Vittorio de Sica “Villa Borghese” de 1953.

Galeria Borghese: http://www.galleriaborghese.it/borghese/en/evilla.htm

Já o Parco Celimontana, conhecido anteriormente como Villa Mattei, fica entre as colunas de Aventino e Caelian, traduzindo: pertinho do Coliseu e das Termas de Caracalla (outro destino verde da cidade) e, possui duas entradas – a principal é pela Piazza della Navicella ou pela Basilica San Giovanni e Paolo.

Parco Celimontana: pérola encravada no meio da urbe e um dos símbolos daquela Roma pouco visitada pelos turistas (Foto: Divulgação)

Parco Celimontana: pérola encravada no meio da urbe e um dos símbolos daquela Roma pouquísimo visitada pelos turistas (Foto: Divulgação)

Reza a lenda de foi por lá que o segundo rei de Roma, Numa Pompilius, costumava se encontrar com a ninfa Egeria, a qual era sua conselheira e teria lhe passado todas as leis e rituais antigos que deveriam governar no futuro Império. Hum, quer dizem então que as leis de Roma foram dadas por uma ninfa? Dá até para entender o excesso de libertinagem ao longo dos séculos. Bom, lenda ou não, por lá também se encontram alguns vestígios do século V d.C. como mármores coloridos – provavelmente retirados de algum templo e que hoje encontram-se na Sangallo´s Sala Regia no Vaticano.

O homem à frente da construção da villa, em 1580, se chamava Giacomo Del Duca, aluno de Michelangelo. Como tudo em Roma carrega a história de alguma família que vai se passando de geração em geração, a Villa Celimontana tem na sua origem a familia Mattei, mas em 1802 a propriedade foi comprada por Manuel de Goday do Reino da Espanha. Também foi da Princesa Marianne da Holanda, Frederica – princessa da Prussia – e, após a primeira guerra mundial, a Itália confiscou a propriedade. Hoje pertence a Sociedade Geografica Italiana e suas mais importantes esculturas dos jardins hoje estão expostas no Museu Nacional Romano.

Construções seculares surgem em meio ao verde no Parco Celimontana (Foto: Divulgação)

Construções seculares surgem em meio ao verde no Parco Celimontana (Foto: Divulgação)

Já o Giardino degli Aranci ou Parco Savello fica no lado sul da colina de Aventino e de lá é possível ter aquele visual super bacana da cidade e, de quebra, aromatizado. Sim! O parque tem como característica númerosas árvores de laranja, dai o nome… Fantástico!

A vista deslumbrante de Roma é atrativo a mais para que sobe até o Giardino degli Aranci (Foto: Divulgação)

A vista deslumbrante de Roma é atrativo a mais para que sobe até o Giardino degli Aranci (Foto: Divulgação)

O local foi concebido em 1932 pelo arquiteto Raffaele De Vico em projeto totalmente simétrico. Por lá, você encontrará homenagens a grandes atores italianos como Nino Manfredi e Fiorenzo Fiorentini.

Laranjas colorem o gramado do Giardino (Foto: Divulgação)

Laranjas colorem o gramado do Giardino degli Aranci (Foto: Divulgação)

Falando em locais com visual arrebatador da cidade e muito verde, não há como não embarcar num passeio imperdível: o Gianicolo (pronúncia-se Janículo), aliás, praticamente o quintal dessa colunista.

Localizada à margem direita do Tibre, Gianicolo é a segunda colina mais alta da Roma contemporânea e, portanto, não figura entre as sete colinas da cidade.  Era por lá que se cultuava o deus Jano – entidade romana que se representa com dois rostos opostos, um olhando para diante e o outro para trás, conhecido também como deus dos portais, das transições, das entradas e saídas, dos inícios e fins; na mitologia é o primeiro rei do Lácio.

Gianicolo: comparações com áreas verdes do Rio, como o Parque Lage e Parque da Cidade, são inevitáveis (Foto: Divulgação)

Gianicolo: comparações com áreas verdes do Rio, como o Parque Lage e Parque da Cidade, são inevitáveis (Foto: Divulgação)

Arborizado e cheio de pequenas praças, do alto de seus 82 metros, dó topo tem-se uma das mais belas vistas da cidade. É por lá também que esta enterrada a “heroína dos dois mundos”, Anita Garibaldi e, claro, lá encontra-se um belissímo monumento a Giuseppe Garibaldi.

Estátua de Garibaldi, no centro do Gianicolo: mesmo nas áreas verdes, Roma não abre mão dos monumentos, o que torna o passeio mais interessante para o visitante (Foto: Divulgação)

Estátua de Garibaldi, no centro do Gianicolo: mesmo nas áreas verdes, Roma não abre mão dos monumentos, o que torna o passeio mais interessante para o visitante (Foto: Divulgação)

Vamos descobrir outros recantos verdes ? Acesse : www.levillediroma.com

* Amante de caftãs estampados, óculos graúdos e da dolce vita, trocou o Rio pela Itália. Circula entre Roma, Capri, Egito, São Paulo e a Cidade Maravilha com a desenvoltura de quem sucumbiu à crise do petróleo, mas persiste no imaginário. Se tivesse vivido os anos 1920, rivalizaria com Pagu; se transitasse pelos 1970, trocaria dicas com Marisa Berenson. Mas, como o despertador apitou tarde para ela no calendário do grand monde, borbulha por onde houver frisson, exalando sua verve nefelibata e tocando o site italyluxe.com    

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